Agorafobia: o medo de ter medo!

A agorafobia é uma perturbação mental muitas vezes associada à ansiedade e perturbação de pânico. Através da psicoterapia e utilização de alguns medicamentos é possível controlar e até curar esta doença.

Agorafobia: o medo de ter medo!
Os indivíduos afetados sentem um medo incontrolável e incapacitante.

agorafobia consiste numa perturbação da ansiedade. A sua característica principal é o medo de estar em locais ou situações de onde seja impossível fugir ou a fuga seja embaraçosa, ou nos quais não haja possibilidade de ser ajudado no caso de ocorrer um ataque de pânico ou sintomas semelhantes.

Os indivíduos afetados sentem um medo incontrolável de determinadas situações ou locais (por exemplo, afastar-se de casa, ter de esperar numa fila, estar no meio de uma multidão ou em espaços públicos, como grandes superfícies, cinema ou transportes, entre outros) levando, normalmente, a que os mesmos sejam evitados. Isto impede, muitas vezes, o indivíduo de se deslocar para o emprego, por exemplo, ou realizar outras tarefas rotineiras do dia-a-dia, tornando-se muito incapacitante.

Quais são os sintomas da agorafobia?


agorafobia e palpitacoes

Na maior parte dos casos a agorafobia surge associada à perturbação de pânico, uma vez que, para além do medo, a pessoa pode vivenciar os seguintes sintomas:

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  • Palpitações;
  • Ritmo cardíaco acelerado;
  • Suores;
  • Tremor;
  • Dificuldade em respirar;
  • Sensação de sufoco ou dor no peito;
  • Sentimento de morte iminente.

Perante este problema, existem várias situações que passam a ser antecipadas com muita ansiedade. Em muitos casos, passam mesmo a ser evitadas ou o indivíduo só conseguir enfrentá-las quando acompanhado por alguém da sua confiança ou algum objecto que lhe transmita segurança.

Esta perturbação surge mais frequentemente nas mulheres do que nos homens.

Fatores de risco da agorafobia


Recentemente, um estudo americano descobriu que indivíduos com personalidades dependentes e evitantes apresentam uma maior tendência para desenvolver um quadro de perturbação de pânico e/ou agorafobia. Sintomas de insegurança e ansiedade na infância podem ser vistos como indicadores do aparecimento de uma perturbação de pânico na vida adulta.

A agorafobia é definida como uma perturbação multifactorial, uma vez que, na sua origem, se encontram factores genéticos, biológicos, cognitivos e psicossociais.

Influência da experiência e estilo de vida na agorafobia


medo e experiencia social

Para os indivíduos com predisposição para o problema, a exposição a um único evento, que seja vivenciado demasiado intensamente pode ser suficiente para desencadear um quadro de agorafobia. A partir daí, pode criar-se uma ansiedade antecipatória, ou seja, o medo de ter medo. Assim, surge como um ciclo vicioso, isto é, quanto maior a ansiedade, mais a situação ou lugar são evitados, e mais ansiedade será sentida em situações futuras.

Ao contrário de que as pessoas acreditam, o evitamento da situação desencadeante, aumenta o medo de as conseguir ultrapassar, uma vez que faz-se uma aprendizagem disfuncional da situação.

Os indivíduos ficam com a percepção de que não têm realmente competências para lidar com a situação, visto que os evitamentos sucessivos reforçam a ideia de incapacidade para lidar com o problema adequadamente.

O excesso de zelo, a que se assiste a nível educacional nos dias de hoje, poderá também levar a uma diminuição das competências para lidar com situações novas, criando-se um possível pico de ansiedade se o indivíduo for exposto sem preparação prévia. Assim, pode surgir um quadro de ansiedade antecipatória e, possivelmente, agorafobia.

Se uma criança tiver como modelos próximos indivíduos com agorafobia, pode adquirir esses comportamentos por modelagem, não sendo eles os doentes propriamente ditos, mas agindo como tal.

Tratamento da agorafobia


tratamento psicologico

Na maior parte dos casos, o tratamento é feito com recurso a ansiolíticos devido à ansiedade que os indivíduos afetados sentem e os sentimentos de impotência e incapacidade que acarreta a falta de competências para enfrentar variadas situações, e a frustração que isso provoca.

A psicologia dispõe de diversas técnicas psicológicas que podem ajudar no tratamento, como a terapia cognitivo-comportamental. Esta terapia inclui, entre outras, a educação psicológica sobre a agorafobia, treino de relaxamento e controlo da respiração, reestruturação cognitiva e exposição gradual e mediatizada (por exemplo, realidade virtual).

Entre as terapias breves mais actuais, existem também o EMDR e o Brainspotting que apresentam ótimos resultados. Estas terapias são focalizadas e utilizam a estimulação cerebral bilateral.

Actualmente, sabe-se que que o tratamento farmacológico aliado à psicoterapia é mais eficiente que qualquer uma das modalidades utilizada isoladamente.

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Isabel Silva Isabel Silva

Isabel Silva é enfermeira por paixão, licenciada pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Sempre quis seguir a área da saúde e acredita que a informação é uma ferramenta essencial para a saúde da população, e que cabe aos profissionais de saúde transmiti-la de forma relevante e fidedigna para que cada indivíduo seja capaz de tomar decisões importantes relativamente à sua saúde e ao seu bem-estar.