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O leite indicado para crianças em fase de crescimento

Sabia que o consumo de leite inteiro associa-se a um menor risco de desenvolvimento de obesidade na infância? Fique a par de algumas considerações sobre a escolha do leite a partir dos 12 meses de idade.

 
O leite indicado para crianças em fase de crescimento
Leite materno pode ser dado até a criança completar 1 ano de idade

Não restam dúvidas que o alimento ideal para o recém-nascido (dos 0-28 dias de vida) e lactente (a partir do 29.º dia até completar 1 ano de vida) é o leite humano (vulgo leite materno).

Pelas suas inúmeras vantagens nutricionais, mas também por melhorar o desenvolvimento cognitivo, associar-se a uma menor incidência e/ou gravidade de infeções gastrintestinais e respiratórias, e proteger de algumas alergias, a Organização Mundial de Saúde e os principais Comités de Nutrição Pediátrica recomendam, sempre que possível, a sua oferta em exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, devendo ser mantido até a criança completar 1 ano.

Isto acontece porque a introdução precoce do leite de vaca associa-se a um consumo excessivo de proteína, sódio e potássio, e a um menor aporte de nutrientes como ferro, vitamina E e ácidos gordos essenciais, como o ácido linoleico.

Escolha do leite a partir dos 12 meses de idade: algumas considerações


O leite indicado para as crianças em fase de crescimento

Após os 12 meses de idade, o leite de vaca poderá ser introduzido na alimentação. Mas na escolha do leite, alguns pormenores devem ser tidos em consideração.

Devemos privilegiar o leite inteiro com origem de vacas leiteiras que vivem livremente em pastagens e cuja alimentação é feita à base de erva fresca, livre de fertilizantes, herbicidas e outros químicos, que terá, obrigatoriamente, características diferentes de um leite com origem numa vaca que vive num espaço limitado e que é alimentada quase única e exclusivamente por ração.

Ou seja, um leite inteiro, que não é desnatado, e que mantém as propriedades do leite tal como a natureza nos dá.

A verdade é que durante vários anos, assistimos a políticas de saúde pública para reduzir a ingestão de gordura saturada, incluindo a proveniente do leite de vaca, dada a sua associação ao risco de doença cardiovascular. Por este motivo, o consumo de leite gordo/inteiro perdeu lugar para o consumo das suas versões meio gordo e magro.

Mas atualmente, a evidência científica tem vindo a indicar que não existe ligação direta entre o risco de doença cardiovascular e o consumo de gordura saturada e colesterol proveniente do leite.

Leite gordo ou meio-gordo? A importância das vitaminas

leite para dar às crianças em fase de crescimento

Tal como o próprio nome indica, um leite meio-gordo é aquele que sofreu um procedimento industrial para retirar mais de metade da gordura naturalmente presente no leite (desnatação), arrastando consigo outros nutrientes, nomeadamente as vitaminas “ligadas” à gordura – as vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) – gorduras e vitaminas estas, que são determinantes para o equilíbrio e saúde de um organismo em crescimento e desenvolvimento, quer físico quer cognitivo.

A propósito, realça-se a importância do colesterol na infância, o qual é um importante substrato não só para a produção de hormonas e da vitamina D no organismo, como também é incorporado como constituinte dos lípidos cerebrais durante os primeiros anos de vida.

Adicionalmente, vários estudos demostram ainda que o consumo de leite inteiro associa-se a um menor risco de desenvolvimento de obesidade na infância.

Ora, embora possa parecer um contrassenso – mais gordura, menos risco de obesidade – o que acontece é que por ter maior concentração de gordura, o organismo após a sua ingestão fica saciado por mais tempo (a gordura atrasa o esvaziamento gástrico), o que irá limitar a ingestão de outros alimentos, nomeadamente daqueles com maior riqueza em açúcares, sal e gorduras não saudáveis.

E o que é certo é que, nos últimos anos, os consumidores estão têm demonstrado um aumento da consciência ambiental, bem como da necessidade do bem-estar animal, a par da crescente preocupação com a alimentação e sustentabilidade, registando-se uma mudança de mentalidades e preferências na altura de escolher aquilo que se vai adquirir para consumir.

Verifica-se cada vez mais a procura de alimentos locais, e a forte necessidade de “regressar às origens”, dando-se preferência por produtos mais próximos da natureza e, por isso, mais amigos do ambiente e naturalmente saudáveis.

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Nutricionista Inês Tomada Nutricionista Inês Tomada

Nutricionista, Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas (0045N); Licenciada em Ciências da Nutrição e Mestre em Nutrição Clínica pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto; Doutorada em Metabolismo, Clínica e Experimentação pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 1 Centro da Criança e do Adolescente e do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital CUF Porto 2 Professora Auxiliar Convidada da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa 3 Investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa

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