Videojogos: ferramentas úteis para diagnosticar doenças

Investigadores portugueses estudaram os benefícios dos videojogos para o diagnóstico de doenças ligadas ao envelhecimento e apresentaram resultados surpreendentes.

Videojogos: ferramentas úteis para diagnosticar doenças
Estudo revela as vantagens dos videojogos.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) realizou um estudo que revelou que os videojogos funcionam como meio auxiliar no diagnóstico de doenças associadas ao envelhecimento.

A partir da suposição de que os jogos são encarados como “potenciais estímulos cognitivos”, a equipa de investigação teve como objetivo “fazer um estudo que permitisse avaliar se poderiam ter um papel de estimulação e avaliação”, afirma Licínio Roque, um dos investigadores. Para chegarem a uma conclusão, foram criados três jogos conhecidos como “serious games”, com o objetivo de verificar a possibilidade de “monitorizar o desempenho da pessoa, e perceber se tem ou não perdas cognitivas”, explica o docente.

Os “serious games” poderão, desta forma, “ser utilizados como instrumento auxiliar de diagnóstico em patologias que envolvam avaliações neuropsicológicas. Os jogos podem, de uma forma menos stressante e mais atrativa, ser usados como indicadores de substituição para testes cognitivos. Por exemplo, a pessoa pode estar no conforto da sua casa e ser acompanhada remotamente pelo médico enquanto joga“ – explica Licínio Roque.

Como detetar doenças do envelhecimento com videojogos


envelhecimento e videojogos

Para levar a cabo este estudo, os idosos foram desafiados a cumprir determinadas tarefas em tablets ou smartphones, entre as quais se incluiu contar ovelhas, guardar cabras, levá-las a pastar, fechar a cerca e afastar as raposas. O equipamento onde os jogos são realizados regista toda a informação e disponibiliza-a para análise, conseguindo, assim, estudar o desempenho das funções cognitivas dos participantes no estudo.

No total, foram analisados cerca de uma centena de indicadores e, com essa mesma amostra, foi aplicado também um teste padrão usado em contexto clínico para rastreio de défice cognitivo, o Montreal Cognitive Assessement (MoCA), cujos resultados revelam “uma correlação direta entre o desempenho obtido nos jogos e o resultado alcançado no teste MoCa. Os jogadores que obtiveram melhor performance no teste padrão foram os que conseguiram concluir mais níveis nos jogos”, explica Licínio Roque.

Prémio internacional para estudo


premio

Esta investigação foi distinguida com o prémio de “Melhor Artigo Científico” na ICEC – International Conference on Entertainment Computing 2017, que decorreu no Japão, focou-se na avaliação dos “serious games” e foi desenvolvida ao longo de quatro anos, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), do Brasil.

Joaquim Cerejeira, psiquiatra no CHUC e docente da FMUC, realça que esta abordagem perante os videojogos como meios auxiliares de diagnóstico em doenças do envelhecimento “poderá vir a ser útil para caraterizar e monitorizar a função cognitiva dos doentes de uma forma rotineira e cómoda. O médico ou neuropsicólogo poderão dessa forma verificar se o desempenho do doente está de alguma forma prejudicado e verificar em que medida o tratamento instituído está a ser eficaz”.

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