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Quebra de tensão: possíveis causas e como tratar

A quebra de tensão ocorre quando existe uma queda significativa da pressão arterial, normalmente com valores tensionais inferiores a 90/60 mmHg.

 
Quebra de tensão: possíveis causas e como tratar
Conheça os sintomas e doenças associadas à quebra de tensão

quebra de tensão, também chamada de hipotensão arterial, ocorre quando existe uma queda significativa da pressão arterial.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Hipertensão, consideramos uma pressão arterial normal entre 100/60 mmHg e 120/80 mmHg, valores abaixo destes, em alguns casos, podem ocasionar uma quebra tensão, levando a sintomas como fraqueza e suor frio, até desmaios (1).

Quando a pressão arterial está normal, isso significa que todos os tecidos do corpo estão a conseguir ser adequadamente perfundidos, sendo que na quebra de tensão isto pode não ocorrer.

O que é a tensão arterial?


quebra de tensao pressao arterial correta

A circulação do sangue, que tem por destino chegar a todos os tecidos e células do organismo, implicando que haja alguma pressão sobre as paredes das artérias. Esta pressão, que é normal e até essencial para que o sangue atinja o seu destino, é a chamada “tensão arterial” e é avaliada em dois momentos: na contração e no relaxamento cardíaco, chamados de sístole e diástole (1).

  • Pressão sistólica: o primeiro número (superior) de uma leitura de pressão arterial, indica a quantidade de pressão gerada pelo seu coração ao bombear sangue através das suas artérias para o resto do seu corpo;
  • Pressão diastólica: o segundo número (inferior) de uma leitura de pressão arterial, indica a quantidade de pressão nas suas artérias quando o coração está em repouso entre as batidas.

Alguns estudos revelam que a tensão arterial é uma variável biológica, que não é constante no decorrer do tempo, variando de forma significativa nas 24 horas do dia:

  • Aumenta durante a prática da atividade física e apresenta redução considerável após o esforço (hipotensão pós-exercício);
  • Eleva-se em condições de desconforto físico ou emocional e tende à redução após as refeições e durante o sono.

Tais variações podem ser observadas quando se utiliza o MAPA, monitorização em ambulatório da pressão arterial, durante 24 horas (2).

Sintomas da quebra de tensão


quebra de tensao tonturas

Os sintomas mais comuns de uma quebra de tensão são:

  • Tonturas ou sonolência;
  • Desmaio (síncope);
  • Visão turva;
  • Náuseas;
  • Frio, pele fria, húmida e pálida;
  • Respiração rápida e superficial;
  • Sede.

 

O que pode ocasionar a diminuição da pressão arterial?


Segundo os estudos da Sociedade Portuguesa de hipertensão arterial, a quebra de tensão não é, por si só, considerada uma doença., podendo estar relacionada a perda do controlo do fluxo sanguíneo ou a hipovolemia, diminuição do volume de sangue circulante.

A forma mais comum é a hipotensão postural, mas pode ocorrer também em caso de desidratação, no jejum prolongado, no uso de medicamentos para emagrecer e para tensões altas.

Em dias de muito calor, também é comum que ocorram quebras de tensão, pelo facto das artérias estarem mais dilatadas e o sangue acabar por não precisar de muita pressão para circular.

1. Hipotensão postural – alteração da posição do corpo

quebra de tensao mulher deitada

A hipotensão postural, ou ortostática, é a forma mais comum de hipotensão, definida como a redução sustentada de, pelo menos, 20mmHg da pressão arterial sistólica (PAS) e/ou de 10mmHg da pressão arterial diastólica (PAD) dentro de três minutos após a adoção da ortostase, mudança da posição sentada ou deitada, para a posição de pé (3).

Isto explica-se pela ação da gravidade, que faz com que o sangue se acumule nas pernas sempre que está de pé. Para compensar, o corpo aumenta a sua frequência cardíaca e comprime os vasos sanguíneos, garantindo que o seu cérebro recebe sangue suficiente. Em pessoas com hipotensão postural, este mecanismo de compensação falha e a pressão arterial cai, levando a sintomas como tontura, vertigem, visão turva e até mesmo desmaios.

2. Desidratação

Em caso de desidratação, o corpo perde mais água do que o necessário para manter as funções vitais. Mesmo uma desidratação leve pode provocar tonturas, fraqueza e fadiga.

Febre, vómitos, diarreia grave, insolação, uso excessivo de diuréticos e exercícios extenuantes, podem levar à desidratação.

3. Gravidez

Durante o início da gravidez, ocorre uma diminuição da resistência vascular periférica, enquanto o volume plasmático aumenta ligeiramente. Este período é considerado normal, e a pressão arterial geralmente retorna ao seu nível pré-gravidez depois do nascimento.

4. Problemas cardíacos

Alguns problemas cardíacos que podem conduzir a uma pressão arterial baixa incluem frequência cardíaca extremamente baixa (bradicardia), problemas nas válvulas do coração, ataque cardíaco e insuficiência cardíaca.

Estes estados podem provocar pressão arterial baixa, porque impedem que o corpo seja capaz de fazer circular sangue suficiente.

5. Problemas endócrinos

quebra de tensao tiroide

As disfunções da tiroide, hipotiroidismo ou hipertiroidismo, podem provocar pressão arterial baixa. Além disso, outras condições, como insuficiência adrenal (doença de Addison), nível de açúcar no sangue baixo (hipoglicemia) e, em alguns casos, a diabetes, também provocam tensão arterial baixa.

6. Choque hipovolémico

O choque hipovolémico é uma perda de grande volume sanguíneo. Pode ocorrer devido a um ferimento grave ou hemorragia interna.

Um volume de sangue baixo provoca uma queda repentina na pressão sanguínea e uma redução na quantidade de oxigénio que chega aos seus tecidos. Se não for tratado, o choque hipovolémico grave pode provocar a morte em poucos minutos ou horas.

7. Choque séptico

Pode ocorrer uma septicemia quando uma infeção no organismo entra na corrente sanguínea. Estes estados podem levar a uma descida fatal na pressão arterial.

8. Reação alérgica grave (anafilaxia)

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal. As causas comuns de anafilaxia incluem alimentos, determinados medicamentos, venenos de insetos, entre outros.

9. Desnutrição e anemia

quebra de tensao anemia

A falta das vitaminas B12 e ácido fólico pode provocar anemia, um estado em que o corpo não produz glóbulos vermelhos em quantidade suficiente, provocando uma pressão arterial baixa.

10. Medicamentos

Alguns medicamentos de uso comum também podem provocar a pressão arterial baixa, incluindo:

  • Diuréticos;
  • Bloqueadores alfa e beta;
  • Medicamentos para a doença de Parkinson;
  • Determinados tipos de antidepressivos (antidepressivos tricíclicos);
  • O sildenafil (Viagra), particularmente em combinação com o medicamento para o coração, nitroglicerina.

11. Hipotensão pós-prandial

A hipotensão pós-prandial é uma descida súbita da pressão arterial depois de comer. Afeta, na sua maioria, adultos mais velhos.

Da mesma forma que a gravidade leva o sangue até aos pés quando se está de pé, uma grande quantidade de sangue flui para o aparelho digestivo depois de comer. Por norma, o organismo compensa este acontecimento com o aumento da frequência cardíaca, comprimindo determinados vasos para ajudar a manter a pressão arterial normal.

No entanto, estes mecanismos podem falhar, levando a desmaios, tonturas e quedas (4).

Diagnóstico de quebra de tensão


quebra de tensao analises ao sangue

Quando em consulta, o médico irá tentar perceber a causa da quebra de tensão, determinar o tratamento correto e a identificar qualquer problema cardíaco, cerebral ou do sistema nervoso.

O exame clínico e o levantamento da história do paciente são dados importantes para o diagnóstico da hipotensão. O seu médico pode recomendar um ou mais dos seguintes exames:

  • Análise da pressão sanguínea em consultório e, se necessário, uma monitorização em ambulatório da pressão arterial- MAPA;
  • Análises ao sangue: fornecem informações sobre a sua saúde geral, bem como do nível de açúcar no sangue, número de glóbulos vermelhos;
  • Eletrocardiograma (ECG): este teste não-invasivo, que pode ser realizado no consultório do seu médico, deteta irregularidades no seu ritmo cardíaco, anomalias estruturais no coração, e problemas com o fornecimento de sangue e oxigénio ao músculo cardíaco;
  • Ecocardiograma: este exame não invasivo, que inclui um ultra-som ao peito, mostra imagens detalhadas da estrutura e funcionamento do coração;
  • Prova de esforço: durante uma prova de esforço, vai praticar exercício, como caminhar numa passadeira rolante. Poderá ser dada medicação para fazer seu coração trabalhar mais se houver incapacidade de executar os exercícios. O coração será monitorado com um electrocardiograma ou ecocardiograma e a sua pressão arterial também será monitorizada.

 

Tratamento da quebra de tensão


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A pressão arterial baixa, que causa apenas sintomas leves, como breves episódios de tonturas ao levantar, raramente requer tratamento.

Se tiver sintomas frequentes, o melhor tratamento depende da causa subjacente. Quando a pressão arterial baixa é provocada por medicamentos, o tratamento geralmente envolve uma alteração da dose do medicamento ou a sua interrupção por completo.

Se tiver sintomas de quebra de tensão, algumas medidas podem ajudar, tais como:

  • Deitar-se e elevar as pernas acima da altura da cabeça;
  • Beber água ou sucos de frutas, em pequenos goles;
  • Manter a calma e controlar a respiração.

 

Quando deve consultar um médico?


quebra de tensao medico e paciente

Em muitos casos, uma quebra de tensão não é grave. Se tiver leituras da pressão arterial consistentemente baixas, mas sente-se bem, é provável que o médico o vá vigiar durante as consultas de rotina e indicar que procure atendimento, se houverem sintomas.

Ainda assim, é importante consultar o seu médico se sentir quaisquer sinais ou sintomas de hipotensão, porque às vezes estes podem indicar problemas mais graves.

Veja também:

Fontes

1. Fundação Portuguesa de Cardiologia. Disponível em:
http://www.fpcardiologia.pt/saude-do-coracao/factores-de-risco/hipertensao/
2. Sociedade Portuguesa de Hipertensão. Disponível em:
https://sphta.org.pt/files/sphta_64_2018_0304.pdf
3. Carvalho, Inês. (2015). Hipotensão Ortostática – Revisão da Literatura e Prevalência no Idoso. Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/36293/1/HIPOTENS%C3%83O%20ORTOST%C3%81TICA%20%20Revis%C3%A3o%20da%20Literatura%20e%20Preval%C3%AAncia%20no%20Idoso%2C%20FMUC%2C%202015%2C%20In%C3%AAs%20Isabel%20Branco%20de%20Carvalho.pdf
4. Muñoz, Rilva. (2013). Hipotensão Ortostática e Pós-Prandial na Prática Hospitalar: Prevalência e Fatores Associados em Enfermarias de Clínica Geral. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/259533739_Hipotensao_Ortostatica_e_Pos-Prandial_na_Pratica_Hospitalar_Prevalencia_e_Fatores_Associados_em_Enfermarias_de_Clinica_Geral
5. Nascimento, G.H. (2006). Hipotensão Arterial. Síncope. Conceito, Fisiopatologianco e Diagnóstico diferencial. Disponível em:
http://sociedades.cardiol.br/sc/profissional/acervo/palestras/20-09-2006/09-DrHelcioGarcia_hipotensaoarterial.pdf
6. Silva, G.V. (2017). Variabilidade da pressão arterial: mais uma peça do quebra-cabeça. Disponível em:
http://bjn.org.br/details/1932/pt-BR/variabilidade-da-pressao-arterial–mais-uma-peca-do-quebra-cabeca

Danielle Paiva Danielle Paiva

Licenciada em Medicina e Farmácia & Bioquímica pelo Centro Universitário de Nilton Lins, Danielle também é Mestre em Engenharia Industrial e Qualidade pela Universidade do Minho. Atualmente é voluntária na Cruz Vermelha onde desenvolve diversas ações de saúde.

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