É uma mãe galinha? Cuidado! Pais super protetores podem ser prejudiciais!

Ser mãe galinha não significa sem boa ou má mãe. É apenas uma forma controladora e ansiosa de viver a maternidade. Saiba como mudar e viver mais descansada.

É uma mãe galinha? Cuidado! Pais super protetores podem ser prejudiciais!
Fica ansiosa à mínima exposição do seu filho ao perigo?

Toda a gente parece reconhecer que a super proteção dos filhos não é positiva, no entanto, todos conhecemos algum “pai helicóptero” ou alguma “ mãe galinha ”, certo?

Mas afinal, o que há de errado em ser excessivamente cuidadoso? Se as crianças se podem magoar com facilidade, não faz sentido que os pais estejam sempre a tentar zelar pela sua segurança? As preocupações com a segurança dos filhos não devem ser superiores à diversão? O principal papel dos pais não é manter os filhos 100% seguros? Talvez não!

Stress agudo vs. Stress crónico nas crianças


crianca introvertida

Existem dois tipos de stress: o stress agudo, que é aquele que persiste num curto espaço de tempo, e o stress crónico, que persiste por um período mais alargado de tempo.

Todos concordam que o stress crónico é prejudicial à saúde e ao bem-estar a todos os níveis. Nas crianças, o stress crónico é geralmente desencadeado por situações de abuso, negligência, privação sensorial, preocupação excessiva, exposição regular à violência, entre outros fatores. Uma infância cronicamente stressante geralmente dá lugar a um adulto com ansiedade, depressão, ou outros transtornos do humor.

Todas as crianças devem, portanto, ser protegidas do stress crónico.

Por outro lado, o stress agudo é a resposta a um estímulo assustador, competitivo ou perigoso, e é completamente resolvido em segundos ou minutos. É uma pequena explosão de stress e não é motivo de preocupação (exceto para qualquer boa mãe galinha, que não consegue resistir ao ver o seu filho numa situação de stress ou perigo).

Muitas brincadeiras, em especial aquelas que envolvem alguma interação física, envolvem um certo de grau de stress agudo. Alguns desportos ou outras atividades competitivas são indutores de stress e é por isso mesmo que gostamos deles. O stress agudo pode ser divertido e benéfico para o desenvolvimento infantil.

Mas afinal como é uma “mãe galinha”?

Uma mãe galinha é aquela que ansiosamente procura proteger o seu filho de todas e quaisquer adversidades, no entanto, isso não parece ser benéfico para o saudável desenvolvimento da criança. O esforço físico, os pequenos conflitos no recreio com os colegas, os jogos de competição, e as pequenas quedas são indutoras de stress agudo e aprender a viver estas experiências na infância é normativo e benéfico, já que há lições que não podemos aprender de outra forma.

Quando uma mãe galinha protege excessivamente o seu filho face a todos os potenciais riscos, por menores que sejam, como é que esta criança vai enfrentar os riscos maiores que inevitavelmente lhe vão surgir ao longo da vida? Assim, embora seja função de todos os pais proteger os seus filhos do stress crónico, privá-los de formas saudáveis de stress agudo pode deixa-los menos preparados para lidar com o stress quando forem adultos.

Como deixar de ser mãe galinha?


mae galinha e pais e filhos a brincar

Ser uma mãe atenta, dedicada, protetora e muito carinhosa é ótimo. Quando falamos em mãe galinha neste contexto, estamos a falar da mãe que cuida de forma obsessiva, possessiva, excessivamente protetora, extremamente ansiosa, e que deixa transparecer a sua excessiva ansiedade para os filhos.

Tudo o que é em demasia é exagero. Claro que deve proteger, cuidar dos seus filhos e dar-lhes todo o mimo do mundo, e mais algum. Mas isto não pode implicar o controlo total dos passos dos seus filhos. Dê algum espaço aos seus filhos e deixe-os construir a sua autonomia e independência de forma gradual.

O excesso de zelo e de proteção leva a que a mãe galinha não deixe que os seus filhos realizem qualquer atividade sozinhos, promovendo uma sensação de insegurança, baixa autonomia e baixa autoestima na criança. Estas crianças frequentemente não conseguem adormecer sozinhas, tomar banho sem ajuda, nem conseguem ficar algumas horas em casa de familiares sem a presença dos pais.

  1. Aprenda a controlar a tendência de ir a correr mal vê os seus filhos a fazer alguma atividade que pode não correr bem: Deixe-os ser crianças e deixe-os aprender o que está certo e o que está errado;
  2. Não assuma todas as tarefas pelos seus filhos: Peça-lhes que ajudem a pôr a mesa para o jantar, a fazer as camas, ou outras pequenas tarefas que os façam sentir independentes e seguros. São estas tarefas básicas que trazem bons ensinamentos para o futuro;
  3. Estimule a autonomia e responsabilize os seus filhos. É importante que os seus filhos percebam que estudar e ter boas notas é uma tarefa que lhes compete e que depende do seu esforço. Bem como muitas outras tarefas, como arrumar o quarto depois de brincar. Ao responsabilizar o seu filho e estimular a sua autonomia está a potenciar a sua autoestima;
  4. Tire tempo para si. Envolva-se em atividades que lhe dão prazer e reserve tempo para estar com as suas amigas. Não viva única a exclusivamente em função dos seus filhos.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!