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Corrimento amarelo: causas, sintomas e tratamento

O corrimento amarelo está normalmente associado a doenças sexualmente transmissíveis. Ao primeiro sintoma deve procurar um médico.

 
Corrimento amarelo: causas, sintomas e tratamento
Identifique os sinais de alarme

corrimento amarelo está, normalmente, relacionado a cervicite e a tricomoníase, duas das três doenças mais frequentemente associadas a corrimento vaginal. A estas soma-se a candidíase.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Ginecologia, a maioria das mulheres terá uma infecção vaginal durante a sua vida, caracterizada por corrimento, comichão ou odor.

A secreção vaginal é uma resposta fisiológica do organismo feminino, quando não existe doença envolvida. Apresenta-se de cor clara ou branca, sendo composta de líquidos cervicais, podendo variar na quantidade e no aspeto, dependendo do período do ciclo menstrual.

Quando existe algum processo infecioso ou inflamatório, as características da secreção modificam-se, caracterizando o corrimento vaginal. O corrimento pode ser causado por outras condições fisiológicas e patológicas, incluindo, vaginite atrófica. Problemas psicossexuais e depressão também podem ser episódios recorrentes de corrimento vaginal.

A presença de sinais objetivos de inflamação vulvar, na ausência de gérmens patogénicos identificados nos testes laboratoriais, sugere a possibilidade de irritação vulvar mecânica, química, alérgica ou outra não infeciosa (1).

Causas de corrimento amarelo


corrimento amarelo

1. Vaginite por Trichomonas Vaginalis

O Trichomonas é um parasita anaeróbio, flagelado, sexualmente transmitido. Possui uma alta taxa de transmissão e em mais de 60% dos casos está associado a vaginose bacteriana.

Em grávidas, a tricomoníase está associada com a ruptura de membrana, parto prematuro e retardo no crescimento intrauterino.

Os sintomas incluem corrimento branco, corrimento amarelo e bolhoso fétido, purulento, abundante e às vezes com comichão.

Pode haver hiperemia vaginal/vulvar, vermelhidão na vagina,  e colpite macular (colo do útero em forma de “morango”), em 50% das doentes há dispaurenia ( dor durante a relação sexual), dor pélvica e sintomas urinários.

Nos homens, a prevalência é muito menor, provavelmente, porque a infeção é benigna e assintomática. A via primária de transmissão é o contacto sexual, com um período de incubação entre quatro e 20 dias após a exposição ao protozoário. Fatores predisponentes para a transmissão do trichomonas incluem múltiplos ou novo parceiro sexual, ausência de barreiras contraceptivas – sexo desprotegido, e presença de outras doenças sexualmente transmissíveis.

O diagnóstico da tricomoníase em mulheres é baseado nos sintomas que a paciente apresenta, no exame pélvico e na avaliação laboratorial do corrimento vaginal. Requer tratamento sistémico, já que o protozoário pode ser encontrado no meio não vaginal, como na uretra e glândulas perivaginais, causando inflamação destes tecidos. O metronidazol em dose única é a melhor opção terapêutica. Os parceiros devem ser avaliados e também tratados.

No caso de estar a amamentar, deve suspender amamentação durante o tratamento e até 24 h após o término. Doentes afetadas devem ser rastreadas para outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e o VIH.

2. Vaginose bacteriana

A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. É caracterizada por um crescimento anormal de bactérias anaeróbias como Gardnerella vaginalis, Peptostreptococcus, Mobiluncus, Prevotella, Bacteroides e Micoplasma hominis, com concomitante diminuição de lactobacilos da flora normal.

A alcalinização repetida da vagina, isto é o aumento do pH normal, que pode ser resultante de relações sexuais frequentes, uso de duches vaginais ou período pré-menstrual, favorece a alteração da flora bacteriana vaginal. O “cheiro a peixe ” pode estar presente.

A vaginose bacteriana não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, uma vez que o tratamento do parceiro não diminui a frequência ou o intervalo das recorrências. Por outro lado, a frequência é maior nas mulheres com maior número de parceiros sexuais, sendo rara nas sexualmente inativas. Metade das mulheres com vaginose bacteriana são assintomáticas.

Os sintomas incluem, corrimento vaginal delgado, homogéneo e geralmente de cor branca, acinzentada, esverdeada, ou corrimento amarelo.

O diagnóstico da vaginose bacteriana baseia-se no exame do corrimento. O objetivo do tratamento é restabelecer a flora vaginal e aliviar os sintomas. Como medidas gerais, preconiza-se abstinência sexual e utilização de duches vaginais com peróxido de hidrogênio a 1,5 %. O tratamento farmacológico consiste em metronidazol ou clindamicina, nas formulações oral ou tópica.

O tratamento do parceiro sexual não tem mostrado benefícios nem redução das recorrências. Pacientes que estão fazendo uso do metronidazol devem ser instruídas a abster-se do álcool, durante a terapia, e por três dias após a suspensão do tratamento. Pacientes que usam a clindamicina creme devem ser informadas que, por se tratar de um creme à base de óleo, a efetividade de preservativos e diafragmas pode ser comprometida.

Em mulheres grávidas, a vaginose bacteriana está associada com a ruptura de membrana, parto prematuro e recém- nascidos com baixo peso.

3. Vaginite atrófica

A vaginite atrófica caracteriza-se por uma inflamação relacionada com a atrofia da mucosa vaginal, secundária a uma diminuição nos níveis de estrogénio.

A vaginite atrófica pode ocorrer na menopausa, período pós-parto, amamentação, em mulheres recebendo rádio ou quimioterapia ou ainda naquelas que estejam a tomar medicação anti-estrogénica (clomifeno e medroxiprogesterona, por exemplo). Com a diminuição do estrogénio, o epitélio vaginal torna-se fino e a lubrificação vaginal diminui. Estas alterações levam a uma redução na produção de lactobacilos e um aumento do pH, favorecendo o crescimento de coliformes, levando assim a produção do corrimento vaginal.

Além da diminuição da lubrificação vaginal, sintomas como irritação vaginal, secura, ardência, comichão e dispareunia ( dor durante a relação sexual) podem ocorrer. Os sintomas são corrimento amarelo, delgado, aquoso, malcheiroso, e ocasionalmente podendo conter sangue.

O objetivo inicial do tratamento da vaginose bacteriana é reduzir ou eliminar os sintomas da secura vaginal, ardência e prurido. Os lubrificantes íntimos têm a capacidade de humedecer temporariamente o tecido vaginal, fornecendo, à curto-prazo, alívio dos sintomas.

A vaselina não deve ser usada, pois é de difícil remoção da vagina. Géis lubrificantes solúveis em água são os mais indicados e podem ser aplicados tanto externa quanto internamente. A prevenção da secura vaginal pode requerer a prescrição de hormónios à base de estrogénio, principalmente se ocorrer durante a menopausa (2).

4. Cervicite/Uretrite

Inflamação do colo do útero, tem como principais agentes etiológicos: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. A Organização Mundial de Saúde recomenda o tratamento conjunto da gonorreia na presença de infecção por clamídia. As endocervicites são assintomáticas em 90 a 100% dos casos e aumentam o risco de doença inflamatória pélvica.

O corrimento é endocervical, geralmente corrimento amarelo ou esverdeado e purulento. Deve-se incluir o parceiro sexual no tratamento. (1)

Relação sexual desprotegida


corrimento amarelo

As relações sexuais desprotegidas são uma porta de entrada para várias patologias, e têm um impacto profundo na saúde de adultos e crianças em todo o mundo.

Se as doenças sexualmente transmitidas não forem tratadas, podem levar a problemas crónicos de saúde, que incluem doenças neurológicas e cardiovasculares, infertilidade, problemas na gravidez e no parto, que podem prejudicar mãe e bebé, além do risco de contrair o vírus VIH e desenvolver a SIDA, doença que ainda não tem cura.

O corrimento amarelo é um dos sintomas das doenças sexualmente transmitidas. Estes sintomas acabam por aparecer passado um tempo após o sexo desprotegido. Com o início da atividade sexual, homens e mulheres ficam expostos a estas doenças que, por não terem o mesmo estigma que uma infeção pelo VIH, podem ser mais negligenciadas.

Veja também:

Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Revisão dos Consensos em Infecções Vulvovaginais, 2012. Disponível em: http://www.spginecologia.pt/uploads/revisao_dos_consensos_em_infeccoes_vulgovaginais.pdf
  2. MONTEIRO, M. (2014). Serviço de uroginecologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/gob/2014/infeccoes_vaginais_10102014.pdf

Danielle Paiva Danielle Paiva

Licenciada em Medicina e Farmácia & Bioquímica pelo Centro Universitário de Nilton Lins, Danielle também é Mestre em Engenharia Industrial e Qualidade pela Universidade do Minho. Atualmente é voluntária na Cruz Vermelha onde desenvolve diversas ações de saúde.

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