Crónica #28: nada para vestir

Crónica #28: nada para vestir

A minha gravidez sem pós de perlimpim

Suponho que marcas e comerciantes estejam a contar com as hormonas descontroladas das grávidas mas isto não é normal.

Não é bem nada para vestir mas anda lá muito perto. A sério, quem é que tabelou o preço da roupa da canalha? Onde é que o pessoal estava com a cabeça quando decidiu que cobrar 40 euros por uma babygrow de recém-nascido, que vai servir, no máximo, duas semanas, era boa ideia? Que loucura é esta? Estou bem arranjada. 

Das duas uma: ou visto o rapaz com fatos-de-treino, dia sim, dia sim, ou tenho que me contentar com roupas cheias de bonecada pirosa, tecidos de qualidade duvidosa e em cores que metem medo ao menino Jesus. Dizem: “Mas percebe, a roupa de bebé é muito pequenina e é difícil de fazer”… não me lixem - com "F"! Há por aí muito bodie da feira com um lacinho colado com cola quente a custar verdadeiras fortunas! Pior: o povo compra. Ando invejosa com as vossas carteiras, que eu sei lá, minha gente.

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Não há condições, tampouco me faz sentido esse investimento para meia dúzia de dias, por isso, faço um apelo público: parem de me enviar páginas do Facebook de marcas giras nas horas e cheias de amorosidades para bebés e crianças. Parem!

Eu sei que metralhei as minhas amigas grávidas com o mesmo mas, perdoem-me, eu não sabia. Eu não sabia que isto se colava no nosso cérebro e que de sonhos se transformavam em pesadelos em menos de nada.

Não me entendam mal, venham a mim todas as Wedoble, as Paz Rodríguez, as Grace Baby & Child, as Knot, as Dulces e as Laranjinha desta vida, que as amo a todas de paixão, sem ordem de preferência. Venham, mas eu fico a dever porque o meu orçamento não permite. 

Faltam doze semanas e quatro dias para o Pedrinho sair cá para fora e, por este andar, a criança vai saltar para o mundo com um roupeiro gigante e nada para vestir.

É aqui que começa a culpa nas mães, não é?

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