Sífilis: o que é e quais os 4 estádios da doença

Conheça os quatro estádios da sífilis, uma doença sexualmente transmissível. Se não for tratada a tempo pode constituir perigo de vida para o doente.

Sífilis: o que é e quais os 4 estádios da doença
A principal via de transmissão desta doença é através do contacto sexual.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada por um tipo de bactéria conhecida como Treponema pallidum. Em 2016, mais de 88 mil casos de sífilis foram reportados apenas nos Estados Unidos, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano.

A percentagem de mulheres com sífilis tem vindo a diminuir, mas a de homens com esta doença tem aumentado, particularmente para homens que mantêm relações sexuais com outros homens.

Modos de transmissão da Sífilis


relacao sexual

A sífilis é transmitida, maioritariamente, através das relações sexuais não protegidas (incluindo sexo vaginal, oral ou anal).

Verifica-se também, que em poucos casos pode ser transmitida não sexualmente, por exemplo através do contato transplacentário (em 40% dos casos causa aborto espontâneo, morte à nascença ou morte neonatal; noutros casos, causa sífilis congénita).

Além do contato sexual desprotegido, a bactéria pode infectar a pessoa saudável através de pequenas lesões, feridas ou cortes na cavidade oral.

É importante ter a noção de que, o risco de contaminação é maior quando há lesões ou feridas na vagina, pénis ou ânus, pois facilitam a passagem da bactéria, que entra pelas membranas mucosas ou pela pele, alcançando os linfonodos regionais, disseminando-se rapidamente por todo o corpo.

Sintomas da Sífilis


sifilis e ferido dentro da boca

O primeiro sinal de sífilis é uma pequena ferida indolor. Esta úlcera, chamada de sifiloma, pode aparecer nos órgãos sexuais, recto ou mesmo dentro da boca, e os doentes habitualmente têm alguma dificuldade em se aperceber da mesma.

A sífilis pode ser difícil de diagnosticar, pois um doente pode ter a doença durante anos sem que tenha os sintomas habituais da mesma. Tal como a maioria das doenças, quanto mais cedo for detetada, melhor.

A sífilis que se mantém sem tratamento durante muito tempo pode causar danos graves a órgãos muito importantes tais como o coração e mesmo o cérebro.

Esta doença só se propaga se houver contacto direto com os sifilomas. A principal via de transmissão da sífilis é através de relações sexuais. Pode também ser transmitida ao partilhar a sanita com outra pessoa, usar a roupa, o prato ou talheres de outro doente.

> Saiba mais sobre os sintomas da Sífilis.

Diagnóstico da Sífilis


analise de sangue com diagnostico de sifilis

A forma como é feito o diagnóstico depende da fase da sífilis que o doente manifesta. Inicialmente será realizado um exame físico ao doente, se não houver nenhuma ferida na região genital, nem em outras partes do copo o médico poderá solicitar um exame chamado VDRL que identifica o Treponema pallidum no organismo.

O diagnóstico é feito por sorologias e estudos selecionados adjuntivos fundamentados na fase da doença.

Existem diversos métodos de diagnóstico da sífilis, sendo que existem alguns mais simples, em que é necessária a observação e raspagem das feridas para avaliar a presença da bactéria, útil nas fases iniciais da sífilis primária ou secundária, período em que as bactérias estão em grande quantidade.

Já os exames de sangue que avaliam a presença de anticorpos contra a bactéria, como VDRL ou FTA-ABS, podem ser feitos após 2 a 3 semanas da infeção.

A colheita de líquido cefalorraquidiano, presente na medula espinhal, através de uma punção lombar, pode ser necessária para identificar a infeção no sistema nervoso, em casos de suspeita de sífilis terciária.

Os vários estádios da Sífilis


Treponema pallidum

Os 4 estádios da sífilis são:

  • Primário;
  • Secundário;
  • Latente;
  • Terciário.

A sífilis é mais contagiosa nos 2 primeiros estádios. Quando a mesma está no estádio latente (adormecida) a doença mantém-se ativa mas sem sintomas. O estádio terciário é o mais destrutivo para a saúde.

Estádio primário

O estádio primário da sífilis ocorre na terceira ou quarta semana após uma pessoa ter estado em contacto com a bactéria, e manifesta-se através de uma pequena ferida, redonda, chamada de sifiloma.

A sifiloma é indolor mas altamente infeciosa, e pode aparecer na parte do corpo que teve contacto com a bactéria, tal como a boca, órgãos genitais ou recto.

Em média, o sifiloma aparece na terceira semana, mas na realidade pode demorar entre 10 a 90 dias a aparecer. O sifiloma mantém-se visível entre 2 a 6 semanas.

A sífilis é transmitida por contacto direto com o sifilloma e a transmissão ocorre habitualmente durante as relações sexuais, inclusivamente no sexo oral.

Estádio secundário

dor de cabeca

No estádio secundário podem ocorrer erupções cutâneas e dor de garganta. As erupções não picam nem dão comichão, e aparecem habitualmente nas palmas das mãos e plantas dos pés, mas podem aparecer em qualquer parte do corpo.

Alguns doentes não se apercebem destas erupções, acabando as mesma por desaparecer sem que o doente se dê conta.

Outros sintomas do estádio secundário são:

Estes sintomas desaparecem com ou sem tratamento, mas não tendo havido tratamento a doença mantém-se no corpo do doente.

Estádio latente

O terceiro estádio desta infeção é o estádio latente, ou estádio adormecido. Neste estádio o doente não tem qualquer sintoma, nem mesmo dos dois primeiros estádios, apesar da bactéria permanecer no corpo do doente.

Este estádio pode durar durante vários anos até evoluir para o último estádio da doença, o estádio terciário.

Estádio terciário

bacterias da meningite

O último estádio da doença é o estádio terciário. Aproximadamente 15% a 30% dos doentes que não receberam tratamento adequado entrarão neste estádio.

O estádio terciário pode ocorrer anos ou mesmo décadas após a infeção inicial do doente, no qual existe já perigo de vida para o doente.

Outras consequência da doença são:

  • Cegueira;
  • Surdez;
  • Insanidade mental;
  • Perda de memória;
  • Destruição de osso e tecidos moles;
  • Distúrbios neurológicos, tais como AVC ou meningite;
  • Doenças cardíacas;
  • Neurosífilis (infeção no cérebro ou espinha dorsal).

 

Formas de tratamento da Sífilis


penincilina aquosa

O tratamento desta infeção, quer em termos de dosagem, quer em relação à duração do tratamento, irá depender da gravidade e do tempo de contaminação da doença.

Geralmente o tratamento é feito com penicilina benzatina, no entanto, no caso da sífilis ocular ou neurossífilis é utilizada a penicilina aquosa.

No caso das grávidas com sífilis, é realizado o mesmo tratamento à base da penicilina, de forma a evitar o contágio do bebé com a sífilis. Contudo, a criança precisa ficar internada para uma investigação sobre possíveis complicações e deverá ser acompanhada até os 18 meses.

Outro aspeto de grande relevância, no que toca à saúde pública, consiste também no tratamento dos parceiros sexuais dos últimos 3 meses (no caso da sífilis primária) e no espaço de 1 ano (no caso da sífilis secundária) do doente, que tiveram relações sexuais desprotegidas, de forma a serem avaliados e no caso de estares infetados, serem devidamente tratados.

Durante o tratamento, recomenda-se ao doente não ter relações sexuais.

Vigilância pós-tratamento da Sífilis


preservativo

Após o tratamento, todos os doentes devem ter os seguintes cuidados:

  • Exames e testes reagínicos aos 3, 6, 12 meses e anualmente, e depois disso até que se tornem não reagentes;
  • No caso de se verificar neurossífilis, é necessária a realização de uma punção lombar a cada 6 meses até que a celularidade esteja normal;
  • O preservativo é o modo mais eficaz de evitar a transmissão da sífilis, outro cuidado importante é a diminuição do número de parceiros.

Veja também:

Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.