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Dermatofitose: em que consiste? Haverá cura?

Dermatofitose é um termo clínico usado para descrever as infeções fúngicas que podem ocorrer em determinadas partes do corpo e que causam desconforto.

 
Dermatofitose: em que consiste? Haverá cura?
Esta infeção atinge cerca de 25% da população mundial

A dermatofitose, epidermofitose ou Tinha é uma doença universal e frequente, que segundo a Organização Mundial de Saúde atinge cerca de 25% da população mundial e consiste numa infeção fúngica que afeta a queratina (proteína) da pele (região ungueal), pêlos, couro cabeludo e unhas das mãos e pés.

Esta infeção desenvolve-se exclusivamente nestas zonas corporais pela simples razão de que os dermatófitos (fungos) necessitam de queratina para se alimentarem, pelo que se alojam e vivem na camada córnea, pêlo ou unhas, de forma a conseguirem sobreviver.

Estas infeções são mais comuns em crianças, em países com clima favorável a estes microrganismos, como por exemplo, países com clima quente e húmido como países tropicais, bem como em pessoas com hábitos de higiene deficitários.

Modo de transmissão da dermatofitose


dermatofitose transmissao

Esta infeção é transmitida de pessoa para pessoa, animal para animal (cão, gato, porco, gado, aves, peixes, entre outros), de animal para pessoa e, muito raramente, da terra para a pessoa.

Pode também ser transmitida indiretamente, por meio de materiais contaminados com escamas de pele parasitadas pelos dermatófitos (por exemplo, escova de cabelo infetada), idealmente num meio ambiente favorável (TºC que ronda os 26ºC).

Após a transmissão, este fungo pode persistir indefinidamente no organismo da pessoa/animal, no entanto a grande maioria das pessoas não irá desenvolver a infeção, pelo que a pequena percentagem de pessoas que a desenvolve provavelmente estão com as defesas diminuídas (como por exemplo, devido a diabetes tipo I ou tipo II, ação das células T reduzidas, entre outros motivos).

Dermatofitoses mais comuns


 Existem mais de 40 espécies de fungos que podem causar doenças, sendo as infeções mais comuns no Homem as seguintes:
  • Tinea barbea, afeta a barba;
  • Tinea corporis – dermatofitose do corpo;
  • Tinea cruris – dermatofitose das dobras das virilhas;
  • Tinea capitis – dermatofitose do couro cabeludo;
  • Tinea pedis – dermatofitose dos pés ou o famoso pé-de-atleta;
  • Dermatofitose ungueal ou onicomicose.

Sintomatologia da dermatofitose


dermatofitose dermatologista a observar o couro cabeludo

Os sinais e sintomas1 desta patologia variam consoante o local da infeção (cabelo, pele e unhas) e podem-se manifestar da seguinte forma:
  • Pouca ou nenhuma inflamação (ou seja, raramente ocorre rubor, edema e calor);
  • As lesões podem apresentar um leve prurido (comichão) ou não se manifestarem;
  • Lesões no corpo podem apresentar bordas ligeiramente elevadas e com descamação, que podem passar por um ciclo de regressão e recidivas;
  • Em casos graves verificam-se lesões com vesícula ou bolha;
  • No couro cabeludo apresenta-se frequentemente sob a forma de placas de alopécia ou pêlos quebrados;
  • Nos pés pode-se manifestar através de vesículas pruriginosas, acompanhadas de intenso prurido, com descamação fina;
  • No caso de afetar a região ungueal (parte de baixo das unhas), as lesões são destrutivas, começando pela borda livre da unhas, levando depois a acumulação de queratina por baixo da unha. As unhas tornam-se quebradiças, com cor amarela e superfícies irregulares;
  • Quando atinge as virilhas, as lesões são avermelhadas, descamativas e acompanhadas de prurido, podento afetar toda a região perineal e nádegas;
  • No caso de pé-de-atleta, verificam-se frieiras nos espaços interdigitais e onicomicose.

Diagnóstico e tratamento da dermatofitose


 No caso desta patologia, o diagnóstico baseia-se na aparência clínica, bem como, no exame micológico com hidróxido de potássio ou através da cultura de pêlos.

A identificação dos microrganismos torna-se necessária no caso das infeções no couro cabeludo e unhas.

A dermatofitose tem cura e o tratamento deste tipo de infeções é relativamente simples, pelo que deve ser iniciado o mais rápido possível, de forma a evitar a extensão do quadro e a contaminação das pessoas que o rodeiam.

O seu tratamento2 poderá variar consoante o local da infeção, mas geralmente envolve sempre a toma de fármacos antifúngicos sistémicos pela via oral ou tópica (exemplo: cloridrato de terbinafina, clotrimazol, miconazol, entre outros).

Quando a lesão se encontra localizada, o tratamento de primeira escolha são os antifúngicos em creme, pomada, spray ou loção, 1 a 2 vezes por dia, com uma duração variável entre os 15 e os 30 dias, no entanto, no caso de afetar o couro cabeludo a duração do tratamento é de 90 dias, já para as onicomicoses das mãos a duração do tratamento leva 6 meses e dos pés 12 meses.

Pode ser necessário o recurso a medicação corticóide para diminuição da inflamação e do prurido.

É importante que fique com a noção de que, se o tratamento não for cumprido à risca, podem ocorrer complicações e resistência do fungo no local.

Formas de prevenção da dermatofitose


dermatofitose sapatilhas respiraveis

Para prevenir o aparecimento desta infeção, existem algumas dicas que pode colocar em prática diariamente, nomeadamente:
  • Fazer frequentemente um exame cuidadoso do couro cabeludo;
  • Ter um cuidado da higiene íntima, de forma a evitar a contaminação em wc’s públicos, balneários, piscinas e ginásios públicos;
  • Utilize roupa e calçado adequado, que favoreçam a circulação de ar;
  • Descontamine os sapatos e as meias frequentemente, utilize meias de algodão e troque várias vezes ao dia, ou sempre que sentir suor nos pés.

Fontes

  1. Peres, N. et al (2010) Dermatófitos: interação patógeno-hospedeiro e resistência a antifúngicos. scielo.br/pdf/abd/v85n5/v85n05a09.pdf
  2. Lana, D., et al (2016) Dermatofitoses: agentes etiológicos, formas clínicas, terapêutica e novas perspectivas de tratamento.
    researchgate.net/publication/314200099_Dermatofitoses_agentes_etiologicos_formas_clinicas_terapeutica_e_novas_perspectivas_de_tratamento

 

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.

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