Candidíase feminina: porque aparece, sintomas e como tratar

A Candidíase feminina é bastante comum. Cerca de 3 em cada 4 mulheres padecem desta doença pelo menos uma vez na vida. Geralmente não são um grande perigo para a saúde.

Candidíase feminina: porque aparece, sintomas e como tratar
Fique a conhecer várias dicas para o seu bem-estar íntimo.

A mucosa vaginal está coberta por milhões de bactérias, sendo que esta flora íntima comporta-se como uma barreira de proteção.

Quando a flora fica desequilibrada, um fungo Candida albicans, pode desenvolver-se e provocar a designada candidíase feminina ou vaginal (ou vaginite). Isto significa que este fungo é oportunista, ou seja, está presente naturalmente na flora vaginal sem causar quaisquer danos, no entanto basta que haja um distúrbio na flora, alteração de pH ou alguma fragilidade a nível imunitário, que a Candida albicans pode multiplicar-se causando uma infeção, a candidíase feminina.

É importante ressalvar que as principais causas não são, ao contrário do que se possa pensar, a utilização de casas de banho públicas, falta de higiene ou a existência de múltiplos parceiros.

Principais causas para o aparecimento de Candidíase feminina


gravidez e candidiase feminina

Existem  diversos fatores que contribuem para desequilibrar a flora vaginal:

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  • Toma de antibióticos;
  • Frequentar zonas quentes e húmidas (piscina, sauna…);
  • Higiene íntima excessiva ou com produtos inadequados;
  • Limpeza incorreta do ânus, o que faz com que microrganismos da região perianal possam colonizar a vagina;
  • Diabetes – as mulheres com diabetes têm um nível de glicose (açúcar) nos tecidos mais elevado, o que constitui um ambiente preferencial ao desenvolvimento dos fungos, em termos da sua alimentação e reprodução;
  • Gravidez;
  • Menstruação;
  • Excesso de desporto;
  • Roupa interior sintética e demasiado justa.

Quais os sintomas da Candidíase feminina?


Os sintomas, embora possam facilmente ser eliminados, tratando o local de infeção e acalmando a irritação, são bastante desagradáveis e incómodos.

São 4 os principais sintomas e que normalmente caracterizam uma candidíase feminina:

  • Comichão;
  • Vermelhidão;
  • Ardor;
  • Corrimento mais espesso, de cor branca amarelada e com grumos, com ou sem alteração de odor.

Como tratar a Candidíase feminina?


pomada e candidíase feminina

O tratamento da candidíase deve ser iniciado aos primeiros sintomas, uma vez que a proliferação do fungo pode ocorrer de modo relativamente rápido.

Para tal, recorre-se a cremes de aplicação local que contenham como substância ativa um antifúngico, como clotrimazol, sertaconazol, econazol ou outro. Estas substâncias podem ainda ser utilizadas em formulações em forma de óvulos (ou comprimidos vaginais) que são introduzidos na vagina, com aplicador próprio.

Existe ainda a possibilidade de recorrer a tratamento por via oral. Por norma, o princípio ativo utilizado é o fluconazol, sendo geralmente reservado a situações que não respondam favoravelmente à medicação local.

O tratamento pode também incidir na reconstrução da flora intima e não apenas na eliminação do fungo, uma vez que é muito importante para evitar recidivas.

Para tal, pode recorrer-se à toma de probióticos ou à aplicação local de formulações em gel que com um efeito prebiótico ajudam a manter uma saudável flora vaginal, apoiando o crescimento de bactérias (lactobacilos) benéficas.

É ainda de extrema importância o tratamento do respetivo parceiro sexual devido ao elevado risco de contágio.

Como evitar recidivas deste fungo?


Existem cuidados simples para impedir o desenvolvimento da candidíase feminina e evitar recidivas:

  • Utilizar produtos para higiene intima com pH idêntico à flora vaginal, sem perfume e especialmente concebido para o efeito;
  • Evitar utilizar agentes agressivos, como toalhitas ou duches vaginais;
  • Utilizar roupa interior de algodão e evitar roupa apertada;
  • Com a menstruação, trocar frequentemente o tampão e utilizar pensos de algodão;
  • Com a toma de antibióticos, nunca esquecer os suplementos alimentares à base de probióticos adaptados à flora vaginal.

O que comer para ter uma boa flora vaginal?


probióticos e candidíase feminina
A composição da flora vaginal depende da alimentação.

Conheça os alimentos que auxiliam na manutenção do equilíbrio:

  • Os produtos fermentados são uma boa fonte de lactobacilos: iogurtes, azeitonas, queijos fermentados e leites fermentados (por exemplo, kefir);
  • As frutas e legumes fornecem fibras que nutrem as bactérias, como alcachofra, figo, espargos, banana, cebola, alho francês. Consumir de preferência crus ou a vapor;
  • Evitar o consumo excessivo de açúcar (refrigerantes, sumos, chocolates, bolos) que favorecem a multiplicação fúngica;
  • Ter cuidado com o excesso de proteínas, ácidos gordos trans e edulcorantes que desequilibram todas as floras do organismo, não só a vaginal.

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Cátia Rocha Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.