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Testes VEGA: serão um bom método para diagnóstico de intolerâncias alimentares?

Os testes VEGA têm como finalidade detetar intolerâncias alimentares. No entanto, não apresentam validade científica para estabelecer diagnósticos credíveis.

 
Testes VEGA: serão um bom método para diagnóstico de intolerâncias alimentares?
Os testes de diagnóstico de intolerâcias alimentares são cada vez mais comuns

As intolerâncias alimentares são uma condição cada vez mais comum atualmente. Um dos exemplos mais conhecidos é a intolerância à lactose, o hidrato de carbono presente no leite. Neste contexto, e derivado da prevalência crescente desta condição, surgiram testes para detetar intolerâncias alimentares e ajudar as pessoas as contornar este problema. Os testes VEGA são um dos métodos de diagnóstico de intolerâncias alimentares mais comummente utilizados atualmente. A par dos testes sanguíneos, dominam o mercado dos testes de intolerâncias alimentares.

Comecemos então por definir em que consiste uma intolerância alimentar e distinguir a intolerância da alergia alimentar.

Alergia vs Intolerância Alimentar


testes vega frutos secos

Embora uma intolerância alimentar seja, tal como a alergia alimentar, uma reação adversa que ocorre após a ingestão / exposição a um alimento, ao contrário da alergia, esta não envolve os anticorpos IgE nem uma reação imunológica relevante e exacerbada.

Além disso, as manifestações da intolerância são predominantemente gastrointestinais (vómito, cólicas, diarreia, náuseas), visto que se deve, por norma, à ausência de uma enzima ao longo do sistema digestivo. Na maioria dos casos não põe a vida do doente em risco, sendo de prevalência muito superior à alergia.

Importa ainda referir que existem vários graus de intolerância, pelo que o tratamento desta condição também poderá variar (em alguns casos ficará proibido de consumir os alimentos envolvidos; noutras situações poderá ter de fazer pausas no seu consumo apenas durante um período de tempo).

Já no caso das alergias e apesar de qualquer alimento poder causar uma reação alérgica, são oito os alimentos que representam cerca de 90% de todas as reações:

  • Ovos;
  • Leite;
  • Amendoins;
  • Frutos secos;
  • Peixe;
  • Marisco;
  • Trigo
  • Soja

A deteção da alergia é realizada de acordo com a história clínica do doente e recorrendo a testes realizados na pele (como o Teste Prick) ou testes de sangue em que se mede os níveis de IgE dos alergénios correspondentes (1).

Testes de intolerância alimentar: o que são e qual a sua finalidade?


testes vega caneta testes intolerancia

Como referido anteriormente, os testes de intolerância alimentar podem ser testes sanguíneos ou testes VEGA.

Os testes sanguíneos são realizados através da recolha de sangue em laboratórios de análises e tem como objetivo avaliar a concentração de anticorpos IgG para as proteínas dos vários alimentos. No entanto, na maioria das situações, este marcador apenas reflete a exposição ao alimento e não propriamente uma reação adversa ao mesmo.

Já os testes VEGA são realizados tanto em farmácias como em algumas clínicas médicas e consistem em recorrer a uma espécie de caneta que faz disparos nas pontas dos dedos de modo a estimular impulsos nervosos.

Cada grupo alimentar corresponde a um tipo de frequência e é através desses disparos que se pretende analisar a reação do corpo às referidas frequências dos alimentos. Passado algum tempo, vem o resultado do teste.

O número de alimentos estudados ronda os 500 a 800 alimentos, sendo, por isso um teste pouco preciso e credível, até porque também não há recolha de sangue (1).

Testes VEGA: utilidade e eficácia


Apesar de ser um teste muito conhecido e utilizado para detetar intolerâncias, a evidência atual refere que é um teste que não apresenta reprodutibilidade. Ou seja, se repetir mais do que uma vez na mesma pessoa, não obterá sempre o mesmo resultado.

Neste contexto, e segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, os testes supracitados não têm fundamentação científica, nem utilidade diagnóstica e a sua realização e interpretação no âmbito clínico podem conduzir a diagnósticos errados. Além disso, em muitos casos, são realizados por profissionais não habilitados (2,3).

Perigos associados aos testes VEGA


testes vega mulher a comer so alface

Na maior parte dos casos o maior problema associado aos testes Vega são as dietas restritivas que deles podem resultar, sem haver essa necessidade e a mudança de hábitos alimentares para opções menos saudáveis.

Com efeito, se lhe forem proibidos alimentos de elevada densidade nutricional como fruta, hortícolas, leguminosas ou laticínios e decidir avançar para a sua exclusão, poderá estar a colocar em causa o aporte de vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes , entre outros nutrientes, comprometendo a nutrição do seu organismo.

Assim sendo, se desconfia sofrer de alguma intolerância alimentar e quer tirar todas as dúvidas, deve ponderar bem e evitar estes testes de intolerância alimentar.

Consulte um gastroenterologista ou um imunoalergologista para que o avalie e diagnostique com recurso a metodologias apropriadas, e, posteriormente, consulte um nutricionista para a prescrição de um plano alimentar adequado à situação e às suas necessidades nutricionais e energéticas.

Veja também:

Fontes

1. Charlatanice do Dia – Testes de Intolerância Alimentar, 2017. Disponível em:
https://www.scimed.pt/geral/testes-de-intolerancia-alimentar/
2. Lewith, G.T. et al. (2001). “Is electrodermal testing as effective as skin prick tests for diagnosing allergies? A double blind, randomised block design study”. Disponível em: 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC26588/
3. Beyer, K. et al. (2005). “Food allergy diagnostics: scientific and unproven procedures.” Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15864086

Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2016 e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade. É membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas.

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