Esquizofrenia: entenda a doença que atinge cerca de cem mil pessoas em Portugal

A esquizofrenia é um transtorno mental grave no qual as pessoas interpretam anormalmente a realidade. Fique a conhecer melhor neste artigo.

Esquizofrenia: entenda a doença que atinge cerca de cem mil pessoas em Portugal
Esquizofrenia, como entender este distúrbio mental?

A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que afeta o modo como uma pessoa pensa, sente e se comporta. As pessoas com esquizofrenia podem parecer que perderam o contacto com a realidade.

Os sintomas podem tornar-se incapacitantes, resultando em alucinações, delírios e pensamento extremamente desordenado o que afeta todas as atividades diárias. Caracteriza-se assim pela incoerência mental, alteração de personalidade e rutura de contacto com o mundo exterior.

A esquizofrenia é uma doença crónica, que exige tratamento ao longo da vida.

Os sintomas da esquizofrenia geralmente começam entre os 16 e 30 anos.

QUAIS OS SINAIS E SINTOMAS DA ESQUIZOFRENIA?


esquizofrenia sintomas

Os sintomas da esquizofrenia dividem-se em três categorias: positiva, negativa e cognitiva.

1. Sintomas positivos

São comportamentos psicóticos geralmente não vistos em pessoas saudáveis. Doentes com esta categoria de sintomas por norma perdem o contacto com alguns aspetos da realidade, envolvendo um excesso ou distorção das funções normais. Os sintomas incluem:

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  • Alucinações – Podem envolver sons, imagens, odores, gostos ou toques, embora as alucinações envolvendo sons (alucinações auditivas) sejam as mais frequentes.
  • Delírios – Por exemplo, as pessoas com esquizofrenia podem apresentar delírios de perseguição, crer que estão a ser atormentadas, perseguidas, enganadas ou espiadas. Podem ainda tratar-se de delírios de referência, que levam a acreditar que certas passagens de livros, jornais ou canções se dirigem especificamente a elas.
  • Distúrbios do movimento – movimentos agitados do corpo.

2. Sintomas negativos

Estão associados a perturbações das emoções e comportamentais, com diminuição ou perda de funções normais. Os sintomas incluem:

  • Falta de expressão emocional – Expressão reduzida de emoções através da expressão facial ou tom de voz. A face pode parecer imóvel. Situações que normalmente as fariam rir ou chorar podem não provocar nenhuma reação.
  • Pobreza discursiva ou diminuição da fala com respostas curtas e concisas.
  • Redução da capacidade de sentir prazer nas atividades quotidianas (Anedonia).
  • Falta de interesse em relacionar-se com outras pessoas.

3. Sintomas cognitivos

Para alguns doentes, os sintomas cognitivos da esquizofrenia são subtis, mas para outros, são mais graves e os próprios doentes podem aperceber-se das mudanças na sua memória. Os sintomas incluem:

  • Redução da capacidade de compreender a informação e processá-la para tomar decisões.
  • Redução da capacidade de apreender de imediato a informação.
  • Pensamento desorganizado.
  • Problemas de concentração e foco (ao ponto de não conseguir ler ou acompanhar uma história, um filme ou um programa de televisão).

 

QUAIS AS CAUSAS DESTE DISTÚRBIO MENTAL?


fatores hereditarios e esquizofrenia

Desconhece-se qual seja exatamente a causa da esquizofrenia, mas pesquisas atuais sugerem uma combinação de fatores hereditários e ambientais.

No entanto é, fundamentalmente, um problema genético. As pessoas que têm um progenitor ou um irmão com esquizofrenia têm um risco de cerca de 10% de desenvolver o distúrbio em comparação com um risco de 1% para o resto da população.

Um gémeo cujo irmão gémeo tenha esquizofrenia tem um risco de 50% de desenvolver a doença. Essas estatísticas sugerem a hereditariedade como principal fator da doença.

Outras causas podem ser problemas ocorridos antes, durante ou depois do nascimento, como infecção pelo vírus influenza durante o segundo trimestre da gravidez, privação de oxigénio no momento do nascimento, baixo peso ao nascer ou incompatibilidade de tipo sanguíneo entre mãe e filho.

COMO TRATAR A ESQUIZOFRENIA


psicoterapia e esquizofrenia

Sendo a esquizofrenia um distúrbio mental, o seu tratamento não se deve reduzir apenas aos medicamentos. As relações interpessoais são uma parte fundamental do nosso quotidiano e portanto, existem complementos que permitem contribuir para o bem-estar do doente, influenciando o seu comportamento em sociedade.

Os medicamentos antipsicóticos, a reabilitação e atividades com apoio comunitário e a psicoterapia são os três componentes principais do tratamento.

Estes visam reduzir a gravidade dos sintomas psicóticos, evitar a recorrência dos episódios sintomáticos e a deterioração das funções a eles associada.

Os medicamentos antipsicóticos são geralmente tomados diariamente em comprimidos ou em forma oral líquida, conforme prescrito pelo médico.

Estes medicamentos podem ter reações adversas significativas, como sedação, rigidez muscular, tremores e inquietação motora. Estas reações devem ser notificadas em portal próprio.

As atividades comunitárias de apoio têm como objetivo que o doente consiga viver em comunidade, que consiga cuidar de si mesmo, manter o relacionamento com as pessoas e trabalhar.

O auxílio da psicoterapia consiste em estabelecer uma relação de colaboração entre o doente, a família e o terapeuta. Deste modo, o doente pode compreender e aprender a lidar com a sua doença, a tomar os medicamentos antipsicóticos como foram prescritos e a encarar as situações de stress que possam agravar a doença.

COMO CONVIVER COM ALGUÉM COM ESQUIZOFRENIA?


conviver com alguem com esquizofrenia

Cuidar e apoiar alguém com esquizofrenia pode ser difícil. Pode ser difícil saber como responder a alguém que faz declarações estranhas ou claramente falsas. É importante entender a esquizofrenia.

Assim, é essencial tomar medidas. De realçar as seguintes:

  • Procurar ajuda médica especializada, obter um tratamento eficaz e incentivar a pessoa a não parar com este;
  • Lembrar-se que as suas crenças, delírios ou alucinações são reais para eles;
  • Ser respeitoso, solidário e amigo, mas sem tolerar comportamentos perigosos ou inapropriados;
  • Verificar grupos de apoio.

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Cátia Rocha Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.