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Escoliose lombar: causas, sintomas e formas de tratamento

A escoliose lombar é uma curvatura lateral da coluna vertebral e tem sintomas característicos. As formas de tratamento envolvem exercício e cirurgia.

 
Escoliose lombar: causas, sintomas e formas de tratamento
Trata-se de um desvio da coluna na zona lombar

A escoliose lombar consiste no desvio da coluna vertebral, na zona lombar (fundo das costas), podendo a mesma estar curvada para a esquerda ou para a direita. Isto pode acontecer à nascença (escoliose congénita) ou mesmo na vida adulta, como resultado de uma doença neuromuscular ou de outra doença primária.

As escolioses lombares são de um modo geral idiopáticas, pois ocorrem sem que se saiba o motivo. A escoliose lombar idiopática é diagnosticada frequentemente na infância e também é conhecida por escoliose idiopática adolescente.

Escoliose lombar: principais causas


A escoliose lombar é considerada uma curvatura patológica com grande importância clínica.

Uma coluna vertebral normal não é totalmente reta e possui curvas naturais. Estas curvas, que modelam os ombros e deixam a região da cintura levemente curvada para dentro, são fundamentais para o nosso equilíbrio e marcha. Porém, curvaturas superiores a 10º no ângulo de Cobb, na avaliação radiográfica, são consideradas escoliose, segundo a Scoliosis Research Society (1).

Na radiografia, a coluna vertebral de uma pessoa com escoliose lombar parece-se com um “S” ou um “C”, ao invés de uma linha reta – e causar assimetrias nos ombros ou na cintura. Algumas das vértebras da escoliose também podem rodar levemente, tornando as costelas de uma lado mais salientes que do outro, na região das escápulas (2).

Escoliose lombar: maioria dos casos são idiopáticos

Ao contrário da denominada má postura, estas curvas não podem ser corrigidas simplesmente aprendendo-se a ficar de pé corretamente (2). Segundo a Scoliosis Research Societye Spine Society of Australia a escoliose lombar não deriva do transporte de pesos excessivos nas mochilas escolares; por assumir posturas erradas ao dormir e de pé; por passar muitas horas a assistir televisão ou por diferença no comprimento dos membros inferiores (1).

Em mais de 80% dos casos, não se encontra uma causa específica para a escoliose lombar. Como referimos anteriormente, estes casos são chamados de “idiopáticos”, o que significa “de causa desconhecida”. Isto é particularmente comum em adolescentes do sexo feminino.

Importa ainda frisar que a escoliose idiopática é classificada de “infantil” quando surge em crianças até aos 3 anos de idade; “juvenil”, em crianças de 4 a 10 anos de idade; de “adolescente”, dos 11 a 18 anos e “no adulto” em pacientes comm mais de 18 anos de idade (2).

As causas conhecidas de deformidades na coluna vertebral são (2):

  • Alterações congénitas (presentes ao nascimento – chamadas de escoliose congénita);
  • Doenças neurológicas (escoliose neuromuscular);
  • Doenças genéticas e muitas outras causas.

De entre as muitas causas de escoliose lombar nas pessoas adultas destacam-se duas: a primeira inclui as deformidades decorrentes da escoliose idiopática juvenil e do adolescente, e a segunda inclui os pacientes que desenvolveram a deformidade vertebral após a maturidade esquelética. Este grupo envolve a escoliose secundária à doença degenerativa e é denominada escoliose degenerativa de novo. Com o envelhecimento da população e a melhoria da qualidade de vida, a escoliose do adulto está a tornar-se cada vez mais um importante problema de saúde (6).

A identificação atempada da escoliose, promovendo uma intervenção oportuna, pode condicionar a progressão da doença, aumentando a qualidade de vida e, potencialmente, diminuindo não só a necessidade de cirurgia em adolescentes com esta patologia, mas também as despesas em saúde (2).

Sinais e sintomas da escoliose lombar


A Escoliose torna-se perceptível apenas quando a curva progride significativamente (6).

Em geral, os sinais que podem indicar a patologia são:

  • Ombros ou quadris (cintura) assimétricos;
  • Tronco inclinado para o lado, resultante do encurvamento da coluna lateralmente;
  • Clavícula proeminente;
  • Cansaço e dor nas costas após tempo prolongado em posição sentada ou de pé.

Em relação aos sintomas, verificam-se ainda os seguintes:

1. Malformação da coluna

Escoliose lombar e Malformacao da espinha

O sintoma habitual da escoliose lombar é a coluna ter a aparência de um C (ou um S em alguns casos)  em vez de ser uma linha reta desde o pescoço até às ancas. A curva pode ser vista num raio-x ao peito ou num teste de agachamento.

Nesse teste, o paciente toca no chão ou nos tornozelos, e a forma da espinha pode ser identificada pelo médico, conseguindo perceber desta forma que tipo de curvatura tem e qual o sentido da mesma. Curvaturas com menos de 20 graus de erro são apenas acompanhadas regularmente, sem necessidade de tratamento. Acima desse valor pode ser necessário tratamento ou até mesmo cirurgia.

2. Dores musculares e ósseas

dores musculares

Maioritariamente, as escolioses regulares não causam dor na infância nem adolescência. No entanto, escolioses desenvolvidas em adulto ou escolioses adolescentes que não sejam acompanhadas ou tratadas devidamente podem causar sintomas crónicos.

Pode sentir dores nos ossos e é muito habitual que se sinta dores musculares na zona da  lombar, pois devido à curvatura defeituosa existente, os músculos estão constantemente a serem “exercitados”.

3. Alinhamento irregular do corpo

homem com coluna torta

Se partes do corpo aparentam irregularidade de alinhamento é caso para soar o primeiro sintoma de uma possível escoliose. Com uma escoliose lombar as pernas podem aparentar ter comprimentos diferentes, ou uma anca pode parecer estar mais acima ou abaixo do que a outra.

Este sintoma é mais notório com roupa, pois  irá parecer mais comprida ou curta, ou mesmo aparentar estar encolhida ou larga, já que a roupa irá tentar acomodar-se ao alinhamento irregular do corpo.

Tratamento da escoliose lombar


O tratamento da escoliose passa por três etapas:

1. Observação

A observação é indicada para curvas discretas em pacientes que ainda estão na fase de crescimento (escoliose do adolescente), ou para curvas moderadas (< 40o a 45o) em pacientes que já pararam de crescer. Nos adultos, a observação associada a fisioterapia estão indicadas para aqueles pacientes com sintomas leves e curvas não graves (6).

2. Coletes

São indicados para curvas entre 25o e 45o em crianças em crescimento, para tentar evitar a progressão da curva enquanto a coluna cresce. O objetivo do uso do colete é o de evitar a progressão, já que o colete não consegue corrigir a curva (6).

O colete deve ser usado 23 horas por dia até o crescimento completo da coluna vertebral, conforme prova radiográfica, e quando não se notar progressão da curva o uso do colete poderá ser descontinuado. Uma redução de 50% da curva no primeiro ano de uso do colete poderá indicar que esta correção será permanente. O uso da órtese não impede a realização de exercícios programados com ou sem colete (6).

3. Cirurgia

É indicado para curvas geralmente acima de 50o para adolescente e adultos. A cirurgia pode ser indicada para curvas menores, caso a deformidade prejudique a auto-estima do paciente ou na presença de sintomas associados em pacientes adultos.

Os objetivos do tratamento cirúrgico são: corrigir a deformidade e evitar progressão da deformidade. Para tal, são colocados implantes de metal na coluna que se prendem a hastes, corrigindo assim a curvatura e a mantendo nesta posição até que haja a consolidação da artrodese ou seja, até que as vértebras se “colem” umas nas outras, formando um bloco de osso único (6).

Além destas três etapas, também não é raro o recurso a medicamentos, nomeadamente a anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), tais como naproxeno e ibuprofeno, podem ser usados para reduzir a dor e inflamação associados à escoliose lombar. Ainda assim, estes medicamentos devem ser tomados sob supervisão médica, pois podem causar efeitos secundários significantes, envolvendo o coração, fígado, rins e estômago.

O médico poderá também recomendar a injeção de um corticóide diretamente na espinha lombar. Os corticóides são fortes anti-inflamatórios que podem reduzir a dor e inflamação causados pela escoliose lombar. Estas injeções são administradas sob um supervisionamento através de raio-x utilizando fluoroscopia. Não podem ser administradas ao paciente mais de 4 injeções no período de 12 meses.

A importância do exercício


Exercícios de costas regulares podem ajudar com a escoliose lombar e o médico poderá mesmo prescrever fisioterapia para ajudar no tratamento. O fisioterapeuta poderá ajudar o paciente a alongar os músculos da região lombar, os quais irão ajudar a corrigir a curvatura da espinha.

Uma vez conseguida a flexibilidade necessária, determinados exercícios podem ser executados de forma a fortalecer os músculos das costas. Isto irá ajudar a prevenir, a longo prazo, que a espinha lombar se volte a curvar indevidamente.

Os exercícios deverão ser feitos de uma forma regular para que os mesmo sejam eficazes.

Veja também:

Fontes

1. Sociedade de Pesquisa em escoliose. Disponível em:
https://www.srs.org/portuguese/patient_and_family/scoliosis/
2. MINGHELLI, Beatriz. ( 2016). “Distúrbios Osteomioarticulares: Lombalgia e escoliose”. UNL.
3. Bunnel WP. “The Natural History of Scoliosis“. Clin Orthop 1988;229:20 -5.
4. Kane WJ. “Scoliosis Prevalence: A call for a statement of Terms“. Clin Orthop 1977;126:43 -7.
5. MONTEIRO ,Sílvia Maria Reis Correia. (2013). IPL – Lisboa .Alterações da curvatura da coluna vertebral: Influência da Fisioterapia, a nível neuromuscular. Disponível em:
 https://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/2915/1/Alterações%20da%20curvatura%20da%20coluna%20vertebral.pdf.
6. AMORIM , Djalma Castro de Junior. “Prevalência da Escoliose lombar em adultos”. Disponível em:
 http://www.scielo.br/pdf/coluna/v10n4/v10n4a06.pdf

Danielle Paiva Danielle Paiva

Licenciada em Medicina e Farmácia & Bioquímica pelo Centro Universitário de Nilton Lins, Danielle também é Mestre em Engenharia Industrial e Qualidade pela Universidade do Minho. Atualmente é voluntária na Cruz Vermelha onde desenvolve diversas ações de saúde.

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