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Tocofobia: o medo que faz com que o parto normal seja evitado

O medo que faz com que o parto seja evitado a todo o custo, apesar de haver o desejo de ter um filho, é chamado tocofobia. Conheça-o ao pormenor.

 
Tocofobia: o medo que faz com que o parto normal seja evitado
Esta perturbação está associada à preferência por cesarianas.

O medo exagerado do parto, ou tocofobia, é um dos principais fatores de desenvolvimento de perturbações psicológicas na gravidez.

Muitas vezes é um reflexo de estados psicológicos que podem ter sido mal geridos ao longo do processo de transição para a maternidade, provocando nas mulheres elevados níveis de ansiedade. Vamos conhecer e compreender melhor a tocofobia!

As exigências da gravidez para a futura mãe


tocofobia gravida com mao na barriga

Durante longos meses, a gestante prepara-se para o novo papel da sua vida: ser mãe. Noutros casos, quando a mulher já é mãe, prepara-se para o papel de mãe de outro bebé. Durante cerca de 40 semanas a grávida resolve as tarefas inerentes a este período exigente a nível psicológico e emocional, de forma a ajustar-se positivamente à maternidade:

  1. Aceitar a gravidez;
  2. Aceitar a realidade do feto;
  3. Reavaliar a relação com os pais;
  4. Reavaliar a relação com o cônjuge;
  5. Aceitar o bebé como uma pessoa separada;
  6. Reavaliar e reestruturar a sua própria identidade.

Quando a gravidez é planeada e desejada, tende a ser vivida com alegria e cuidados acrescidos. Assim que o teste dá positivo, a grávida procura os serviços de saúde e adota determinados cuidados em prol do seu bem-estar e do bem-estar do bebé.

Posteriormente, as atenções da grávida centram-se nas transformações corporais e oscilações emocionais que vão surgindo. Preocupa-se também com possíveis complicações médicas que possam surgir quer durante a gestação, quer no momento do parto. O parto, se por um lado é o momento mais desejado, por outro lado é também sentido como um momento de risco.

Ao longo do 1º trimestre vai ocorrendo a aceitação e a adaptação à gravidez. No 2º trimestre a grande maioria das grávidas começa a planear o parto e tende a percecionar as suas competências maternas como positivas. No 3º trimestre surge a antecipação da dor, o medo, as preocupações com a saúde e a intensificação da falta de controlo e da confiança.

Em que consiste a tocofobia?


tocofobia gravida pensativa

As manifestações de ansiedade que geralmente ocorrem durante a gravidez são diversas. Uma das que mais importa ressalvar é o medo exagerado do parto, ou tocofobia. De facto, algumas grávidas têm imenso receio sobre a vivência e consequências do parto, independentemente dos fundamentos subjacentes a este receio. Em situações limite, esta perturbação leva a que, mulheres com desejo de ter um filho, o evitem.

Podemos distinguir tocofobia primária (pode estar presente desde a adolescência) de tocofobia secundária (secundária a um parto traumático ou quando a tocofobia constitui um sintoma de uma depressão pré-natal). De forma frequente, esta perturbação advém de crenças acerca do parto e está fortemente associada ao medo da dor em geral e às características da personalidade da gestante.

Intervir junto da gestante com tocofobia requer uma abordagem multidisciplinar dada a complexidade do problema, que constitui uma causa comum para a cesariana a pedido.

Outros medos comummente referidos pelas mulheres grávidas são:

  • Medo de chorar;
  • Medo de ter uma dor intolerável;
  • Medo dos riscos que o bebé vai correr durante o nascimento;
  • Medo de encontrar profissionais de saúde pouco amigáveis;
  • Medo de ter hemorragias;
  • Medo de serem submetidas a cesariana de emergência.

As investigações têm mostrado que a aquisição de maior conhecimento é relevante para diminuir o medo. Assim sendo, algumas das estratégias que podem ajudar a enfrentar o medo exagerado do parto passam por:

  • Obter um maior conhecimento;
  • Comunicar, escrever e racionalizar;
  • Procurar ajuda, contar com as redes de suporte social e com os profissionais de saúde;
  • Procurar informação através de livros, revistas ou outras fontes de informação;
  • Falar acerca dos sentimentos.

 

Em suma…


É perfeitamente natural e comum as gestantes sentirem receio do parto, no entanto, quando falamos de tocofobia estamos perante uma situação patológica, um medo ampliado, que pode ter sérias repercussões. Para além do pânico face ao parto, a mulher pode manifestar outros sintomas, tais como pesadelos, ataques de pânico, choro, pensamentos sobre a morte, entre outros.

Estima-se que uma em cada seis mulheres sofre de tocofobia, pelo que esta não é uma condição a negligenciar. Felizmente, esta condição é tratável. Idealmente, a intervenção deve ocorrer antes da conceção ou integrada no seguimento que é feito à gravidez e deve contar com os esforços conjuntos de uma equipa multidisciplinar.

Na grande maioria dos casos, é pertinente que a grávida obtenha maior e melhor informação sobre o processo de trabalho de parto, que treine técnicas de relaxamento, visite ao bloco de partos e desenvolva um plano de parto junto dos profissionais de saúde que a acompanham.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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