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Chás na gravidez: quais deve preferir e quais deve evitar

O consumo de chás na gravidez é frequente devido ao seu papel no controlo de náuseas e vómitos. Mas tenha em atenção que nem todos são bem-vindos.

 
Chás na gravidez: quais deve preferir e quais deve evitar
Conheça os melhores e piores chás para tomar neste período

A par do uso indiscriminado de ervas medicinais para prevenção ou tratamento de doenças, também o uso de chás na gravidez tem crescido grandemente, mesmo quando as suas ações terapêuticas são questionáveis do ponto de vista científico.

Esta situação é particularmente alarmante devido à falta de informação acerca da composição e forma de uso destes produtos, podem colocar em risco a vida das crianças por nascer.

Neste artigo alertamos para alguns dos riscos do consumo indiscriminado de chás durante a gravidez, elucidando quais os que podem ser consumidos e quais os que podem apresentar riscos para a gravidez.

Consumo de chás na gravidez: porquê?


Chás na gravidez

Cerca de 65 a 80% da população mundial, especialmente nos países em desenvolvimento, faz uso de ervas medicinais para tratamento de doenças (1). Este uso indiscriminado está ligado não só à escassez de tratamento médico convencional ocidental nestes países, mas também à crença de que estes produtos são seguros para a saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as ervas medicinais são definidas como quaisquer produtos à base de ervas, matérias vegetais ou preparações cujos ingredientes ativos sejam compostos de origem vegetal, outros materiais ou combinações dos dois (23).

De acordo com um estudo realizado na Nigéria, onde o consumo de ervas medicinais para fins de promoção da saúde feminina é bastante comum, as razões que explicam este fenómeno são bastante diversas sendo a mais frequentemente citada a crença de que a sua eficácia é superior à dos fármacos (4).

Num estudo multinacional que incluía mulheres de 18 países, concluiu-se que a escolha de suplementos e ervas medicinais durante a gravidez se prendia com a crença de que eram mais seguros que os fármacos tradicionais, sendo estes últimos considerados potencialmente tóxicos para os organismos vivos, incluindo humanos (2).

Um outro estudo, realizado no Canadá com 27 mulheres, reportou que estas se sentiam mais seguras com a toma de ervas medicinais do que com a toma de fármacos, alegando serem “mais naturais”, “mais simples”, “mais brandos” e “causarem menos efeitos secundários” do que a farmacoterapia convencional.

De notar que quase 70% do aconselhamento para a toma destes produtos não vinha de profissionais de saúde (56).

Restrições ao uso de ervas medicinais em grávidas


Chás na gravidez

O uso indiscriminado de chás na gravidez, em associação à terapêutica convencional, pode levar a alteração do metabolismo e potencial tóxico de vários fármacos (1). Devido aos efeitos secundários graves, a maior parte das plantas medicinais são pouco estudadas, sendo muitas vezes percebidas como inofensivas pela população geral.

Para além disso, são atribuídos vários efeitos terapêuticos às plantas medicinais, a maior parte das vezes observados em células in vitro ou modelos animais e não em humanos, tornando-os bastante apelativos ao consumo indiscriminado. Na verdade, há relatos de casos de insuficiência renal e hepática bem como alterações neurológicas associadas à toma de suplementos ou chás de ervas (1).

Potencial teratogénico das ervas medicinais


Um agente teratogénico é substância, organismo, agente físico ou químico ou carência nutricional, presente durante o desenvolvimento embrionário e fetal que produz alterações na estrutura ou função da criança (1).

Independentemente da quantidade de informação obtida em ensaios pré-clinicos, a avaliação do potencial lesivo para rins, fígado, sistema nervoso central em adultos e teratogénico para os fetos continua bastante escasso.

As ervas medicinais são usadas para tratar alguns dos sintomas comuns da gravidez, sendo que algumas apresentam segurança comprovada.

Por exemplo, a tilândsia tem efeito na melhoria da qualidade de sono; a camomila pode ser útil como um agente anti-inflamatório, antiemético e promotor do tónus uterino; a hortelã-pimenta e o gengibre são usados em casos de azia ou indigestão e para melhorar os enjoos matinais; e a equinácea pode apresentar benefícios no tratamento de constipações (1).

No entanto, os ensaios clínicos que avaliam a segurança da exposição materna e do feto às ervas medicinais são frequentemente inconclusivos devido ao desenho dos estudos e às questões éticas inerentes, entre outros fatores. De seguida são apresentadas apenas os chás seguros e não seguros para consumo por grávidas e lactentes cujos resultados tenham sido obtidos através de estudos em humanos.

Chás na gravidez: os mais seguros


Chás na gravidez: chá de gengibre

1. Chá de gengibre

O chá de gengibre é um dos mais utilizados por grávidas em países ocidentais uma vez que ajuda no controlo das náuseas e vómitos associados à gravidez. Os estudos clínicos revelam que este chá é seguro para consumo por grávidas e lactentes (78).

2. Chá de hipericão

O chá de hipericão – ou erva de São-João – é usado para tratamento de sintomas depressivos minor em grávidas e lactentes, com relativa segurança. No entanto, prevê-se uma revisão da prescrição no caso de haver toma associada de fármacos anti-depressivos, podendo haver risco de interação fármaco-nutriente (79).

3. Chá de marmelo

Um estudo mostra que o marmelo é significativamente eficaz no controlo dos sintomas de náuseas e vómitos em grávidas, sendo o consumo de chá de marmelo seguro para grávidas e lactentes (10).

4. Chá de camomila

O chá de camomila é frequentemente recomendado para o tratamento da insónia, ansiedade, náuseas e problemas digestivos em grávidas (10). Embora seja seguro para o consumo por grávidas, quando em doses elevadas, o chá de camomila funciona como estimulante uterino e pode estar associado a malformações cardíacas no feto (712).

5. Chá de hortelã-pimenta

A par do gengibre, o chá de hortelã-pimenta é o mais utilizado durante a gravidez. Os pressupostos para a sua utilização incluem o tratamento da azia, retenção de líquidos e inchaço abdominal, bem como controlo de náuseas e vómitos.

Outras utilizações envolvem o tratamento de tosse e gripes, havendo ainda relatos de propriedades relaxantes. O seu consumo não está associado a efeitos negativos para a mãe ou para o feto. No entanto, o consumo exagerado pode promover a menstruação pelo que é desaconselhado (12).

6. Chá verde

Paradoxalmente utilizado na medicina alternativa devido às suas propriedades sedativas, o chá verde pode ser consumido por grávidas em quantidades moderadas devido ao seu teor relativamente elevado de cafeina, um agente que está diretamente relacionado com pesos inferiores ao nascimento (12).

Chás na gravidez: os desaconselhados


Chás na gravidez: chá de alcaçuz

Alguns chás não são seguros para beber durante a gravidez pelos seus constituintes que podem interferir com o bem-estar da mulher e do feto. Alguns exemplos de chás a evitar na gravidez são o chá de alcaçuz e o chá de sálvia.

1. Chá de alcaçuz

O consumo de alcaçuz, mais propriamente de glicirrizina (o composto que lhe dá o sabor adocicado), está associado a gestações mais curtas. A origem deste efeito é ainda desconhecida mas pensa-se estar associado à estimulação da produção de ocitocina, a hormona responsável pela contração uterina em mamíferos.

O consumo de chá de alcaçuz – ou alcaçuz em qualquer forma – por grávidas é, por isso, desaconselhado (11).

2. Chá de sálvia

De forma semelhante ao chá de alcaçuz, o chá de sálvia contem tujona – um composto também encontrado no absinto – que parece estimular a libertação de ocitocina, podendo estar associado a casos de crianças pré-termo e abortos.

Embora possa ser útil durante o parto, uma vez que ajuda a intensificar as contrações e facilita a progressão do bebé pelo canal uterino, o seu consumo durante a gravidez não é aconselhado (12).

Uma vez que as plantas medicinais não são reguladas pela Food and Drug Administration (FDA), não apresentam o mesmo nível de controlo que os fármacos. A par deste problema, a literatura existente em relação aos riscos do consumo de chás por grávidas é ainda bastante limitada, havendo poucos estudos em humanos.

Embora os chás identificados apresentem efeitos negativos comprovados na gravidez humana, também os seguros devem ser utilizados com cautela, com supervisão médica. Antes de iniciar a toma de algum dos chás acima mencionados, consulte-se com o seu médico ou nutricionista.

Veja também:

Nutricionista Hugo Canelas Nutricionista Hugo Canelas

Hugo Canelas é nutricionista (CP 1389N), licenciado em Ciências da Nutrição pela Escola Superior de Biotecnologia e mestre em Nutrição Clínica pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. É professor assistente convidado da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Brangança desde 2018 e Nutritional Consultant do projeto de perda de peso “360em63”.

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