Tanorexia: quando bronzear se torna um vício

Sente necessidade de estar bronzeado faça chuva ou sol? Recorre frequentemente ao solário? Então talvez sofra de tanorexia. Saiba mais sobre este problema.

Tanorexia: quando bronzear se torna um vício
Afeta sobretudo mulheres entre os 20 e os 30 anos

Cada vez mais ouvimos falar de tanorexia, uma condição que, apesar de não constituir uma perturbação mental, parece ser real e potencialmente perigosa.

A tanorexia parece estar associada a uma obsessão prejudicial pelo bronzeamento, levando a que a pessoa que dela padece acredite que a pele morena a torna mais bonita e desejável. Vamos conhecer melhor esta condição e tudo aquilo que ela implica.

O que é a tanorexia?


tanorexia mulher no solario

Cabe aos especialistas em saúde mental estudarem se esta condição é um vício ou uma compulsão. A verdade é que o bronzeamento excessivo parece, em algumas pessoas, tornar-se viciante e fora de controlo, trazendo pesadas consequências ao nível da saúde.

De facto, algumas pessoas afirmam ser viciadas na exposição solar. Geralmente, estas pessoas, são frequentadoras assíduas de solários (podendo chegar a perder o controlo do número de sessões realizadas), apenas se sentem bem com a pele bronzeada, não resistindo ao impulso de bronzear um pouco mais (muitas vezes, sem o uso de qualquer proteção solar).

Tendencialmente, estas pessoas relatam que apesar de estarem a par de todos os perigos que correm, não conseguem cessar o seu comportamento de risco. Mais ainda, relatam que o excessivo bronzeamento lhe traz melhorias ao nível da autoestima, perceção da imagem corporal e bem-estar geral.

Sintomas, consequências e perigos da tanorexia


tanorexia bronzeado excessivo

A tanorexia, ou seja, a preocupação obsessiva em bronzear a pele, tem como principais sintomas e consequências:

  • Ansiedade intensa (por exemplo, nas situações em que não seja possível recorrer ao solário ou nas ocasiões em que se olha ao espelho e vê uma cor de pele indesejada);
  • Competição entre pessoas com tanorexia, em busca do bronzeado mais intenso (pessoas com tanorexia sentem uma grande frustração se os outros estiverem mais bronzeados);
  • Frustração crónica (insatisfação com a cor de pele, que nunca atinge o tom ideal);
  • Crença de que a cor da pele é mais clara do que realmente é;
  • Perda de controlo ou exposições descontroladas ao sol e aos solários.

Quando este comportamento se torna obsessivo e viciante, pode levar a que outras áreas da vida sejam negligenciadas. Os perigos são inúmeros, quer para a saúde, quer para outras áreas.

A tanorexia, por exemplo, pode trazer problemas financeiros, devido aos gastos excessivos, e na impossibilidade de colocar o vício em prática, pode provocar sentimentos de stress, ansiedade e depressão.

Ao nível da saúde física, é sabido que a radiação ultravioleta, para além de conferir um tom de pele dourado e brilhante, também é fator de risco para o envelhecimento precoce da pele e para o desenvolvimento de queimaduras solares e cancro da pele.

Ao nível da saúde mental, pesquisas recentes mostram que pessoas que sofrem de tanorexia podem apresentar maior probabilidade de sofrer de perturbação obsessivo compulsiva (caracterizada por obsessões recorrentes e comportamentos repetidos de forma compulsiva) e transtorno dimórfico corporal (preocupação com um ou mais defeitos inexistentes ou subtis da aparência física, que causa forte angústia ou prejudica a capacidade funcional).

Conclusão…


As evidências que comprovam a existência da tanorexia como uma dependência são ainda limitadas e escassas, no entanto, existem já algumas equipas de investigação a debruçar-se sobre o tema, pelo que em breve, poderão ser conhecidos novos e mais elucidativos resultados.

Se pensa que a sua relação com o bronzeado é obsessiva, talvez esteja na altura de parar e procurar ajuda. Informe-se acerca dos perigos da exposição excessiva à radiação ultravioleta e apoie-se nas pessoas que o rodeiam.

Se apesar de contar com o apoio dos que lhe são próximos e possuir toda a informação necessária não consegue cessar a exposição solar exagerada, importa procurar ajuda especializada de forma que seja capaz de diminuir o culto excessivo da imagem, melhorar a sua autoestima, bem como aprender a controlar e a regular as suas emoções e pensamentos mais negativos, sem recorrer à exposição solar.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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