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Evidência sobre a suplementação com 5-HTP na saúde

O 5-HTP é um percursor da serotonina e tem sido associado a melhorias em diversos aspetos da saúde. Porém, a evidência científica é limitada.

 
Evidência sobre a suplementação com 5-HTP na saúde
Aminoácido extraído de uma planta africana que ajuda na melhoria da atividade cerebral

Os níveis inadequados de serotonina no cérebro têm vindo a ser associados a vários estados de doença, surgindo o 5-HTP como um nutriente que pode, teoricamente, aumentar os níveis de serotonina para os valores desejados (1). No entanto, a evidência científica sobre a eficácia do 5-HTP na saúde é limitada.

O que é o 5-HTP?


Mulher a tomar commprimido de 5-HTP

O 5-hidroxitriptofano (5-HTP) é uma substância sintetizada pelo organismo a partir do aminoácido triptofano, sendo o percursor imediato da serotonina, considerada a “hormona da felicidade”.

Poderá ainda ser encontrado sob a forma de suplementos alimentares obtidos através do extrato de uma planta, Griffonia simplicifolia.

5-HTP e Serotonina


5-HTP

A serotonina é uma amina que funciona como neurotransmissor no sistema nervoso central e modela funções importantes como, por exemplo, a regulação dos comportamentos emocionais, dos cognitivos, da agressividade, da memória e da aprendizagem (2).

O 5-HTP é utilizado pelo organismo, em substituição do triptofano, para o aumento da síntese de serotonina no cérebro, uma vez que o triptofano poderá ser desviado para outros processos metabólicos, como a produção de proteínas.

Assim, o 5-HTP tem como único destino a síntese de serotonina no cérebro, uma vez que consegue atravessar sem dificuldade a barreira hematoencefálica (2, 3). Os níveis de serotonina no cérebro estão, portanto, relacionados com os níveis de 5-HTP (2).

Algumas características da personalidade têm vindo a ser associadas com alterações na função da serotonina, tais como a depressão, ansiedade, agressividade e défice de atenção (2).

5-HTP: efeitos no organismo


5-HTP

Este suplemento alimentar apresenta um grande número de seguidores que defendem reivindicações exageradas e imprecisas relacionadas com a sua eficácia no tratamento da depressão e de outras doenças relacionadas com a serotonina. No entanto, estas reivindicações não são suportadas pela ciência (1).

1. Na depressão

A literatura descreve que deficiências do aminácido triptofano, precursor do 5-HTP, estão relacionadas com a depressão, uma vez que se encontra carências em pessoas deprimidas (4).

Assim, o 5-HTP tem sido indicado há alguns anos como um possível tratamento para a depressão. No entanto, quando comparado com o efeito de um placebo, não existem diferenças significativas (1).

A administração isolada de 5-HTP é contraindicada para a depressão devido à sua capacidade de facilitar a depleção de outros neurotransmissores, como a epinefrina (adrenalina), a norepinefrina (noradrenalina) e a dopamina.

Estes neurotransmissores atuam no controlo da função cardíaca, da força de contração, na resistência dos vasos sanguíneos e nos brônquios, na libertação de insulina e no catabolismo da gordura. Além disso, a depleção de dopamina e noradrenalina pode exacerbar o problema de saúde existente (1).

2. Na saciedade

Alguns estudos referem que o 5-HTP pode aumentar a saciedade, embora o resultado final seja a diminuição da ingestão de alimentos em indivíduos com excesso de peso ou obesidade (4).

O sistema serotoninérgico (relacionado com a serotonina) desempenha um papel importante na ingestão de macronutrientes, especialmente em pessoas obesas com especial enfâse nos hidratos de carbono. O aumento dos níveis de serotonina reduz o desejo por hidratos de carbono (4).

Assim, alguns estudos referem que a suplementação com 5-HTP causa uma redução seletiva no desejo por hidratos de carbono. No entanto, esta conclusão carece de robustez científica.

5-HTP: dosagem e toxicidade


comprimidos de 5-HTP

A entidade europeia para a segurança dos alimentos (EFSA) deu parecer negativo sobre as alegações de saúde para a toma desta substância, nomeadamente no que diz respeito ao aumento da atenção, melhoria do humor e aumento da saciedade e diminuição do apetite (2).

Pelo que, os suplementos alimentares não devem ter teores de 5-HTP superiores a 25 mg por dose, e a toma diária recomendada não deve exceder os 50 mg por dia (2), uma vez que não foi associada toxicidade a esta dosagem (4).

A toma de suplementos alimentares de 5-HTPcom dosagens médias de 300 mg por dia não foram associadas a efeitos colaterais em humanos (4).

O consumo excessivo e superior ao recomendado, de 5-HTP ou de triptofano, sob a forma de suplemento alimentar, pode originar uma doença que provoca o espessamento da pele (síndrome de esclerodermia) ou o aumento de um tipo de células no sangue (eosinófilos), acompanhado por dores musculares.

O aumento destas células leva ao aumento da fadiga, inflamação, dor nas articulações, tosse, falta de ar, erupções e anomalias neurológicas, com uma durabilidade que pode ir de semanas até alguns meses, podendo causar lesões neurológicas permanentes (2).

Em suma, a evidência científica atual não sustenta o uso de 5-HTP sobre a forma de suplementação com alegações de saúde. A toma deste suplemento não deverá ser realizada de forma isolada, uma vez que poderá agravar estados de saúde, como a depressão. A toma deste composto deverá ser prescrita sob controlo médico.

Veja também:

Fontes

1. Hinz, Marty et al. (2012). “5-HTP efficacy and contraindications”. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3415362/
2. Infarmed. (2017). “Definição de fronteiras entre medicamentos e suplementos alimentares. Parecer 5-hidroxitriptofano”. Disponível em: https://www.infarmed.pt/documents/15786/1923858/5-HTP_vf.pdf/6915d1bf-3039-42ef-a400-a22cbb376420
3. Birdsallm TC. (1998). “5-Hydroxytryptophan: a clinically-effective serotonin precursor”. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9727088
4. Examine. (2019). “5-HTP. Disponível em: https://examine.com/supplements/5-htp/

Nutricionista Luís Cristino Nutricionista Luís Cristino

Luís Cristino (CP. 3994N), é nutricionista licenciado em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2018. Atualmente exerce funções nas áreas da nutrição clínica e da otimização da performance desportiva.

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