Deve mesmo comer de 3 em 3 horas?

Deve mesmo comer de 3 em 3 horas?

Sim ou não? Saiba a resposta.

Durante muito tempo a ideia que perdurou era que devia comer de 3 em 3 horas, mas agora há dados que podem contrariar essa versão. 
 

Afinal deve ou não comer de 3 em 3 horas?

É muito comum dizer-se que deve comer, pelo menos, de 3 em 3 horas. Aliás, quando o assunto são dietas, nutrição ou treinos, uma das primeiras dicas que aparece é que deve comer várias vezes ao dia, preferencialmente a cada três horas.

As recomendações são variadas e as razões para comer com maior frequência também.  Mas a verdade é que nem tudo o que se diz sobre o assunto é verdade, principalmente quando o assunto é a perda de peso associada a esta prática. Quem o diz é a Organização Mundial da Saúde (OMC), que afirma que não há qualquer dado que comprove que comer de 3 em 3 horas tenha efeitos sobre o seu peso ou sobre a sua capacidade de emagrecer.

Preparado para “desmascarar” alguns dos mitos associados à recomendação de comer de 3 em 3 horas? Então vamos a isso.

Comer ou não de 3 em 3 horas… eis a questão!


1. Comer de 3 em 3 horas acelera o metabolismo

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MITO: Há uma fundamentação teórica para este argumento. No fundo esta afirmação de que comer de 3 em 3 horas acelera o metabolismo baseia-se na ideia de que refeições frequentes fazem com que o seu metabolismo fique um pouco mais acelerado por algumas horas, devido ao processo de digestão e absorção dos nutrientes dos alimentos e que faz com que o organismo necessite de energia para acontecer.

É a chamada termogénese pós-prandial, que promove o aumento da temperatura até 8h após a ingestão dos alimentos. Esta ideia baseia-se no princípio de que de cada vez que se alimenta o metabolismo aumenta para compensar essa “necessidade” energética. Errado!!!!

Vários estudos comprovam a aceleração do metabolismo não se deve à quantidade de vezes que come, mas sim aos alimentos que ingere. Ou seja, a elevação do metabolismo proveniente da alimentação é proporcional à quantidade de calorias e nutrientes ingeridos.

O British Journal of Nutrition divulgou um estudo sobre os efeitos que a frequência das refeições (ligeiras e pequenas) podem ter sobre o peso e a massa muscular de cada pessoa e chama a atenção para o facto de esta análise dever ser feita com alguma cautela. Isto porque, os resultados positivos entre entre o número de refeições diárias e a constituição física das pessoas são referentes apenas a um único estudo, o que, de certa forma, põe em causa a vercidade dos resultados obtidos. Mais: o mesmo estudo aponta que, mesmo que se verifiquem alguns efeitos benéficos desta alimentação frequente, acabam por ter uma significância mínima.

Outros estudos comprovam esta premissa. De facto, contrariamente ao é muitas vezes defendido, não há nada que demonstre que o aumento do número de refeições diárias contribui para acelerar o metabolismo.

2. Comer mais refeições ajuda a controlar o apetite

MITO: Esta ideia começa logo por ser “duvidosa” considerando que não existem muitos estudos que a comprovem e os poucos que existem apresentam conclusões díspares. Mas a verdade é que esta é uma das “teorias” mais apontadas quando o assunto é perder peso. Mas isso não significa que seja verdade.

A frequência com que se alimenta ao longo do dia varia de pessoa para pessoa. O que está aqui em causa é a tentativa de fazer desta premissa uma “verdade absoluta”, quando ainda não o é.

3. Se não comer de 3 e 3 horas perde massa muscular

MITO: Muitas pessoas pensam que se não comerem com frequência vão perder massa muscular. A ideia assenta no princípio que se estiver muitas horas sem comer, o corpo vai buscar a energia ao músculo (vai “queimar” o músculo para catalisar energia). Há um fundo de verdade aqui. O erro é pensar que tal acontece em períodos curtos de tempo.

Sim, o organismo pode recorrer aos músculos para “ir buscar” energia (um processo chamado gliconeogénese), mas apenas se ficar durante um longo período de tempo (que podem ser dias) sem se alimentar. Se ficar sem comer 3 ou 4 horas não terá qualquer problema.

4. Comer de 3 em 3 horas ajuda a controlar os níveis de glicemia

MITO: é outra das ideias mais perpetuadas e outra das ideias erradas. Isto pode até ser verdade, mas apenas para pessoas com um nível de resistência à insulina relativamente elevado.

No fundo, se não consegue aguentar um período de “jejum” é apenas porque o seu organismo está habituado a fazer refeições frequentes, porque na verdade “de raíz” estamos programados para aguentar umas boas horas de jejum.
 
No final, tenha isto em consideração: a necessidade de comer com mais ou menos frequência tem a ver com as necessidades de cada um (e varia de pessoa para pessoa) e não com ideias pré-concebidas. A tendência de se generalizar esta ideia é grande, tendo em conta os hábitos alimentares hoje em voga.

No entanto, assim como existem muitas pessoas que estão habituadas a fazer refeições frequentes (de 3 em 3 horas), também existem as que apenas dependem de três refeições para passar (e bem) o seu dia. É importante respeitar os hábitos alimentares individuais, respeitando sempre o aporte energético necessário em cada caso.


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