Perturbação Obsessivo-Compulsiva: tudo o que precisa de saber

Pessoas com perturbação obsessivo-compulsiva têm pensamentos estranhos, rituais e comportamentos repetitivos, que não conseguem controlar e que podem ocupar horas dos seus dias. É altamente incapacitante para quem dela sofre e muito angustiante para a família que apoia. Vamos conhecer sintomas, causas e tratamento.

Perturbação Obsessivo-Compulsiva: tudo o que precisa de saber
A incapacidade produzida pela doença pode ir de ligeira a muito grave.

A perturbação obsessivo-compulsiva é complicada e interfere de uma forma angustiante com a vida quotidiana de qualquer pessoa que tenha esta doença.

Para além de interferir nas várias atividades, a perturbação obsessivo-compulsiva torna-se incómoda e angustiante não só para os doentes, mas também para os seus familiares e amigos.

O que é a perturbação obsessivo-compulsiva (POC)?


 perturbacao obsessivo-compulsiva

A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença caraterizada por pensamentos recorrentes, incontroláveis e desagradáveis (obsessões) ou/e por comportamentos repetitivos e ritualizados (compulsões), que o doente não consegue evitar nem controlar.

1. Obsessão

As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes e persistentes.

Quem sofre de perturbação obsessivo-compulsiva sente que estes pensamentos são intrusivos e indesejados, causando muita ansiedade e elevado mal-estar.

Algumas das obsessões mais comuns são:

  • Obsessão com sujidade, micróbios e contaminação;
  • Medo de atuar impulsivamente de forma agressiva;
  • Medo de provocar acidentes se não executar determinado ritual;
  • Preocupação excessiva com a ordem, a colocação e a simetria dos objetos;
  • Incapacidade de deitar fora objetos inúteis.

Como forma de ignorar ou eliminar estes pensamentos, o doente leva a cabo uma ação, isto é, uma compulsão.

2. Compulsão

As compulsões são comportamentos repetitivos (por exemplo, lavagem de mãos) ou atos mentais (por exemplo, rezar) que o doente se sente obrigado a fazer em resposta às obsessões ou de acordo com regras que sente terem de ser aplicadas rigidamente.

Estes comportamentos têm como objetivo prevenir ou reduzir a ansiedade e o mal-estar, contudo são claramente infrutíferos e excessivos.

Algumas das compulsões mais comuns são:

  • Lavar e limpar;
  • Verificar (por exemplo, se todas as portas estão bem fechadas);
  • Atos repetitivos como tocar em certos objetos, contar, organizar ou arrumar objetos por número, tamanho ou cor.

Quem sofre desta perturbação reconhece que as suas obsessões e compulsões são irracionais e excessivas, mas não tem controlo sobre elas.

As obsessões e compulsões consomem imenso tempo do dia-a-dia doente, podendo prejudicar a sua vida pessoal, profissional e social.

Caraterísticas da perturbação obsessivo-compulsiva


mulher a verificar as unhas com lupa

Em que idade aparece a POC e como é a sua progressão?

A perturbação obsessivo-compulsiva inicia, de forma habitual, na adolescência ou no início da idade adulta. Contudo, esta doença também pode surgir na infância.

Quando a perturbação não é devidamente tratada pode tornar-se crónica, situação em que os sintomas vão oscilando, ora melhorando, ora piorando.

A perturbação obsessivo-compulsiva pode agravar de tal forma que os sintomas se tornam graves e incapacitantes, podendo em alguns casos de incapacidade absoluta haver a necessidade de internamento.

No entanto, um grande número de pessoas consegue manter uma vida diária funcional apesar dos sintomas da POC.

Quantas pessoas sofrem de POC?

Esta perturbação mental já foi encarada como sendo uma doença rara. Contudo, sabemos que cerca de 2-3%da população sofre de perturbação obsessivo-compulsiva.

Ocupa o quarto lugar entre as perturbações mentais mais frequentes e está entre as dez maiores causas de doenças incapacitantes.

Quais são as possíveis causas da POC?


mulher maniaca com as limpezas

As causas exatas para o aparecimento da POC permanecem desconhecidas e não parece existir uma causa única.

Contudo os investigadores suspeitam tratar-se de um desequilíbrio bioquímico no cérebro.

Este desequilíbrio pode ser hereditário já que diversos estudos mostram que este distúrbio apresenta um carácter familiar (maior prevalência da POC em familiares diretos dos doentes).

Adicionalmente, fatores psicológicos e do ambiente em que vivemos e crescemos podem agravar os sintomas.

Que tratamento há para a POC?


Terapias farmacológicas:

tratamento farmacologico da POC

Muitas das pessoas com POC necessitam de tratamento medicamentoso.

Há vários medicamentos disponíveis e a sua escolha obedece a critérios médicos, de acordo com o perfil de cada doente.

Terapia cognitivo-comportamental:

terapia da POC

Consiste em ensinar o doente a lidar com a ansiedade produzida pelas obsessões e a reduzir ou eliminar as compulsões.

É pedido ao doente que enfrente as coisas que teme e que se abstenha de realizar os rituais compulsivos e que aprenda um conjunto de técnicas para lidar com a ansiedade.

É uma terapia muito exigente em termos emocionais pelo que é importante que o doente disponha de uma rede de apoio social que o apoie.

A abordagem terapêutica mais eficaz é a combinação de tratamento medicamentoso com a terapia cognitivo-comportamental.

Muitas vezes, o tratamento inclui também um plano de ajuda para os familiares mais próximos que acabam por se ver também envolvidos na doença.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!