Farmacêutica Cátia Rocha
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14 Ago, 2018 - 14:45

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs): tudo o que precisa de saber

Farmacêutica Cátia Rocha

O uso de substâncias químicas para melhorar a dor e a inflamação é uma das necessidades da humanidade. Conheça os benefícios e riscos dos anti-inflamatórios.

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs): tudo o que precisa de saber
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Os anti-inflamatórios (AINEs) são frequentemente dispensados, quer por indicação médica quer por aconselhamento farmacêutico. Em ambas as situações, há que sublinhar a necessidade de garantir a toma segura destes medicamentos, em particular em doentes com fatores de risco para complicações gastrintestinais ou cardiovasculares.

A comercialização destes medicamentos em determinadas doses é de venda livre, sem necessidade de receita médica, o que aumenta a responsabilidade de quem toma a medicação.

Este grupo terapêutico é especialmente eficaz no tratamento das inflamações a nível osteoarticular. Todos os anti-inflamatórios não esteroides apresentam três efeitos básicos:

  • Antipirético (baixa a febre);
  • Analgésico (reduz a dor);
  • Anti-inflamatório.

O QUE SÃO OS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES?

anti-inflamatorios e dor na coluna

Os AINEs são recomendados em situações de inflamação e de dor associada. São aconselhados para o alívio da dor em doenças crónicas, como artroses, artrite reumatoide e dor lombar, e em situações agudas, como a pequena cirurgia, intervenções dentárias, dor menstrual, dor generalizada, enxaquecas e gota.

O ácido acetilsalicílico (aspirina®) e o ibuprofeno (brufen®) são exemplos de fármacos que pertencem ao grupo dos anti-inflamatórios não esteróides.

QUAIS OS EFEITOS SECUNDÁRIOS DOS AINEs?

problemas gastricos

Os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) são compostos que bloqueiam a formação de prostaglandinas, que são substâncias produzidas normalmente pelo organismo e que intervêm em diversas funções fisiológicas, como, por exemplo, a proteção do revestimento do estômago, a regulação da pressão arterial, a dor e a inflamação.

Assim, quando bloqueiam a síntese das prostaglandinas, os anti-inflamatórios aliviam a dor e a inflamação, interferem com as funções protetoras destas substâncias. É, por esta razão que, entre os seus efeitos secundários, estão as perturbações gástricas e a hemorragia gastrointestinal.

O risco de problemas aumenta com a utilização prolongada dos AINEs. Devem ser usados com precaução nos doentes que têm úlceras gástricas e nos que fazem anti-coagulação com antagonistas da vitamina K. As crianças e os adolescentes não devem ser medicados com ácido acetilsalicílico.

QUAIS OS RISCOS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS?

tensao arterial

Estes medicamentos têm sido alvo de várias revisões de segurança, não só cardiovascular, mas também gastrintestinal e cutânea.

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Doentes com sintomas indicativos de perturbações gastrintestinais ou com história sugestiva de ulceração gástrica ou intestinal, hipertensão arterial não controlada, insuficiência cardíaca congestiva, doença isquémica cardíaca estabelecida, doença arterial periférica, e/ou doença cerebrovascular, devem ser alvo de atenção particular aquando da dispensa de AINE’s.

No entanto, a relação benefício-risco permanece positiva, apesar de não se excluir a possibilidade do aumento da ocorrência de eventos tromboembólicos, como ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais, principalmente quando utilizados em doses elevadas e em tratamentos de longa duração.

Os riscos associados a estas terapêuticas podem ser minimizados utilizando a menor dose eficaz durante o menor tempo necessário para controlar os sintomas.

QUEM NÃO DEVE TOMAR ANTI-INFLAMATÓRIOS?

prescrição medica e farmaceutica

Deve questionar o médico antes de tomar um AINEs se:

  • Já sofreu efeitos adversos ao tomar outros medicamentos da mesma classe terapêutica;
  • Tem um risco maior de sangramento no estômago;
  • Tem problemas de estômago, incluindo azia;
  • Tem pressão arterial alta, doença cardíaca, cirrose hepática ou doença renal;
  • Sofre de asma;
  • Toma um medicamento diurético.

Em conclusão

Embora os anti-inflamatórios sejam um dos grupos de medicamentos mais consumidos em todo o mundo e, por consequência, dos mais estudados, existem riscos associados à sua toma.

Assim, a toma deve ser sempre acompanhada de aconselhamento por um profissional de saúde que esclareça as dosagens diárias, o tempo de tratamento e os riscos que poderão estar associados.

Portanto, como regra geral, o tratamento com anti-inflamatórios não esteroides deve ser realizado sob aconselhamento profissional e durante o menor tempo possível para alívio sintomático.

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