Tem dúvidas sobre a criopreservação das células estaminais do cordão umbilical? Respondemos às 9 questões mais frequentes

Quanto mais se fala deste tema, mais as dúvidas sobre a criopreservação das células estaminais do cordão umbilical aumentam. Saiba como é o feito o processo, quais as vantagens e em que casos já são utilizadas hoje em dia.

 
Tem dúvidas sobre a criopreservação das células estaminais do cordão umbilical? Respondemos às 9 questões mais frequentes
Fique a saber tudo sobre este método.

A criopreservação de células estaminais é um tema que levanta dúvidas quando os pais se preparam para o nascimento de um filho, visto poder ser uma opção preventiva para o tratamento de possíveis doenças no futuro.

À semelhança de outros países, Portugal tem vários bancos que disponibilizam o  serviço de criopreservação de células estaminais  do cordão umbilical do bebé, como a Crioestaminal.

Por ser uma decisão que implica um investimento considerável, respondemos às 9 perguntas mais frequentes sobre a criopreservação das células estaminais do cordão umbilical para que todos os pais consigam tomar uma decisão ponderada e informada.

As 9 principais dúvidas sobre a criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical


1. O que é a criopreservação?

duvidas sobre a criopreservacao

A criopreservação consiste em conservar as células estaminais do cordão umbilical bebé porlongos períodos de tempo, a baixas temperaturas (-196ºC), sem que estas percam a sua viabilidade. Atualmente as células estaminais são armazenadas durante 25 anos, pois é este o período em que, de acordo com estudos recentes, a viabilidade celular é assegurada.

As células estaminais criopreservadas estão assim disponíveis a qualquer momento, podendo ser facilmente descongeladas, para utilização em caso de necessidade, no tratamento de várias doenças

2. O que são as células estaminais?

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As células estaminais são células com capacidade para se transformarem e darem origem às células adultas que constituem os tecidos e órgãos do nosso corpo.

O cordão umbilical é rico em dois tipos de células estaminais que, devido às suas propriedades únicas, podem ser usadas no tratamento de diversas doenças.

  1. As células estaminais do sangue do cordão umbilical são semelhantes às da medula óssea e são já hoje utilizadas no tratamento de mais de 80 doenças, tendo já sido realizados mais de 45.000 transplantes em todo o mundo.
  2. As células estaminais do tecido do cordão umbilical podem dar origem a cartilagem, osso e músculo, entre outros tecidos. Estas células são já utilizadas na prática clínica em transplantes conjuntos com células do sangue do cordão umbilical ou da medula óssea.

3. Como é feita a colheita e o armazenamento?

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Os pais que optem por guardar as células estaminais, idealmente até   dois meses antes do parto, deverão informar o banco de criopreservação escolhido de que pretendem guardar as células estaminais do seu filho, altura em que será formalizada a adesão ao serviço escolhido e lhes será enviado o  kit de colheita de células estaminais .

O kit terá que acompanhar a grávida na hora do parto pois a colheita das células é feita imediatamente após o corte do cordão umbilical por um elemento da equipa médica presente.

Após o corte  do cordão umbilical, o sangue é colhido para um saco próprio e o tecido para um frasco, sendo devidamente acondicionados de modo a garantir a sua segurança no transporte até ao laboratório.

Posteriormente, os pais devem fazer o agendamento para a recolha do kit, que será transportado para o banco escolhido, onde as células são analisadas e, uma vez confirmado o cumprimento de todos os critérios para a criopreservação das células estaminais, estas ficam armazenadas.

4. Durante quanto tempo as células estaminais podem ficar armazenadas?

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Atualmente, as células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical são armazenadas durante 25 anos, período em que, de acordo com estudos recentes, a viabilidade celular está assegurada.

5. A colheita de células estaminais é prejudicial para o bebé ou para a mãe?

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Esta é uma das dúvidas sobre a colheitas das células estaminais mais frequentes .

Importa explicar que as células do cordão umbilical são colhidas após o bebé nascer e após o parto ter decorrido com a naturalidade habitual. A equipa médica não altera qualquer procedimento, queiram os pais fazer, ou não, a criopreservação, e colocam sempre o bem-estar da mãe e do bebé em primeiro lugar.

O procedimento de colheita das células estaminais é simples, seguro e indolor para a mãe e para o bebé, evita-se que o cordão umbilical vá para o lixo biológico, aproveitando assim as suas células estaminais que apresentam um potencial terapêutico inestimável.

No entanto, sempre que haja situações que se sobreponham à colheita, esta poderá não é realizada.

6. Em que casos se usam as células estaminais?

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Tal como foi referido  anteriormente, as células estaminais do sangue do cordão umbilical  apresentam um grande potencial terapêutico no tratamento de mais de 80 doenças já identificadas

É o caso de algumas doenças hemato-oncológicas, deficiências medulares, imunodeficiências e hemoglobinopatias – doenças raras, embora com uma incidência significativa – em que o tratamento passa pela radioterapia e quimioterapia, de forma a eliminar as células doentes.

Posteriormente, é importante poder utilizar células estaminais hematopoiéticas,  de forma a restabelecer essa zona danificada com células saudáveis.

Caso as células estaminais do sangue do cordão umbilical tenham sido guardadas, poderão ser utilizadas neste contexto.

As células estaminais do tecido do cordão umbilical são já utilizadas na prática clínica em transplantes com células do sangue do cordão umbilical de modo a aumentar a probabilidade de sucesso dos mesmos.

Além das utilizações já identificadas, as células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical estão atualmente em estudo para aplicações em doenças como diabetes tipo 1, paralisia cerebral, autismo, artrite reumatoide, entre outras.

7. Quando se deve optar por criopreservar as células estaminais do cordão umbilical?

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Os pais podem optar por avançar com o processo de criopreservação das células estaminais do cordão umbilical desde muito cedo e torna-se importante esclarecer todas as dúvidas sobre o processo o mais cedo possível.

Idealmente, deverão optar por guardar as células estaminais, escolher o Banco de Criopreservação mais conveniente para a sua família, dar início ao processo e receber o kit de colheita em sua casa até dois meses antes do parto.

8. Quem pode guardar as células estaminais dos seus filhos?

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Existem diferentes possibilidades no que diz respeito à preservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical, os pais podem optar por guardar as células estaminais do bebé em Bancos Familiares de modo a que estejam disponíveis para a sua família em caso de necessidade ou podem doar para o Banco Público.

No caso do Banco Público as amostras de células estaminais doadas juntam-se a um registo de dadores que beneficia doentes que necessitam de células estaminais de terceiros. As amostras são de propriedade pública, não tendo a família direito sobre a amostra doada.

Nem todos os hospitais e clínicas se encontram habilitados a participar no sistema de doação para uso público. Assim, os pais deverão verificar junto da autoridade competente nacional ou com o seu médico a lista de centros de colheita disponíveis. Verifica-se que diferentes centros nacionais e regionais poderão ter diferentes protocolos de doação.

Assim, apenas mulheres saudáveis, sem tatuagens e piercings feitos nos 12 meses anteriores, podem submeter-se a este processo. Sempre que os bebés são gémeos, não é possível realizar a colheita, Também mães com diabetes gestacionais e com familiares diretos que passaram por algum tipo de cancro, são rejeitados.

No caso de bancos familiares, à partida, todos os pais podem guardar  as células estaminais dos seus filhos. No caso de haver alguma doença dos pais que possa colocar em causa a possibilidade de criopreservação, esta informação deverá ser partilhada  com o banco de criopreservação escolhido, que dará o seu parecer.

9. Qual a probabilidade de se necessitar de um transplante com as células estaminais ao longo da vida?

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As últimas estatísticas publicadas, baseadas num estudo científico, demonstram que a probabilidade de uma pessoa até aos 70 anos vir a necessitar das suas células estaminais para um transplante hematopoiético autólogo é de cerca de 1:400, enquanto a probabilidade acumulada de alguém vir a necessitar de um transplante com as suas células – transplante autólogo – ou com células doadas por outra pessoa (e.g. de um irmão compatível) – transplante alogénico – é de cerca de 1:200.

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Farmacêutica Rita Teixeira Farmacêutica Rita Teixeira

Licenciada em Estudos Básicos de Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e a terminar o mestrado em Ciências Farmacêuticas na mesma Universidade. É apaixonada pela escrita, por viagens e pela organização de eventos de saúde.

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