Tablets e smartphones para crianças: sim, não ou talvez?

Tablets e smartphones para crianças: sim, não ou talvez? Em algum momento, todos os pais colocam esta dúvida. Vamos tentar conhecer a resposta!

 
Tablets e smartphones para crianças: sim, não ou talvez?
Os pais devem conversar com os filhos sobre os perigos online.

As tecnologias digitais fazem parte do nosso dia-a-dia, não há como nega-lo. Nos dias de hoje as crianças têm desde cedo acesso a tablets, computadores e smartphones, utilizando-os na sua rotina diária. Perante a estreita relação entre as tecnologias digitais e as crianças, os pais ficam muitas vezes com dúvidas acerca do seu papel como mediadores e perguntam-se com frequência: tablets e smartphones para crianças? Sim, não ou talvez?

Estudos recentes têm mostrado que as crianças estão a aceder à internet de uma forma rotineira numa idade muito jovem. Naturalmente, esta utilização pode trazer imensos benefícios, no entanto, também potencia a exposição a alguns riscos, nomeadamente a imagens explícitas ou a linguagem imprópria.

Desta forma, não é de estranhar que as atividades que as crianças realizam online e os riscos a que estão expostas seja motivo de grande preocupação para os pais. Tablets e smartphones para crianças: sim, não ou talvez? Vamos tentar compreender este fenómeno e deixar algumas dicas úteis a todos os pais!

Tablets e smartphones para crianças: qual o papel dos pais?


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A investigação acerca da utilização de tecnologias digitais por parte de crianças e acerca do papel desempenhado pela família no que a esta utilização diz respeito, tem vindo a crescer nas últimas décadas.

De acordo com estas pesquisas, os pais desempenham um papel de grande importância ao nível da promoção e desenvolvimento da maturidade e da capacidade de tomada decisões por parte das crianças acerca da utilização das tecnologias digitais.

As crianças, embora sejam capazes de explorar as tecnologias digitais de forma bastante autónoma, necessitam da orientação e da ajuda dos adultos. De forma geral, os pais assumem o papel de mediadores e é com eles que as crianças têm as primeiras experiências digitais. Mais ainda, as crianças tendem a tomar os pais como exemplo, replicando as suas práticas e preferências digitais.

Encontramos identificados na literatura diferentes estilos, estratégias e modelos de mediação assumidos pela maioria dos pais, nomeadamente:

  • Postura restritiva: passa por controlar, monitorizar e limitar o uso dos meios de comunicação;
  • Postura instrutiva: passa por controlar a utilização dos meios de comunicação, com o intuito de aconselhar e ensinar;
  • Postura de co-utilização: diálogo e negociação de regras e práticas entre pais e filhos.

Algumas das restrições mais comummente impostas pelos pais são: a proibição de jogar jogos digitais antes de terem terminado os trabalhos de casa; não poderem jogar durante demasiado tempo seguido; não poderem jogar antes da hora de dormir, de forma a não ficarem demasiado excitados.

Os pais mais controladores são geralmente mais velhos e possuem menor literacia digital. Por outro lado, pais que estimulam as práticas digitais tendem a ser mais jovens e a ter elevadas competências digitais.

Tablets e smartphones para crianças: sim, não ou talvez?


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Não há grandes dúvidas de que as tecnologias digitais podem ser excelentes ferramentas, facilitadoras das aprendizagens das crianças, embora sejam frequentemente encaradas por estas como sendo apenas mais um brinquedo.

Todavia, as novas tecnologias não podem ser apenas encaradas como brinquedo, devido ao perigo que a sua utilização irresponsável e não monitorizada pode acarretar. Por exemplo, para além de jogos, as crianças têm o hábito de visualizar vídeos online. Por vezes, fazem-no de forma autónoma, visualizando os conteúdos que desejam, aproveitando as sugestões da aplicação, correndo o risco de exposição a conteúdos menos próprios para a idade.

Desta forma, os pais devem incentivar uma utilização lúdica, mas também pedagógica das tecnologias digitais, de forma a explorar todas as suas potencialidades. Alguns dos cuidados importantes a ter são:

1 – É fundamental que a utilização dos dispositivos digitais com ligação à internet seja feita de forma segura. Mesmo que o seu filho tenha ainda tenra idade, converse com ele sobre segurança digital. Tenha o cuidado de adaptar o discurso à realidade e à idade do seu filho, mas não deixe de mostrar que o acesso à internet não é apenas mais um brinquedo;

2 – Utilize as tecnologias online com ligação à internet em conjunto com o seu filho. Guie-o através de uma utilização segura e mostre-lhe todas as potencialidades (tanto lúdicas como pedagógicas) e perigos;

3 – Uma boa forma de controlar a utilização que a criança faz da tecnologia passa por permitir que esta não acontece no quarto quando a criança está sozinha;

4 – Não tenha apenas em conta as mais-valias educativas que os dispositivos digitais podem trazer. Tenha em consideração também as experiências e preferências do seu filho;

5 – Garanta que existem atividades em família sem dispositivos digitais. Há momentos e espaços para tudo. Promovam um estilo de vida digital saudável na família.

Em suma…


As crianças vivem rodeadas de tecnologias digitais desde muito cedo. Manifestam grande satisfação em utilizá-las, sobretudo as tecnologias móveis, como os tablets e smartphones.

É sobretudo em casa que as crianças têm acesso a estas tecnologias, cuja utilização tem como principal objetivo, o divertimento. Inicialmente aprende a utilizá-las através da observação dos restantes familiares e, posteriormente, aprofundam o conhecimento através da prática.

É natural que os pais tenham receios e dúvidas e se questionem acerca da pertinência de tablets e smartphones para crianças. Cada família aprende a lidar com esta realidade desafiante ao seu ritmo e à sua maneira.

Acima de tudo, os pais não devem descurar do seu papel de mediadores, permitindo uma experiência digital de sucesso aos mais pequenos.

As estratégias de monitorização adotadas pelos pais devem ser flexíveis, adaptadas à idade, aos interesses e às necessidades dos filhos.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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