Publicidade:

Aprenda a ter a glicemia sob controlo

Medir os níveis de glicemia com regularidade é fundamental para manter a diabetes sob controlo. Saiba como gerir os seus níveis de açúcar no sangue.

 
Aprenda a ter a glicemia sob controlo
Saiba como gerir os seus níveis de açúcar no sangue

glicemia diz respeito à concentração de glicose (açúcar) no sangue ou mais precisamente no plasma. Se é diabético e pretende saber se a sua doença está sob controlo é importante fazer a avaliação dos níveis de açúcar no sangue, geralmente através da picada no dedo.

diabetes é uma doença metabólica crónica que se caracteriza por estados de hiperglicemia (níveis elevados de açúcar no sangue) constantes, os quais resultam de uma deficiência na produção / secreção de insulina (hormona que atua na regulação da glicemia), de uma alteração na sua ação ou de ambas, resultando num metabolismo anormal dos macronutrientes ingeridos através da alimentação (1).

Neste contexto, é importante manter as glicemias o mais controladas possíveis e dentro dos valores de referência da diabetes, previamente estipulados.

Porquê avaliar a glicemia?


controlo da glicemia

Considerando o envelhecimento da população entre os 20 e os 79 anos, estima-se que em 2015 a prevalência da diabetes no território nacional tenha sido de 13,3%, sendo que cerca de 44% da população portuguesa ainda não estará diagnosticada (2). Outros estudos apontam para prevalências inferiores mas não menos preocupantes (3).

Relativamente às crianças, a taxa de prevalência é mais baixa que na dos adultos situando-se Portugal nos 0,9/1000 em 2015 sendo a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) de 1,2/1000 (4).

Embora em Portugal a mortalidade por esta causa tenha vindo a diminuir, a diabetes tem um contributo significativo nas causas de morte, sendo correntemente responsável por mais de 4% das mortes das mulheres e mais de 3% das mortes nos homens, ou seja, atualmente por ano morrem cerca de 2.200-2.500 mulheres e cerca de 1.600-1.900 homens por diabetes (5).

Esta doença pode provocar complicações crónicas em vários orgãos do organismo nomeadamente no pé, no rim e no olho (complicações microvasculares) assim como causar complicações macrovasculares, que podem conduzir ao enfarte agudo do miocárdio (EAM) e ao acidente vascular cerebral (AVC) (5).

1. Pé Diabético

As complicações do pé diabético, se não tratadas a tempo, podem evoluir para amputações minor (parte do pé) ou major (ao nível da coxa, perna ou tornozelo). No espaço temporal 2010-2016 verificou-se que o número de amputações dos membros inferiores tem vindo a diminuir, registando-se em 2016 o número mais baixo de amputações major e minor (5).

2. Doença Renal Crónica

A diabetes pode conduzir à insuficiência renal crónica uma grave complicação da diabetes que num estadio avançado pode levar à necessidade de substituição da função renal (diálise ou transplante renal).

Sendo uma importante complicação da diabetes, a monitorização da prevalência da diabetes nos doentes com Doença Renal Crónica demonstra que tem-se mantido mais ou menos constante desde 2011 (5).

3. Retinopatia Diabética

A retinopatia diabética é uma das principais complicações da diabetes e é uma das principais responsáveis de cegueira evitável nos adultos. No ano de 2016 elaborou-se o primeiro Relatório de Monitorização e Avaliação Rastreio de Retinopatia Diabética.

Dos dados apresentados pelo Programa Nacional para a Diabetes (PND) em conjunto com as Administrações Regionais de Saúde (ARS) referentes a 2016 apurou-se que o número de doentes com diabetes rastreados para a retinopatia diabética aumentou substancialmente, em cerca de 32% em relação ano anterior, tendo sido efetuados mais 38.045 rastreios (5).

4. Doença Macrovascular

A doença Macrovascular representa importante mortalidade e morbilidade no contexto da diabetes. O número de internamentos por AVC e EAM que, com algumas variações, tem tido uma tendência crescente nos últimos anos, embora sofrendo um decréscimo em 2016. Continua-se contudo a verificar que a mortalidade por EAM nas pessoas com diabetes é superior à da população não diabética (5).

Como forma de diminuir a morbilidade e mortalidade associadas à diabetes, a monitorização da glicemia permite uma avaliação individual da resposta à terapêutica, guiando os profissionais de saúde para uma personalização das prescrições e dando ferramentas ao paciente para gerir potenciais desregulações do açúcar do sangue.

Ao fazer esta avaliação, o paciente pode verificar o efeito que as refeições ou a atividade física têm nos seus níveis de açúcar no sangue. Interpretando os valores de glicemia, tentando perceber porque é que surgiu um valor mais alto ou mais baixo, para compreender melhor como funciona o seu organismo, e tirar algumas conclusões.

Vigie a sua glicemia em 4 passos


glicemia capilar

Aprender a gerir a glicemia e a diabetes pode ser uma tarefa complicada no início. Existem quatro passos que podem ajudar a controlar os seus níveis de glicose e reduzir o risco de complicações:

  1. Monitorize regularmente os seus níveis de glicemia para que possa dar resposta a quaisquer alterações. A melhor forma de saber se os seus valores estão controlados é através de testes de glicemia capilar diários, a vulgar picada no dedo, e várias vezes ao dia se for caso disso;
  2. Tome corretamente a medicação que o seu médico lhe prescreveu;
  3. Opte por uma alimentação mais saudável;
  4. Aumente a sua atividade física.

 

Quais as recomendações para os valores de glicemia na diabetes?


valores glicemia

A glicemia deverá ser avaliada não só em jejum mas também 1 a 2 horas após as refeições (6). Apresentar valores da glicemia fora do padrão normal – tanto acima (hiperglicemia) como abaixo (hipoglicemia) – acarreta graves consequências para a saúde, daí a importância do seu controlo.

Quando os valores estão abaixo de 70 mg/dL, fala-se de hipoglicemia ou “baixa de açúcar”, uma situação que pode ser perigosa e é de evitar. Por sua vez, um valor igual ou superior a 200 mg/dL é considerado demasiado elevado, correspondendo àquilo a que se chama hiperglicemia.

Valores de referência em jejum:

  • inferior 70 mg/dl: hipoglicemia
  • 80 mg/dl a 100 mg/dl: normal
  • 100 mg/dl a 125 mg/dl: pré-diabetes
  • superior 126 mg/dl: diabetes

Valores de referência 2 horas após a refeição:

  • inferior 70 mg/dl: hipoglicemia
  • 70 mg/dl a 140 mg/dl: normal
  • 140 mg/dl a 199 mg/dl: pré-diabetes
  • superior 200 mg/dl: diabetes

 

Com que regularidade deve fazer a picada no dedo?


glicemia medica e paciente diabetes

Fazer um teste diariamente em jejum ou de vez em quando, pode não ser suficiente para vigiar o controlo da diabetes. Após 8 ou 9 horas de jejum noturno as glicemias estão de certeza muito diferentes do que estarão 2 horas após uma refeição, por isso o paciente ficará com uma ideia mais completa se vigiar a glicemia noutras alturas do dia.

A frequência com que devem ser feitas as pesquisas de glicemia deve ser adaptada ao tipo de diabetes, à terapêutica, à idade e às capacidades da pessoa, mas também pode variar com as alterações no estilo de vida – fatores relacionados com a alimentação, atividade física ou até horários de trabalho. Por isso é importante cada pessoa informar-se com a equipa de saúde quais os seus objetivos específicos relativamente aos valores de glicemia e combinar qual a frequência com que poderá fazer os testes.

Geralmente, os diabéticos insulinodependentes com dificuldade em controlar os níveis de glicose devem fazer medições diárias da glicemia, de forma a adaptar a dose de insulina ao longo do dia. No entanto, as pessoas que controlam a diabetes com medicação oral ou dieta podem não precisar de fazer esta medição diariamente.

Fale com o seu médico sobre o intervalo de valores de glicemia mais adequado para si e com que frequência deverá fazer as medições.

Hipoglicemia: o que fazer?


glicemia mulher a beber sumo de fruta

A hipoglicemia é um fator limitante major no controlo glicémico dos diabéticos tipo 1 e 2. Os sintomas incluem tremores, irribabilidade, confusão, taquyicardia e fome. Constitui um sintoma inconveniente e assustador para os doentes diabéticos, podendo inclusive ser mais perigoso que um episódio de hiperglicemia.

O tratamento recomendado para pacientes conscientes consiste na ingestão de 15 a 20 gramas de hidratos de carbono de absorção rápida – sob a forma de glicose pura, sumos de fruta ou rebuçados – nos casos de hipoglicemia de grau I (glicose plasmática > 70 mg/dL e ≤ 54 mg/dL). Nas hipoglicemias grau II (< 54 mg//dL) a ingestão de hidratos de carbono de rápida absorção deverá ser entre 30 e 40 g.

Estas práticas deverão ser repetidas a cada 15 minutos até a glicemia estar acima de 70 mg/dL. Não deverá ser ingerida nenhuma refeição até atingido o valor descrito anterior devido à interação da glicose com os diferentes nutrientes (proteínas, gorduras e fibras), podendo resultar num prolongar da hipoglicemia (6,7).

Conclusão


O conhecimento dos valores de referência da diabetes é de extrema importância para a auto-monitorização da doença, sendo esta da responsabilidade do doente e é a chave para evitar complicações cardiovasculares, renais e neurológicas.

Se sofre desta doença (ou está a ponto de) consulte o seu médico e nutricionista, de forma a obter o tratamento mais personalizado possível.

Veja também:

Fontes

1. Diabetes. (n.d). Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Disponível em:  
https://www.dgs.pt/portal-da-estatistica-da-saude/diretorio-de-informacao/diretorio-de-informacao/por-serie-1111302-pdf.aspx?v=11736b14-73e6-4b34-a8e8-d22502108547 
2. Gardete-Correia, L. et al. (2010). First diabetes prevalence study in Portugal: PREVADIAB study. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20653744 

3. INSA. (2016). Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF – 2015): Estado de Saúde. Disponível em:
http://repositorio.insa.pt/bitstream/10400.18/4115/3/1_INSEF_relat%C3%B3rio_estado-de-saude.pdf 

4. OECD. (2017). Health at a Glance 2017: OECD Indicators. Disponível em 
http://dx.doi. org/10.1787/health_glance-2017-en 
5. DGS. (2017). Programa nacional para diabetes. Disponível em: 
https://www.dgs.pt/portal-da-estatistica-da-saude/diretorio-de-informacao/diretorio-de-informacao/por-serie-894111-pdf.aspx?v=11736b14-73e6-4b34-a8e8-d22502108547 
6. ADA. (2019). Standards of medical care in diabetes. Disponível em:
https://care.diabetesjournals.org/content/42/Supplement_1/S61 
7. Funnell, M. (2014). Managing hypoglycemia. Disponível em: 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24531589 

Nutricionista Hugo Canelas Nutricionista Hugo Canelas

Hugo Canelas é nutricionista (CP 1389N), licenciado em Ciências da Nutrição pela Escola Superior de Biotecnologia e mestre em Nutrição Clínica pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. É professor assistente convidado da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Brangança desde 2018 e Nutritional Consultant do projeto de perda de peso “360em63”.

O Vida Ativa disponibiliza e atualiza informação, não presta serviços de aconselhamento nutricional, de saúde ou de treino. O Vida Ativa não é proprietário nem responsável pelos produtos e serviços de terceiros apresentados, por conseguinte não será responsável por quaisquer perdas ou danos que possam resultar de quaisquer imprecisões ou omissões. A informação está atualizada até à data apresentada na página e é prestada de forma geral, tratando-se de textos meramente informativos, pelo que não constitui nem dispensa a assistência profissional qualificada e individualizada. Caso pretenda sugerir uma atualização, por favor, envie-nos a sua sugestão para: [email protected].