Alimentos com calorias negativas: Existem mesmo?

Alimentos com calorias negativas: Existem mesmo?

Bem-vindo ao mundo encantado das calorias negativas.

A teoria das calorias negativas parece boa demais para ser verdade… Será mesmo assim ou será mais uma mentira bem contada? Venha descobrir!

Será que existem mesmo alimentos que gastam mais calorias a serem metabolizados do que aquelas que possuem intrinsecamente? Poderão ter assim calorias negativas?

Quando ingere um alimento, é necessário que o organismo gaste uma determinada quantidade de energia para processar todos os nutrientes e vitaminas existentes nesse alimento. 

Imagine agora que esse alimento é uma maçã que fornece 50 calorias (Kcal). O que esta teoria nos diz é que o organismo pode gastar mais calorias para digerir essa maçã do que as 50 calorias que foram, inicialmente, fornecidas pela mesma.

Deste modo, vai acabar por ter um défice de calorias, promotor de perda de peso.

Mas quantas calorias extra vai o seu organismo queimar? É variável de pessoa para pessoa, mas poderá ascender a 150% das calorias existentes no alimento. No caso da maçã, seriam 25 calorias extra que iria conseguir queimar, ou seja, o saldo seria de 25 calorias negativas.

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Num pressuposto teórico, a ideia na base desta teoria diz que certos alimentos, em vez de fornecer, retiram calorias do organismo, porque obrigam-no a gastar energia (calorias) extra para os digerir, ou seja, é mais custoso do ponto de vista energético a metabolização destes alimentos do que o valor calórico que nos aportam. 

Assim, incluir alimentos com calorias negativas na sua alimentação pode ajuda-lo a emagrecer. Neste contexto, uma série de alimentos com baixo valor calórico e alta quantidade de fibra, têm sido propostos como alimentos com calorias negativas.



Quais são os alimentos que possuem calorias negativas?


Legumes


1.  Frutas

Abacaxi, ameixa, amora, framboesa, laranja, limão, maçã, manga, melancia, melão, morango, nectarina, pêssego e tangerina. 



2.  Hortícolas

Aipo, agrião, alface, espargo, beterraba, beringela, brócolos, cebola, cenoura, chicória, couve, couve-flor, espinafre, nabo, pepino, pimenta-vermelha, pimentão, salsa, repolho e tomate. 


Mas será que comer estes alimentos acelera mesmo a sua perda de peso? Só se os comer em vez de bolos e batatas fritas. Por outras palavras, não pode comer um bolo e depois queimar as calorias, comendo quilos de aipo. Coma primeiro o aipo. Com um pouco de sorte, já vai estar muito cheio para comer o bolo.

De facto, por si só, estes alimentos não emagrecem, ou seja, não basta ingeri-los para conseguir emagrecer. Apesar de na teoria parecer um conceito interessante, não existem estudos que comprovem que, de facto, existam alimentos com calorias negativas. 

Assim, as listas de alimentos com calorias negativas que encontra na Internet não passam de listas de alimentos com poucas calorias. Todavia, isso não deve ser encarado como uma deceção, uma vez que, independentemente do fim, a ingestão dos alimentos acima citados constitui-se como uma vantagem. 

Efetivamente, há muitas razões pelas quais devemos privilegiar os alimentos referidos em detrimento de outros: 

1.    Devido ao valor calórico reduzido que apresentam, facilitam a ocorrência de um balanço energético negativo no final do dia e a perda de peso, pois ao substituir alimentos mais calóricos, por estes, reduz o seu consumo total de calorias; 

2.    São ricos em fibras, promovendo uma maior saciedade e a regularidade do trânsito intestinal;

3.    Promovem um maior aporte de vitaminas e minerais importantes para equilíbrio metabólico e desintoxicação do organismo. 



Calorias negativas vs Efeito térmico dos alimentos


Analisando detalhadamente a questão, chegamos à conclusão que o potencial efeito das calorias negativas de alguns alimentos está, de certa forma, relacionado com o “efeito térmico dos alimentos”. O efeito térmico dos alimentos consiste nas calorias que o nosso organismo despende, sob a forma de calor, durante a digestão, absorção, transporte e armazenamento dos nutrientes desse alimento. 

A este nível são as proteínas que dão “mais trabalho” ao nosso organismo ao consumirem 20% a 30% do seu valor calórico neste processo, seguidas dos hidratos de carbono (5% a 10%) e das gorduras (0 a 5%). Também alimentos ricos em fibras (hortofrutícolas e alimentos integrais) têm um efeito térmico superior, visto que exigem um maior gasto energético durante a mastigação, digestão e absorção dos nutrientes. 

Por outro lado, existem alimentos como o pimento, malagueta, café, chás e, eventualmente, o gengibre, que possuem elevado efeito térmico porque possuem, na sua composição, substâncias com efeito estimulante no aumento da temperatura corporal (termogénese) e do metabolismo basal, promovendo um maior gasto energético em repouso.


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Concomitantemente, temos o exercício físico, que ao contribuir para uma melhoria da composição corporal (auxilia no aumento de massa muscular e na diminuição de massa gorda) interfere, positivamente, nas três formas de que dispomos para “queimar” calorias: aumenta a termogénese e, consequentemente, o metabolismo basal, aumenta o efeito térmico dos alimentos e aumenta o gasto energético decorrente de toda a atividade física efetuada.

Também a adoção de um padrão alimentar com refeições mais frequentes e regulares, ao invés de uma grande volatilidade no número diário de refeições, ajuda a aumentar a termogénese e o metabolismo basal. 

No entanto, é importante referir que esta perspetiva da termogénese não deve ser levada ao extremo. Isto é, fumar, apanhar frio ou estar de pé também são atividades que aceleram o nosso metabolismo e que não são necessariamente mais saudáveis ou agradáveis. 

Em suma, a teoria das calorias negativas não nos ensina nada de novo: ingerir muitos legumes e fruta com poucas calorias, manter estável o número de refeições diárias e aumentar a prática de exercício. 


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Rita Lima Rita Lima

Rita Lima é nutricionista e trabalha, atualmente, no Boavista FC e nos ginásios Welldomus Fitness and SPA e CulturaFit Club no Porto. Durante 2 anos colaborou no projeto Dragon Force do Futebol Clube do Porto. É licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma.