Técnica do copinho ou uso do biberão: qual a melhor opção?

O uso da técnica do copinho é um excelente método de alimentar o bebé com o leite materno, quando a mãe não pode oferecer o seu leite no próprio seio.

Técnica do copinho ou uso do biberão: qual a melhor opção?
É uma alternativa ao uso da tetina.

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendar o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses de idade e como suplemento até aos 2 anos, nem sempre o bebé aceita o seio materno, ou até mesmo a tetina do biberão, pelo que se pode recorrer à técnica do copinho como forma de alimentação provisória.

Técnica do copinho: em que consiste?


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É uma forma segura de alimentar o bebé, colocando-se o leite materno extraído ou leite artificial num copinho e dá-se aos poucos ao bebé, evitando a introdução precoce das tetinas.

A criança deve ser treinada pelo profissional de saúde e pela mãe, para que quando ela não esteja por perto, o bebé já consiga beber o leite do copo.

Contudo, há que sublinhar que essa adaptação não será fácil, afinal de contas, o bebé está a aprender uma nova forma de mamar.

É uma técnica muito utilizada na maioria dos hospitais amigos do bebé por ser uma forma segura, simples, prática e barata de alimentar os bebés até que eles consigam mamar adequadamente, suprindo todas as necessidades calóricas.

Técnica do copinho: quando é que deve ser aplicada?


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Existem vários motivos pelos quais a técnica do copinho deve ser aplicada, nomeadamente:

  1. Esta técnica pode ser utilizada numa fase inicial do estabelecimento da amamentação, enquanto o bebé não estiver a mamar eficazmente no seio materno;
  2. Pode ser utilizada numa fase mais tardia, como por exemplo, quando a mãe necessita de estar afastada do bebé um período de tempo considerável, como por exemplo, no caso de bebés prematuros ou quando a mãe retorna à atividade laboral e já não está as 24 horas disponíveis para poder dar de mamar;
  3. A técnica do copinho é usada como alternativa à alimentação por tetina, por duas razões principais:
    1. A alimentação por tetina pode prejudicar o estabelecimento da amamentação por diversos motivos (como por exemplo, a não adaptação ao material da tetina ou formato; o fluxo de leite é maior quando comparado com a amamentação, o que faz com que o bebé receba um maior aporte de leite em menor tempo, entre outros). A tetina pode ter um impacto negativo no desenvolvimento do comportamento de sucção do lactente, podendo diminuir o tempo de aleitamento materno;
    2. Quando o bebé não tolera o biberão.
  4. Quando o bebé necessita de um suplemento alimentar, complementando a alimentação com o seio materno;
  5. Quando a mãe encontra algumas dificuldades temporárias na amamentação, por exemplo quando fica com os mamilos com fissuras ou gretas, perante mastites, etc.

Este não é o única forma de alimentação possível e segura, pelo que deve sempre se aconselhar com o profissional de saúde que a acompanha no puérperio.

Técnica do copinho: vantagens da sua utilização


As vantagens desta técnica são muitas quando comparadas com a alimentação por tetina. Assim sendo:

  • Estimula a utilização dos músculos certos, favorecendo os movimentos corretos do maxilar e língua, bem como o seu posicionamento adequado para uma amamentação eficaz;
  • Não interfere com a pega correta no seio materno, nem nos movimentos corretos de sucção e deglutição;
  • Estimula a produção de saliva e lipases linguais, resultando numa digestão mais eficaz;
  • Como o copo é mais fácil de lavar, o risco de contaminação e de gastroenterite é menor do que em relação aos biberões e tetinas;
  • O bebé despende de pouca energia para se alimentar;
  • O bebé determina o seu próprio consumo de leite;
  • Contraria o uso precoce do biberão, que a longo prazo pode trazer problemas para a arcada dentária e comprometimento da fala, bem como na mastigação.

 

Técnica do copinho: desvantagens da sua utilização


Apesar de ser uma forma de alimentação recomendada pela maioria dos especialistas, existem algumas desvantagens, tais como:

  • Existe o risco de o bebé substituir a amamentação por esta forma de alimentação;
  • A maioria dos bebés desperdiça uma pequena porção de leite;
  • Quando administrado por pessoas que não estão treinadas devidamente, pode levar a engasgamento do recém-nascido.

Não se aventure a oferecer nada, em nenhum tipo de copo, sem orientação e supervisão profissional, de forma a evitar broncoaspiração.

Técnica do copinho: dicas importantes a ter em atenção


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A adoção da técnica correta e a paciência são essenciais para o sucesso desse tipo de alimentação.

  • Antes de iniciar esta técnica a pessoa que irá administrar o leite deve lavar muito bem as mãos;
  • O copo a utilizar deve de ser adequado, com bordas redondas, e ter sido previamente esterilizado. A esterilização deve ser feita colocando o copo num recipiente com água a ferver, durante aproximadamente 15 minutos;
  • O bebé deve de estar acordado e preferencialmente calmo;
  • Utilize a técnica de swaddle (envolver o bebé com uma manta/lençol) de forma a prevenir que ele entorne o leite ao movimentar os braços;
  • O bebé deve de estar numa posição de sentado ou semi-sentado,  sendo que a cabeça deve de fazer um ângulo de 90º com o pescoço;
  • Deve de encher o copo, com leite materno ou artificial, até 2/3 da sua capacidade;
  • Verifique a temperatura do leite;
  • Apoie a borda do copo no lábio inferior do bebé para evitar que ele empurre o copo para fora com a língua;
  • Inclinar o copo para que o leite apenas toque nos lábios do bebé, não despeje o leite na boca do bebé, pois a estimulação sensorial é, geralmente, seguida de actividade visível da língua. O bebé deve de começar a lamber o leite com os movimentos da língua e lábios;
  • Deve de respeitar os períodos de pausa do bebé;
  • Evitar o desperdício de leite por extravasamento, de forma a não prejudicar o ganho de peso corporal do bebé;
  • No final coloque o bebé ao alto, de forma a facilitar a eructação (arrotar).

 

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.

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