O efeito viciante do açúcar que o faz desesperar por doces!

Gelado, chocolate, bolachas... já se sente a salivar? Não se admire: é o efeito viciante do açúcar. Nós explicamos-lhe em que consiste e como lhe resistir.

O efeito viciante do açúcar que o faz desesperar por doces!
Descubra porquê que os doces são tão sedutores e como lhes resistir.

Não admira que a maior parte das pessoas esteja sempre a desesperar por doces! Tal anseio incontrolável deve-se ao efeito viciante do açúcar, sobre o qual pretendemos lançar um pouco de luz. De facto, sabendo que o açúcar, nas suas várias formas, se encontra na maior parte dos alimentos que consumimos, torna-se imprescindível que aprofundemos o nosso conhecimento sobre aquilo a que muitos chamam “a droga legalizada”.

Vamos então colocar três perguntas concretas, cujas respostas nos ajudarão a perceber exatamente as consequências, as opiniões especializadas e como devemos atuar face ao efeito viciante do açúcar, controlando a sensação de desespero que nos invade quando pensamos numa guloseima.
 

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DO AÇÚCAR PARA O NOSSO CORPO?



O açúcar cria uma explosão de prazer, deixando-nos a desejar sempre um pouco mais. Nas reações que despoleta é, pois, bastante semelhante a uma droga, o que explica o efeito viciante. Mas quais são as consequências reais desta substância para o nosso corpo? Nós explicamos:
 

1. Sensação de prazer semelhante a vício em drogas ou álcool

O açúcar não só assegura elevados picos do neurotransmissor do prazer, a dopamina, que nos deixa a desejar sempre um pouco mais, como alimenta também a serotonina, a chamada hormona da felicidade.

Isto significa que quando se ingere açúcar, o cérebro ilumina-se nas mesmas áreas que quando se bebe álcool ou consome drogas. Este efeito surpreendente foi comprovado por uma equipa de pesquisadores, mediante TACs aos cérebros de algumas pessoas enquanto estas ingeriam doces.
 

2. Estado de cansaço e desânimo

Numa alimentação normal, quando ingerimos hidratos de carbono, é libertada uma hormona chamada insulina, responsável pela redução dos níveis de açúcar no sangue, que promove o transporte da glicose (açúcar) para as células do fígado, músculo e tecido adiposo. 

No entanto, quando ingerimos elevadas quantidades de açúcar, dá-se um pico dos níveis de insulina, que recolhe rápidamente o açúcar do sangue. O descréscimo de açúcar no sangue após a ação da insulina resulta numa sensação de cansaço, por vezes semelhante a uma sensação de hipoglicemia.
 
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3. Perdas de memória e dificuldades em raciocinar

Pesquisas realizadas na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, sugerem que a ingestão elevada de açúcar pode prejudicar a forma como processamos ideias, gerimos as nossas emoções ou mesmo como nos recordamos das mais simples instruções. Isto porque o açúcar forma radicais livres na membrana cerebral, causando dificuldades na comunicação entre as células do sistema nervoso.
 

4. Envelhecimento precoce 

A presença de açúcares simples em demasia no nosso organismo despoleta reações químicas (nomeadamente a glicação) que prejudicam o funcionamento de moléculas constituintes da pele como o colagénio e a elastina, estruturas essenciais da pele. 

Tal processo leva a que, ao longo do tempo, se dê a formação de rugas prematuras na pele. Ou seja, o efeito do açúcar é semelhante ao dos cigarros e dos raios UV: um envelhecimento precoce das células.
 

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS SOBRE ESTE EFEITO VICIANTE DO AÇÚCAR?


Estudos realizados demonstram que o açúcar, em qualquer uma das suas formas, não se limita a engordar: também destrói o nosso fígado, desregula o nosso metabolismo, prejudica o nosso cérebro e deixa-nos suscetíveis a doenças cardíacas, diabetes e até cancro. Assim, as reações são unânimes:
 
  • Os especialistas clamam por regulamentação específica, sublinhando que não basta sensibilizar a população, uma vez que o açúcar está presente em cerca de 80% dos alimentos que ingerimos.
  • De acordo com um artigo publicado em 2012 no Jornal Nature, o açúcar é uma substância tóxica, que devia ser alvo da mesma regulamentação do tabaco ou do álcool.
 

COMO COMBATER O EFEITO VICIANTE DO AÇÚCAR E SUAS CONSEQUÊNCIAS?



Num mundo saturado de alimentos que incluem açúcar nas suas variadas formas, não é fácil travar uma luta justa contra este efeito viciante. No entanto, para o ajudar a sentir-se o melhor possível e a prevenir danos a longo prazo, de seguida apresentamos algumas dicas úteis e fáceis de seguir.
 

1. Mantenha-se informado

  • Leia os rótulos, nomeadamente os ingredientes e a informação nutricional dos alimentos que consome (até os restaurantes de fast food o disponibilizam);
  • Saiba que o açúcar pode vir descrito nas mais diversas formas. Por exemplo: frutose, sacarose, glicose, dextrose, maltodextrina, xarope de milho, xarope de arroz, xarope de agave, entre outros;
  • Mantenha a ingestão de açúcar abaixo das 50 gramas recomendados pela Organização Mundial de Saúde.


2. Quando sentir um desejo incontrolável por algo doce

  • Dê preferência à fruta. Por si só, acalma a ânsia do açúcar e o que não faltam são opções de batidos deliciosos (veja as nossas sugestões aqui) que o vão ajudar a controlar os níveis de insulina, a sentir-se cheio e a evitar quebras de energia;
  • As águas aromatizadas com frutas, por exemplo, são ótimos exemplos para se manter hidratado, com a vantagem de dar ao seu paladar e ao seu cérebro uma sensação diferente do que apenas a água lhe dá. Também temos exemplos para si, aqui;
  • O iogurte é um alimento que nunca desilude. De preferência magro e com baixo teor de açúcar, ajuda na sensação de saciedade e a controlar os níveis de açúcar no sangue;
  • Troque os habituais pacotinhos de açúcar por canela, por exemplo;
  • Se tiver vontade de comer, esqueça as bolachas. Descasque uma cenoura divirta-se a comê-la!
 

3. Quando não conseguir resistir à tentação

  • Saiba quando comer alimentos com muito açúcar. Tente não comê-los isoladamente para evitar os picos glicémicos. Depois das refeições, por exemplo, poderá investir numa sobremesa mais doce;
  • Se está habituado à ingestão diária de açúcar, reduza gradualmente. O nosso cérebro precisa de tempo para se habituar. Dê-lhe uma semana e vai ver que o vício vai diminuindo!
  • Não se prive totalmente a ingestão de açúcar. Em certas situações, a ingestão de hidratos de carbono simples é importante para repôr as reservas de glicogénio nos músculos, por exemplo, depois de treinos intensos.
 

4. Algumas dicas extra

  • Evite doces, bolos e todo o tipo de pastelaria;
  • Elimine os refrigerantes e bebidas alcoólicas da sua dieta;
  • A substituição do açúcar por adoçantes artificiais não resulta: estes não despoletam a sensação de prazer e de recompensa, podendo levar a que se ingiram ainda mais calorias.
 

Bónus:

Muitas pessoas já estão a sofrer os efeitos desta epidemia, sem sequer se terem apercebido. Para ficar a conhecer um pouco melhor o efeito viciante do açúcar e a forma como este o leva a desesperar por doces, deixamos-lhe este pequeno filme essencial:



 

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