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Dor testicular: causas e tratamentos

A dor testicular pode estar associada à torção do testículo, a infeções ou a traumas. Se a sente, consulte de imediato o seu médico.

 
Dor testicular: causas e tratamentos
A dor testicular pode indicar que precisa de cirurgia

A dor testicular pode apresentar-se de várias formas, desde uma dor leve até uma dor muito forte. As análises de sangue podem apresentar valores normais ou leucogramas com infeção grave, razão pela qual é necessário que o diagnóstico seja rápido e preciso.

Os testículos são as gónadas sexuais masculinas: produzem espermatozoides (as células responsáveis pela fecundação) e hormonas sexuais masculinas (testosterona), que controlam o desenvolvimento de características masculinas, tais como o crescimento dos órgãos sexuais, pelos, barba, desenvolvimento muscular e dos ossos e aparecimento de voz grave (1).

Sinais e sintomas da dor testicular


dor testicular

Por norma, os sintomas são os seguintes:

  • Dor testicular súbita;
  • Edema e vermelhidão no testículo;
  • Náuseas e vómitos;
  • História anterior de crises semelhantes;
  • Dor menos severa e localizada (“blue-dot”);
  • Torção de apêndices testiculares;
  • Sintomas urinários ou malformações genitourinárias;
  • Parotidite epidêmica ( Papeira);
  • Orquiepididimite / Epididimite ( Inflamação nos testículos e epidídimo).

 

Fatores que podem precipitar uma dor testicular


A dor testicular pode ser provocada por:

  • Trauma;
  • Esforço físico;
  • Frio;
  • Adolescência;
  • Prática sexual, que pode precipitar uma torção.

 

Causas mais comuns de dor testicular


dor testicular

As dores testiculares podem surgir por um trauma, uma torção ou uma infeção (12):

Torção testicular/ torção de cordão espermático

A torção testicular ocorre quando um testículo gira em torno do seu cordão espermático. Qualquer quadro de dor testicular aguada, até que se prove o contrário, deve ser considerado como torção do cordão espermático.

As torções podem ser extravaginais ou intravaginais ( de acordo com a região anatómica que for atingida) e representam um terço dos casos de dor testicular aguda. A torção extravaginal acomete recém-nascidos nos primeiros dias de vida, na fase final da fixação dos testículos. A torção intravaginal é a mais comum, ocorre em crianças maiores e adultos, e seu pico manifesta-se na puberdade.

Torção do apêndice testicular

Os apêndices testiculares também podem ser causa de dor testicular aguda, simulando um quadro de torção testicular. Pode haver um bloqueio da circulação sanguínea, o que ira causar muita dor. A ultrassonografia é fundamental no diagnóstico, no caso de torção do apêndice testicular, este aparecerá muito aumentado.

Epididimite

A causa mais comum de dor testicular aguda em homens é a epididimite, cuja idade de pico de incidência é entre quinta e sexta décadas de vida. A dor é inicialmente insidiosa e aumenta após 24 a 48 horas.

Resulta de infeção do trato urinário inferior, sendo o agente etiológico mais comum a Escherichia coli. Nos homens jovens, da segunda à quarta década de vida, a epididimite costuma ser uma doença sexualmente adquirida, o que faz com que agentes causadores de doença como: Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae ganhem importância epidemiológica como causas principais. Na infância, está associada a parotidite ( papeira).

Trauma

Outra causa bastante frequente de dor testicular aguda são os traumas. A história do trauma geralmente basta para o diagnóstico, mas a ultrassonografia tem papel central na avaliação de possível ruptura testicular. Deve ser indicada sempre que haja trauma no testículo, para que se possa ver as regiões atingidas e se há necessidade de cirurgia.

Trombose do plexo pampiniforme

Trombose espontânea do plexo pampiniforme é rara e de difícil diagnóstico, com quadro clínico semelhante a outras causas de dor testicular. Geralmente associa-se com esforço físico intenso, que leva a aumento na pressão intra-abdominal e redução do retorno venoso.

Outras infeções

Ainda no espectro de infecções da região inguinal e do testículo, podemos ter as celulites, nas quais o processo se limita ao subcutâneo. Em alguns casos, pode haver formação de abscessos, que representam coleções purulentas.

Tumor testicular

O tumor testicular habitualmente manifesta-se como uma massa não dolorosa, apresentando vermelhidão e aumento de tamanho.

Diagnóstico da dor testicular


dor testicular

A história clínica do doente e o exame físico são o mais importante para que se possa definir as causas da dor. Exames complementares podem ser necessários, como o exame de urina, a cultura da urina e a ultrassonografia das vias urinárias, que pode ser feita com Doppler, para verificar o fluxo do sangue na zona.

Quando deve procurar o médico?


A dor testicular é motivo para uma ida imediata ao Serviço de Urgência mais próximo. Só um médico pode excluir ou tratar esta situação.

O diagnóstico correto é fundamental para que se possa diferenciar as condições mais graves, que precisam de uma intervenção imediata, daquelas menos graves.

A rapidez e precisão no diagnóstico podem evitar, por exemplo, que uma torção testicular progrida para lesão permanente e atrofia subsequente (2).

Como tratar a dor testicular?


O tratamento será feito de acordo com a causa da dor, usualmente é feita a elevação da bolsa escrotal, uso de antibióticos e anti-inflamatórios. Se houver dúvida quanto a causa da dor, a cirurgia deve ser imediata.

A torção testicular é uma emergência cirúrgica e necessita de avaliação imediata. Pode destruir o testículo se não for tratada a tempo. A exploração cirúrgica é obrigatória e deve ser imediata, em todos os casos de torção testicular e também naqueles em que há dúvidas no diagnóstico.

Se o cirurgião determinar que o testículo é viável, o cordão será destorcido e o testículo será fixado de forma a impedir que volte a torcer. Se for demonstrado que não há viabilidade, o testículo será removido e, durante a cirurgia, o outro testículo será fixado para impedir torção desse lado (2).

Veja também:

Fontes

1. Acta Urológica Portuguesa. 2015. Disponível em https://repositorio.hff.minsaude.pt/bitstream/10400.10/1642/1/Acta%20Urol%C3%B3gica%20Portuguesa.%202015%2C%2032%283%29%20127-131.pdf
2. Associação Médica Brasileira. Escroto Agudo: Diagnóstico e Tratamento. Disponível em https://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/escroto-agudo-diagnostico-e-tratamento.pdf

Danielle Paiva Danielle Paiva

Licenciada em Medicina e Farmácia & Bioquímica pelo Centro Universitário de Nilton Lins, Danielle também é Mestre em Engenharia Industrial e Qualidade pela Universidade do Minho. Atualmente é voluntária na Cruz Vermelha onde desenvolve diversas ações de saúde.

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