Crónica #7: vamos lá fazer um bebé!

Crónica #7: vamos lá fazer um bebé!

A minha gravidez sem pós de perlimpim

Dois anos depois chega o dia que tanto aguardamos: vamos fazer um bebé. E foi quase tão divertido e romântico como se tivesse sido entre os lençóis.

É hoje. Seis de abril de dois mil e dezasseis. Não estou nervosa. Estou excitadíssima e com a boa disposição nos píncaros. Depois de dois anos de desilusões, do medo do resultado dos exames, da estupidez alheia, das injeções e de dezenas de euros gastos… estou pronta. Não é todos os dias que se faz um bebé. Hoje é o dia. 

Para me sentir ainda mais confiante, escolhi um dos meus vestidos preferidos, deixei o cabelo secar livre e solto para ficar bem volumoso, pintei os lábios de vermelho, coloquei o terço de Santa Rita no pulso e fui, sorridente e saltitante. Ao início da tarde, ele já lá tinha estado para deixar a recolha - ninguém merece! Durante todo o dia, no grupo do Whatsapp, eu e as minhas primas fomos trocando mensagens como gritos de incentivo aos meus folículos e aos espermatozoides dele, orações, a minha prirmã enviou-me o “Funico Li Funico La” (não sei se estão a ver o trocadilho…), tudo a enviar boas energias, super a acarditar, de terços de Santa Rita na mão, num esoterismo louco, parvo e quentinho.

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Na recepção, a assistente tirou-me uma fotografia para o processo e alegrou-se com o meu ar descontraído, os lábios vermelho vivo e com o meu esquentamento habitual. Do outro lado do corredor, o Dr. Teixeira que ia a passar e me viu de leque em riste, gritou “Ó Manela!, abra as janelas!”. Uma animação! Regressei à sala de espera onde esperei sozinha mas sorridente. Ele estava a caminho. Pouco depois chegou um casal, não tão sorridente, doí-me por eles mas não me deixei abater. Ele chegou e eu sorri mais um bocadinho. Estava na hora de entrar e fomos encaminhados para uma sala onde me despi e deitei numa marquesa. Estou tão eufórica e feliz como no dia do casamento. Vamos fazer um bebé - se possível, dois! 

Chega o Dr. Cris. Bem-humorado como sempre. Trocamos umas graçolas, eu gozo com ele e ele comigo, prepara-se a coisa e vamos lá de enfiar minhocas cá para dentro. Ora bem, o que dizer sobre o procedimento? Não é doloroso mas é ligeiramente desconfortável, quase como um papanicolau. E faz impressão. Ou a mim faz porque estou a imaginar o que está a passar nas minhas entranhas e tenho que fazer um esforço para me abstrair. 

Está feito. Agora é aguardar meia-hora e podemos ir para casa (ou ao Capa Negra comer uma francesinha que já tenho desejos!). Continuamos a sorrir, a fazer piadas e a gozar uns com os outros. “Parabéns, não é muito habitual encontrar um casal, ou melhor, uma mulher, que encare este tipo de procedimentos com esta disposição”, diz o Dr. Cris. “Diga lá, ó doutor, sou a freguesa mais fixe que cá tem, não sou?”

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