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A importância da Vitamina D3 no organismo

A suplementação em vitamina D3 é comum na população portuguesa. Qual será o papel que esta vitamina desempenha e quais as consequências do seu défice?

 
A importância da Vitamina D3 no organismo
Fique a saber o papel e a importância desta vitamina

A deficiência em vitamina D é amplamente diagnosticada na Europa e nos Estados Unidos da América. Segundo o estudo “A carência de vitamina D em Portugal”, mais de 20% da população adulta apresenta níveis desta vitamina muito abaixo do desejável.

A vitamina D3 (colecalciferol) é uma forma de vitamina D solúvel em gordura, sendo um nutriente essencial para a ser humano.

A suplementação em vitamina D está associada a benefícios para a saúde, incluindo a saúde imunológica e a saúde óssea. Pode ainda reduzir os riscos de desenvolver cancro, doenças cardíacas e diabetes. Devido a estes benefícios, a sua suplementação tem vindo a ser incentivada pelos profissionais de saúde de forma a otimizar os níveis séricos.

Função da Vitamina D3


Mulher a tomar vitamina D3

A principal função da vitamina D sob a forma ativa (1,25(OH)2D) é manter o equilíbrio do cálcio e do fósforo, juntamente com a hormona paratiroide (PTH) e o fator de crescimento fibroblastico 23 (FGF-23). Isto é, caso o valor sérico de cálcio diminua para valores abaixo do normal, ocorre um conjunto de reações mediadas pela vitamina D de forma a restaurar e manter os valores normais de cálcio necessários para o perfeito funcionamento celular e dos tecidos (1).

Os principais tecidos em que a vitamina D3 desempenha funções são o intestino, os rins e o osso. Sendo que (1):

  • No intestino: controla a absorção intestinal de cálcio e fósforo;
  • Nos rins: participa na estimulação da reabsorção de cálcio;
  • No osso: aumenta a libertação de fósforo e cálcio para a manutenção dos valores séricos normais.

 

Consequências do défice de Vitamina D3


A deficiência de vitamina D manifesta-se com uma mineralização inadequada do osso em crescimento em crianças, raquitismo, e no enfraquecimento e desmineralização óssea em adultos, osteomalacia. Estas condições são consequência da ingestão ou absorção insuficiente de cálcio e fósforo da dieta, levando a um aumento da PTH (hiperparatiroidismo) para a manutenção dos níveis séricos destes minerais. (1)

Em idosos, a osteomalacia, acompanhada do enfraquecimento muscular, pode contribuir para uma diminuição do desempenho físico, aumentando o risco de quedas e de quedas com maior risco de fratura.

Por outro lado, a insuficiência de vitamina D3 foi associada ao aumento da incidência de cancro do cólon, da mama e da próstata, doenças cardiovasculares, esclerose múltipla e artrite reumatoide (2).

Consequências do Excesso


A concentração sérica elevada de vitamina D pode levar ao aumento da concentração de cálcio no sangue, que por usa vez pode originar a calcificação de tecidos moles levando consequentemente a danos renais e cardiovasculares (1).

Fontes de Vitamina D3


Fontes de vitamina D3

A principal fonte de vitamina D3 é a exposição solar. No entanto, também podemos encontrar este nutriente em peixe gordo, óleo de peixe e ovos, ou ainda em alimentos fortificados, como os produtos lácteos (por exemplo o leite e a manteiga), as margarinas, os cereais de pequeno-almoço e o pão.

O peixe gordo e o fígado de peixe são os alimentos com maior conteúdo natural de Vitamina D, devido à acumulação na cadeia alimentar. A gema de ovo também apresenta valores consideráveis de vitamina D3 devido ao alto teor desta vitamina nas rações das galinhas.

Produção cutânea de Vitamina D3

O organismo humano tem a capacidade de produzir vitamina D a partir do colesterol na presença de exposição à irradiação ultravioleta B (UV-B) quando o índice ultravioleta (UV) é igual ou superior a 3 (3).

A estação do ano e o estado meteorológico, como a escuridão e as nuvens, contribuem para a diminuição dos raios UV e consequente síntese de vitamina D (4, 5). O mesmo acontece com a combinação da latitude e da estação do ano.

Outro fator que influência a síntese de vitamina D é a raça a que o indivíduo pertence, quanto mais escura for a pele maior a probabilidade de desenvolver défice quando comparado com indivíduos de pele com tons mais claros (asiáticos, caucasianos e hispânicos) (6, 7).

Valores de Referência


O diagnóstico de um possível défice de vitamina D deverá ser feito através de exames laboratoriais, avaliando a concentração da forma circulante da Vitamina D (25(OH)D).

Classificação ng/ml nmol/L
Desejável ≥30 ≥75
Insuficiente 20 a 30 50 a 75
Deficiência <20 <20

 

Ingestão adequada (Ai) de vitamina D3

A ingestão adequada (AI) da vitamina D varia consoante a fase do ciclo de vida em que o indivíduo se encontre. Sendo que para cada fase é recomendada uma ingestão adequada diária de (8):

Grupo UI
Lactentes (0 aos 12 meses) 400
Crianças (1 aos 8 anos) 600
Homens e mulheres (9 aos 70 anos) 600
Homens e mulheres (>70 anos) 800
Gestantes e em amamentação 600

 

Ingestão adequada (Ais) significa que quando os dados para calcular as ingestões diárias recomendadas de um nutriente são insuficientes, a ingestão adequada baseia-se em estimativas de ingestão de nutrientes observadas ou experimentalmente determinadas para pessoas saudáveis (8).

Suplementação, segurança e toxicidade


Suplementação de Vitamina D3

A forma mais comum de suplementação em vitamina D é sob a forma de vitamina D3, (colecalciferol), uma vez que parece ser a forma mais eficiente para aumentar o nível sérico da forma circulante (25(OH)) desta vitamina (9).

Relativamente a Portugal, a Direção Geral de Saúde (DGS)  recomenda a suplementação entre 700-800 UI/dia de vitamina D em indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos que apresentem osteoporose (10).

Relativamente à segurança da suplementação, a dose que poderá levar à toxicidade situa-se acima das 20000 UI/dia. No entanto, não foi observada toxicidade com o uso continuado da vitamina D3 em doses até 10.000 UI/dia, numa população adulta saudável. Também o uso de doses elevadas (100.000 UI de vitamina D3, de 4 em 4 meses) revelou-se seguro, embora sem diferenças significativas na eficácia quando comparado com a toma diária (10, 11).

Por fim, é importante salientar que a absorção da vitamina D3 é potenciada quando ingerida juntamente com gordura, uma vez que se trata de uma vitamina lipossolúvel. Assim, a toma da suplementação deverá ser feita juntamente como uma refeição que apresente naturalmente gordura na sua constituição, como por exemplo o almoço ou o jantar.

Atualmente, existem algumas controvérsias sobre a suplementação neste micronutriente. É prudente que antes de iniciar a suplementação em vitamina D3 aconselhe-se com o seu médico.

Veja também:

Fontes

1. EFSA. (2016). Dietary reference values for vitamin D. Disponível em: https://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/4547
2.Bouillon, R et al. (1998). Vitamin D metabolism and action. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10197177
3. Prosser, DE et al. (2004). Enzymes involved in the activation and inactivation of vitamin D. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15544953
4. Engelsen, O et al. (2005). Daily duration of vitamin D synthesis in human skin with relation to latitude, total ozone, altitude, ground cover, aerosols and cloud thickness. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16354110
5. O’Connor PA. (1980). Clouds, skin color, and rickets. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7402827
6.Coney P, et al. (2012). Determination of vitamin D in relation to body mass index and race in a defined population of black and white women. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22818533
7. Fiscella, K et al. (2010). Vitamin D, race, and cardiovascular mortality: findings from a national US sample. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20065273
8. Johnson, LE. (2018). Visão geral das vitaminas. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/defici%C3%AAncia,-depend%C3%AAncia-e-toxicidade-das-vitaminas/vis%C3%A3o-geral-das-vitaminas
9. Houghto, LA et al. (2006). The case against ergocalciferol (vitamin D2) as a vitamin supplement. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17023693
10. Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. (2009). Declaração Portuguesa da Vitamina D. Disponível em: https://www.spmi.pt/pdf/Declaracao_Port_VitD_2009_final.pdf
11. Papaioannou, A et al. (2011). A randomized controlled trial of vitamin D dosing strategies after acute hip fracture: no advantage of loading doses over daily supplementation. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21689448

Nutricionista Luís Cristino Nutricionista Luís Cristino

Luís Cristino (CP. 3994N), é nutricionista licenciado em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2018. Atualmente exerce funções nas áreas da nutrição clínica e da otimização da performance desportiva.

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