Doença mão, pé e boca: ataca muitas crianças em idade pré-escolar

Uma das doenças que mais acomete as crianças que frequentam as creches e infantários/berçários, é a doença mão, pé e boca, devido a ser altamente contagiosa.

Doença mão, pé e boca: ataca muitas crianças em idade pré-escolar
Desmistifique esta doença.

A doença mão, pé e boca é uma infeção viral, altamente contagiosa, mais frequente em crianças em idade pré-escolar (menos de 6 anos) no entanto, eventualmente pode ocorrer em qualquer idade, inclusive na idade adulta.

É essencialmente caracterizada por pequenas úlceras (feridas) na cavidade oral e bolhas nas palmas das mãos e nas solas dos pés, que desaparecem espontaneamente após alguns dias, sem sequelas.

Doença mão, pé e boca: transmissão


doenca mao pe e boca

Esta doença pode ser causada pelos vírus Coxsackievirus, Echovirus e Enterovírus 71, sendo este último o mais perigoso, pois pode complicar com casos de encefalite, meningite ou miocardite (inflamação do músculo cardíaco).

Estes vírus podem ser transmitidos por contato com secreções das vias respiratórias (através da tosse, espirros ou saliva), secreções das feridas das mãos ou dos pés, pelo contato com fezes dos pacientes infetados, e pelo contato com água, alimentos ou objetos contaminados.

Por isso, é extremamente importante lavar os alimentos antes do consumo, trocar a fralda do bebé com luvas e depois lavar as mãos, bem como, lavar bem as mãos após usar o WC.

Geralmente, a fase de maior contágio da doença mão, pé e boca é durante a primeira semana de doença (especialmente devido à ulceração das vesículas). Porém, o paciente pode continuar a eliminar o vírus nas fezes, o que o mantém contagioso durante dias ou até semanas depois dos sintomas terem desaparecidos.

Doença mão, pé e boca: sintomas


febre alta

Geralmente, os sintomas da doença mão, pé e boca surgem após 3 a 7 dias da infeção pelo vírus e incluem:

  • Febre superior a 38ºC;
  • Odinofagias (dor de garganta);
  • Diminuição do apetite;
  • Aftas dolorosas na boca, sobretudo nas bochechas, gengivas e região interna dos lábios;
  • Dificuldade em engolir;
  • Hipersalivação;
  • Recusa alimentar, podendo ocorrer desidratação pela recusa da ingestão de líquidos;
  • Bolhas (vesiculas) nas palmas das mãos, solas dos pés e menos frequentemente nos joelhos, cotovelos, nádegas e genitais. Estas vesiculas podem romper e deitar um líquido altamente contagioso;
  • Vómitos;
  • Diarreia;
  • Cefaleias (dor de cabeça).

 

Doença mão, pé e boca: diagnóstico


exame biologico menina

Geralmente, devido às lesões caraterísticas desta doença, não é difícil fazer o diagnóstico, que deve ser feito ou por um pediatra ou por um médico de medicina geral e familiar.

No entanto, em casos atípicos onde a sintomatologia é dúbia, pode ser necessário recorrer a exames laboratoriais complementares, tais como, exame às fezes ou secreções da garganta ou das lesões de pele.

Doença mão, pé e boca: tratamento


xarope

Esta doença não tem um tratamento específico, mas o pediatra ou clínico geral pode recomendar medidas para controlo dos sintomas, tais como:

  • Vigilância e controlo da febre e administração de medicamentos antipiréticos (diminuem a temperatura corporal) e anti-inflamatórios se necessário;
  • Medicamentos para o prurido (comichão) como os anti-histamínicos;
  • Pomada/gel para as aftas;
  • Reforçar a hidratação oral, em pequenas quantidades, várias vezes ao dia;
  • Alimentação mole/pastosa, à temperatura ambiente ou fria. Bochechar previamente com um liquido/spray anestésico (exemplo a lidocaína) pode favorecer a ingestão dos alimentos;
  • Evite oferecer alimentos e bebidas ácidos que agravam a dor na boca.

 

Doença mão, pé e boca: prevenção


lavar as maos

A prevenção desta doença passa por:

  • O tratamento dura cerca de 7 dias, pelo que é extremamente importante que a criança não vá à escola ou à creche, ou o adulto não vá ao trabalho, durante este período para não contaminar outras pessoas;
  • Deve evitar a partilha de alimentos ou objetos (tais como, chupetas, biberões, talheres, entre outros) entre crianças;
  • Os adultos devem lavar muito bem as mãos após realizar os cuidados ao bebé (principalmente após a muda da fralda), bem como fazer uma limpeza e desinfeção dos brinquedos e áreas comuns (por exemplo, sanitas), várias vezes ao dia;
  • Deve ensinar e supervisionar as crianças a fazerem uma correta lavagem das mãos, sempre após utilizarem o WC e antes de ingerirem alimentos;
  • Abra as janelas com frequência para favorecer uma boa ventilação no interior da casa ou outros espaços frequentados pela criança;
  • A preparação dos alimentos deve ser cuidada e os alimentos devem ser muito bem cozinhados.

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.