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Pioderma em cães e gatos: o que é e como tratar?

A pioderma é uma doença cutânea que afeta cães e gatos, causada por uma infeção bacteriana. Conheça esta doença e ajude a salvar o seu melhor amigo.

Pioderma em cães e gatos: o que é e como tratar?
Este é um problema que afeta em maior número os cães

A pioderma ou piodermite é uma denominação para uma doença de pele não contagiosa, que tanto pode afetar gatos como cães, no entanto afeta maioritariamente esta última espécie.

O que é a pioderma?


pioderma cao e gato

Pioderma é uma designação para uma infeção de pele causada por bactérias, significando literalmente em termos médicos “pus na pele”.

A maioria das piodermites são causadas por uma bactéria denominada por Staphylococcus pseudointermedius, que é considerada como fazendo parte da flora natural da pele.

Regra geral, a pioderma é secundária a outra patologia, surgindo como uma consequência de outra doença, na maioria das vezes, como por exemplo em casos de pele atópica, alergias, parasitas.

Isto acontece porque estas doenças primárias podem fazer com que haja uma quebra na cama protetora da pele e inclusive fazer com que a pele se torne um ambiente mais propício para proliferação bacteriana. Doenças pruriginosas, que causam comichão, fazem com que o animal se coce e facilite a entrada de bactérias.

Apesar de os gatos também serem afetados, os cães são os mais afetados por esta doença de pele devido a vários aspetos anatómicos específicos da espécie, como quantidade maior de bactérias naturalmente na pele, espessamento da pele menor, maior predisposição para alergias.

Fatores que contribuem para o desenvolvimento de de pioderma


pioderma cao com leishmaniose

A pioderma é normalmente uma doença secundária a outras que tornam, por qualquer razão, a pele mais suscetível a entrada de bactérias.

1. Flora cutânea

Os cães apresentam naturalmente na sua pele uma quantidade maior de bactérias, assim, se por algum motivo houver condições de proliferação e quebra da barreira protetora da pele, é mais fácil que a sua pele fique afetada.

2. Espessamento do extrato córneo

Comparativamente aos gatos, os cães apresentam uma cama de pele mais fina, propiciando as infeção bacteriana. Esta é uma das razões pelas quais os cães têm mais predisposição para o desenvolvimento de pioderma do que os gatos.

3. Alergia e hipersensibilidade

Nos cães, a existência de doenças de pele é superior à dos felinos, como é o caso da atopia e alergias.

Assim, não só a barreira cutânea fica comprometida e deixa o animal mais suscetível à entrada de agentes patogénicos, como também o prurido característico da doença, funciona como porta de entrada de bactérias.

4. Seborreia

A seborreia carateriza-se por uma descamação da pele. Animais com este problema tendem a apresentar um maior número de bactérias na sua pele.

5. Endocrinopatias

Doenças como hipotiroidismo, diabetes, alterações hormonais ou doença de Cushing, podem contribuir para facilitar a proliferação de bactérias na pele.

6. Neoplasias

A existência de tumores cutâneos pode levar a uma maior fragilidade da pele, fazendo com que seja mais fácil o desenvolvimento bacteriano.

7. Doenças sistémicas

Algumas doenças como a leishmaniose podem levar a piodermites, devido a problemas de pele provocados pela doença primária.

Sintomas de pioderma


pioderma cao a cocar se

O sinal mais comum de pioderma em cães e gatos é a descamação excessiva, normalmente reconhecidas pelos tutores como caspa. Outros sinais que podem surgir são:

  • Alopécia, falhas de pelo, principalmente no tronco, cabeça e membros.
  • Prurido, comichão;
  • Crostas;
  • Dor na pele;
  • Presença de pus e sangue na pele.

 

Diagnóstico de pioderma


pioderma veterinaria a ver pelo de cao

Por norma, o diagnóstico de pioderma é realizado pelo médico veterinário com base nos sinais clínicos que o animal apresenta.

Para identificar o agente causador da infeção é possível enviar o exsudado presente nas feridas para análise laboratorial, desta forma é possível administrar o antibiótico mais indicado para a situação.

O diagnóstico, para além de ser com base nos sinais que o animal apresenta, também pode ser conforme a resposta ao tratamento prescrito pelo médico veterinário.

Para além do diagnóstico de pioderma, é necessário ter em conta a causa desta doença cutânea. Podem ser necessários outros exames complementares, como raspagens, culturas fúngicas, análises sanguíneas, de forma a descartar a causa primária.

Tratamento de pioderma


pioderm cao a tomar medicacao

O tratamento de pioderma é à base de administração de medicamentos antibióticos de duração mínima de 3 semanas. O seu médico veterinário irá prescrever o antibiótico que considere mais adequado para a situação, ou tendo em base a análise microbiológica.

Se o animal apresentar muita dor, o médico veterinário também pode prescrever medicação analgésica. Em casos de prurido intenso e inflamação podem também ser administrados corticoesteróides.

Todas as zonas afetadas devem ser rapadas, de forma a ser mais fácil a higienização e desinfeção do local, com produtos antissépticos. Podem também ser colocadas pomadas cicatrizantes, com efeito anti-inflamatório e com antibiótico.

O uso de colar isabelino é indicado para evitar que o animal lamba as zonas feridas e piore o seu quadro clínico.

Cães e gatos com pioderma devem tomar banhos regulares com champôs de prescrição médica, 2 a 3 vezes por semana nas duas primeiras semanas, e posteriormente, uma a duas vezes semanais até que a infeção esteja resolvida.

Uma vez que é comum que a pioderma seja uma doença secundária a outra, é aconselhável que seja diagnosticada e tratada a causa primária, sob risco de recidivas. Grande parte de animais com piodermites recorrentes não foram tratados pela sua causa principal.

Veja também:

Fonte

1. Moriello, K. A. (n.d). Overview of Pyoderma. Disponível em:
https://www.msdvetmanual.com/integumentary-system/pyoderma/overview-of-pyoderma?query=overview%20of%20pyoderma

Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.

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