Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
19 Ago, 2020 - 09:15

Microbiota de prematuros poderá ser definido ainda dentro do útero

Mónica Carvalho

Estudo do CINTESIS revela que o tipo de bactérias presente no mecónio de recém-nascidos poderá ser determinado essencialmente dentro do útero.

microbiota de prematuros estudo de investigação

Seja por parto normal ou por cesariana, a hipótese da colonização bacteriana intrauterina é fortalecida por estudo do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde. Os autores acreditam que “durante a gestação, o feto seja exposto a bactérias e metabolitos provenientes do intestino e da vagina da grávida, influenciando o microbiota do mecónio do recém-nascido”.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores tinham como objetivo perceber melhor “a relação entre o microbiota intestinal da mãe e o mecónio de bebés prematuros”, visto que o mecónio é a primeira matéria fecal eliminada após o nascimento e constitui “uma fonte de informação muito útil, pois reflete o ambiente microbiano dentro do útero”.

Para tal, foram extraídas e analisadas amostras de ADN de bactérias do mecónio de cerca de uma centena de recém-nascidos prematuros extremos e prematuros nascidos antes das 28 semanas de gestação e entre as 28 e as 32 semanas de gestação, respetivamente.

Foi, então, possível observar que “o mecónio dos recém-nascidos muito prematuros tem uma maior correlação com o microbiota materno”. Todavia, “o microbiota do mecónio dos prematuros extremos tem mais Lactobacillus, o principal género encontrado no microbiota vaginal, independentemente do tipo de parto”.

mãe a fazer festinhas ao seu bebé

Em suma, os dados apurados “permitem sustentar que as bactérias maternas, quer do intestino, quer da vagina, têm um papel na modulação do microbiota dos bebés e que a transmissão materno-fetal de bactérias é um processo controlado e específico no tempo”.

Isto é importante, visto que o tipo de bactérias presentes no trato gastrointestinal dos recém-nascidos pode influenciar significativamente o desenvolvimento do sistema imune e, como tal, ter consequências importantes em termos de saúde. Numa situação de prematuridade, esta situação é particularmente relevante, tendo em conta a sua imaturidade e vulnerabilidade.

O estudo foi coordenado por Conceição Calhau e a equipa integra investigadores do CINTESIS/NOVA Medical School e do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central/Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

A realização do estudo decorre de uma bolsa da MILUPA, atribuída pela Sociedade Portuguesa Neonatologia em 2017 e financiada pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionalização – COMPETE 2020 e Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do CINTESIS.

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