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Síndrome de Asperger: detetar para melhor intervir

A Síndrome de Asperger é uma perturbação do desenvolvimento que afeta as capacidades de comunicação e relacionamento. É pouco comum.

 
Síndrome de Asperger: detetar para melhor intervir
Descubra e explore esta desordem pouco comum.

Síndrome de Asperger é uma perturbação do desenvolvimento dentro do espetro do autismo que se manifesta, sobretudo, por alterações na interação social, na comunicação e no comportamento com interesses e padrões restritos (12).

Síndrome de Asperger: o que é?


Síndrome de Asperger

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, as Perturbações do Espetro do Autismo (PEA) “são uma síndroma neurocomportamental com origem em perturbações do sistema nervoso central que afeta o normal desenvolvimento da criança. Os sintomas ocorrem nos primeiros três anos de vida e incluem três grandes domínios de perturbação: social, comportamental e comunicacional” (3).

Síndrome de Asperger é uma condição que afeta o modo como uma pessoa interage, comunica e se relaciona com os outros, sendo mais comum nos rapazes do que em raparigas. Estas alterações têm impacto no desenvolvimento da atividade e adaptação aos vários contextos, na comunicação, entre outros (14).

Os indivíduos com Síndrome de Asperger geralmente têm elevadas habilidades cognitivas e a linguagem é funcional, o que não se verifica em outras condições, como o autismo. Contudo, embora tenham uma linguagem e vocabulário mais elaborados, estão incapacitadas de o usar em contexto social.

Normalmente, eles abordam os outros, mas de uma forma inapropriada e excêntrica (12). Isto é, para que possa melhor compreender, eles até podem expressar interesse em fazer amizades, mas são as suas abordagens, desajeitadas, a forma de comunicação monocórdica e implícita (por exemplo, sinais de tédio, pressa para deixar o ambiente e necessidade de privacidade) e a insensibilidade em relação aos sentimentos e intenções das pessoas que os condicionam.

A dificuldade em interpretar e aprender as capacidades da interação social, afetivas e emocionais com os outros, faz com que estes indivíduos fiquem rápida e cronicamente frustrados, uma vez que sentem que não conseguem estabelecer relacionamentos interpessoais.

Alguns desenvolvem sintomas de ansiedade ou de humor que podem requerer tratamento, incluindo medicação como poderá verificar mais à frente (1).

 

Síndrome de Asperger: causas


Ainda não são totalmente conhecidas, mas pensa-se que incluam um conjunto de fatores neurobiológicos que afetam o desenvolvimento cerebral (4).

Em alguns casos há uma componente genética, onde um dos pais (normalmente o pai) mostra ou o quadro completo de Síndrome de Asperger ou pelo menos alguns traços associados ao mesmo (1).

 

Síndrome de Asperger: características


Síndrome de Asperger

Uma das características dos indivíduos com Síndrome de Asperger é o facto de apresentarem um interesse específico numa determinada área. Os interesses mais frequentes relacionam-se com áreas intelectuais específicas.

“Quando as crianças entram para a escola, ou mesmo antes, elas irão mostrar interesse obsessivo numa determinada área como a matemática, aspetos da ciência, leitura ou algum aspeto da história ou geografia, querendo aprender tudo quanto for possível sobre o objeto e tendendo a insistir nisso em conversas e jogos livres” (2).

Verifique as características mais comuns quer sejam crianças, jovens ou adultos (56):

  • Dificuldade na interação social: falta de reciprocidade social e emocional;
  • Dificuldade na comunicação verbal e não verbal: por norma usam vários comportamentos não verbais como a postura pouco usual, gestos corporais, contacto visual escasso e ausência de expressão facial;
  • Interpretação literal da linguagem: peculiaridades do discurso e da linguagem;
  • Comportamentos rotineiros ou repetitivos como girar coisas;
  • Interesses limitados.

 

Síndrome de Asperger: sinais


Síndrome de Asperger

Existem alguns sinais, aos quais sugerimos que esteja atento (4,5):

  • Hipersensibilidade aos estímulos sensoriais: ruídos, cheiros, sabores, texturas, luzes, etc;
  • Atraso significativo na linguagem;
  • Pobre linguagem ou comunicação, verbal ou não verbal;
  • Dificuldade no pensamento abstrato e interpretação dos conceitos, ou seja, há uma interpretação literal dos enunciados;
  • Dificuldade no estabelecimento de relações de amizade;
  • Dificuldades nas regras sociais: muito rígidos;
  • Atitudes consideradas bizarras e excêntricas;
  • Dificuldade em entender e expressar emoções;
  • O “brincar” e imaginação são pobres ou inexistentes;
  • Número limitado de interesses com obsessão por determinados temas;
  • Comportamentos repetitivos ou rotineiros;
  • Dificuldade na adaptação a alterações repentinas das rotinas;
  • Resistência à mudança;
  • Atraso no desenvolvimento motor ou falta de coordenação motora;
  • Baixo nível de tolerância à frustração.

 

Síndrome de Asperger: como diagnosticar?


Se identificar alguns dos sinais de alerta é aconselhável que se dirija a um profissional especializado.

A avaliação passa por áreas de especialidade como a Neuropediatria ou Pedopsiquiatria e Psicologia, onde será feita uma avaliação global tendo em conta as características e especificadores sintomáticos, ou seja, o comprometimento que os mesmos têm em cada indivíduo (4).

 

Síndrome de Asperger: tratamento


Síndrome de Asperger

Não existe cura para esta problemática. Contudo, quanto mais precocemente for a intervenção melhor será a evolução do quadro clínico.

Uma intervenção precoce pode permitir a melhoria de dificuldades e potenciar o melhor de cada indivíduo. Como?

  • O treino de competências sociais é essencial. Este permite: aprendizagem social ajustada ao ensinar, por exemplo, formas mais eficazes de comunicação, a interpretar expressões não verbais, emoções, entre outras;
  • Promoção da autonomia;
  • Colaboração dos professores;
  • Psicoterapia (abordagem comportamental);
  • Instrução e treino parental;
  • Intervenção farmacológica (apenas se houver sobreposição de diagnóstico de hiperatividade ou défice de atenção) (42).

 

Síndrome de Asperger: intervenção dos professores e meio envolvente


Síndrome de Asperger

Compreenda que a criança tem uma perturbação neurodesenvolvimental que a leva a comportar-se e a responder de forma diferente de outros estudantes.

Devido às particularidades, já descritas, de indivíduos com Síndrome de Asperger é importante que os professores e profissionais envolventes estejam alerta para as necessidades destas crianças que precisam de mais apoio.

O próprio Asperger compreendeu a importância da atitude do professor: “estas crianças frequentemente mostram uma surpreendente sensibilidade à personalidade do professor (…) E podem ser ensinados, mas somente por aqueles que lhes dão verdadeira afeição e compreensão. Pessoas que mostrem delicadeza e, sim, humor. (…) A atitude emocional básica do professor influencia, involuntária e inconscientemente, o humor e o comportamento da criança” (2).

Não só os professores mas todos os que na escola lidam com crianças com Síndrome de Asperger devem tentar seguir algumas linhas orientadoras de forma a promover o melhor equilíbrio destas crianças (2):

  • Rotinas: crianças com Síndrome de Asperger têm dificuldade em lidar com mudanças por isso é importante que estas sejam consistentes, estruturadas e previsíveis;
  • Regras: pela sua tendência rígida, as regras devem ser expressas de forma clara e se possível, escritas mantendo alguma flexibilidade na sua aplicação;
  • Área de interesse: como têm interesses específicos por determinadas áreas, as tarefas vão ser melhor aceites e aprendidas se o foco for em uma das suas áreas de interesse; estas podem funcionar como compensação de uma tarefa realizada com sucesso;
  • Evite luta de forças: elas não entendem, nem lidam bem com atitudes rígidas ou impostas, podendo perder o controle sobre si mesmas;
  • Aprendizagem baseada no concreto.

 

Em suma…


Intervir o mais cedo possível e delinear um plano de intervenção ajustado à criança/jovem ou adulto é imprescindível para uma melhora da sintomatologia.

O trabalho multidisciplinar é bastante importante, ao promovermos as potencialidades destes indivíduos é possível que estes em adultos tenham uma integração profissional bem sucedida.

Veja também:

Fontes

1. Klin A. (2006). “Autism and Asperger syndrome: an overview”. Rev Bras Psiquiatr. 28, 3-11. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbp/v28s1/a02v28s1.pdf
2. Teixeira P. (2005). “Síndrome de Asperger”. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0254.pdf
3. American Psychiatric Association (2013). Acedido a 16 de outubro. Disponível em: http://www.fpda.pt/autismo
4. Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (2017). Disponível em: https://www.apsa.org.pt
5. American Psychiatric Association (2014). “DSM-5: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais” (5.ª ed.). Porto Alegre: Artmed.
6. Psychnet -UK Mental Health. “Asperger´s Syndrome”. Disponível em: http://www.psychnet-uk.com/x_new_site/DSM_IV/aspergers_syndrome.html

Psicóloga Carolina Pinheiro Psicóloga Carolina Pinheiro

Psicóloga Clínica, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos (CP n.º 22212). Licenciada em Psicologia e Saúde Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto Universitário Ciências da Saúde. Formada em Hipnose Clínica e Programação Neurolinguística com especialização avançada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica da Infância à Idade Adulta pelo Instituto CRIAP. Exerce atividade em contexto Universitário no Instituto Universitário Ciências da Saúde, em contexto Hospitalar, no Hospital da Luz e em clínica privada.

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