Tristeza depois do sexo: mais comum do que aquilo que pensa!

A sexualidade nem sempre corre às mil maravilhas e, por vezes, surge a tristeza depois do sexo. Conheça quais as situações que podem causar esta situação.

Tristeza depois do sexo: mais comum do que aquilo que pensa!
Idealmente, o sexo provoca um estado de bem-estar e prazer.

A sexualidade é um tema que diz respeito a todos nós enquanto pessoas, na medida em que tem um grande impacto no nosso bem-estar. Ter uma boa saúde sexual implica alcançar um estado de bem-estar físico, mental e social relativo à vivência da sexualidade. Exige uma abordagem positiva e de respeito pela sexualidade e pelas relações sexuais, no entanto, nem sempre tudo corre bem e, por vezes, surgem as disfunções sexuais e a tristeza depois do sexo.

A sexualidade é um aspeto central da vida do ser humano e engloba sexo, identidade, género, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. É vivida e expressa através de pensamentos, fantasias, desejos, atitudes, valores, comportamentos e relacionamentos.

Uma vivência feliz da sexualidade implica ter a capacidade de usufruir do controlo da sexualidade e reprodução, a ausência de sentimentos de receio, vergonha, culpa, falsas crenças e outros fatores psicológicos que inibam a resposta sexual ou afetem a relação sexual, e a ausência de doenças orgânicas que prejudiquem as funções sexuais e de reprodução.

Sentir tristeza depois do sexo é comum?


terapeuta sexual

Geralmente tendemos a associar a relação sexual a sentimentos de prazer, bem-estar e satisfação, mas nem sempre assim acontece e há situações em que a tristeza depois do sexo pode surgir e as disfunções sexuais acima descritas não são as únicas justificações para tal.

Algumas investigações estudaram a forma como os indivíduos se sentiam após a relação sexual e perceberam que sentir tristeza depois do sexo não é tão raro quanto se possa pensar, nem se restringe apenas às mulheres. Os investigadores apelidaram esta situação de disforia após o ato sexual.

São necessários mais estudos para uma maior compreensão do fenómeno da tristeza depois do sexo. Os dados disponíveis mostram que estas pessoas sentem tristeza, acessos de choro, vergonha, irritação e agressividade, acabando por não conseguir incutir qualquer sentimento positivo associado ao sexo.

Acredita-se que a disforia após o ato sexual seja provocada pela combinação de determinados de fatores físicos (fatores genéticos; ação de determinados neurotransmissores; mudanças hormonais que acontecem depois do orgasmo) e psicológicos (sofrimento psicológico elevado; fraca ligação emocional com o parceiro; história de abuso sexual, traumas ou disfunção sexual; fruto de uma educação sexual muito opressiva).

Caso a tristeza depois do sexo ou alguns dos sintomas acima descritos façam parte do seu dia-a-dia, deve aconselhar-se junto do seu médico!

Quando nem tudo corre bem: disfunções sexuais


tristeza depois do sexo e disfuncao sexual

De forma simplificada, podemos definir disfunção sexual como uma vivência insatisfatória do relacionamento sexual, que pode ir desde a dificuldade em sentir prazer ou satisfação até à incapacidade em satisfazer o(a) parceiro(a).

Contudo, nem todas as dificuldades são disfunções. Há çocasiões na vida em que o ajustamento sexual entre duas pessoas é mais complicado, devido a fatores circunstanciais ou individuais. As dificuldades a nível da relação sexual são situações frequentes ao longo da vida, enquanto as disfunções são mais raras, no entanto, ambas as situações são passíveis de provocar tristeza depois do sexo.

1. Disfunção do interesse/excitação

Ausência, ou redução significativa do interesse/excitação sexual, manifesto através de alguns dos seguintes sintomas:

  • Ausência/redução do interesse na atividade sexual;
  • Ausência/redução de pensamentos ou fantasias sexuais/eróticas;
  • Ausência/redução da excitação sexual/prazer durante a atividade sexual em aproximadamente 75%-100% dos encontros sexuais;
  • Ausência/redução do interesse/excitação sexual em resposta a qualquer estímulo sexual/erótico interno ou externo;
  • Ausência/redução de sensações genitais ou não genitais durante a atividade sexual em aproximadamente 75%-100% dos encontros sexuais;
  • Nenhuma/reduzida iniciativa para a atividade sexual e tipicamente indisponível às tentativas do parceiro.

2. Disfunção do orgasmo

  • Acentuado decréscimo ou ausência de orgasmo;
  • Acentuada redução da intensidade das sensações orgásticas.

3. Disfunção da dor génito-pélvica /penetração

Dificuldades persistentes ou recorrentes em um (ou mais) dos seguintes:

  • Penetração vaginal durante o coito;
  • Acentuada dor vulvo-vaginal ou pélvica durante o coito vaginal ou tentativas de penetração;
  • Intenso medo ou ansiedade acerca da dor vulvo-vaginal ou pélvica em antecipação, durante ou como resultado da penetração vaginal;
  • Acentuada tensão e estreitamento dos músculos do pavimento pélvico durante tentativas de penetração vaginal.

Veja também:

Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!