Saiba reconhecer corretamente os sintomas da Sífilis: fique atento

Identificar uma pessoa com sífilis pode ser difícil à primeira vista, pois, os sintomas da sífilis nem sempre estão presentes, mesmo estando infetado.

Saiba reconhecer corretamente os sintomas da Sífilis: fique atento
Conheça todos os sintomas.

Uma das infeções sexuais transmissíveis de difícil diagnóstico e tratamento, é a sífilis, uma vez que os sintomas da sífilis variam consoante o estádio da doença.

Estádios da doença Sífilis


A sífilis pode se manifestar de 4 formas diferentes: primária, secundária, terciária, que é intercalada por períodos de latência (onde o indivíduo se encontra assintomático), e a outra forma possível é sífilis congénita que ocorre quando uma mulher grávida tem sífilis e não realiza o tratamento, passando a doença para o bebé.

Sintomas da Sífilis


sintomas da sifilis

Os sintomas da sífilis variam consoante o estágio da doença, sendo importante ter a noção de que o doente poderá não estar a manifestar sintomas (estar assintomático) e continuar infetado, isto porque entre os estádios da doença verificam-se períodos de latência, com uma durabilidade variável para cada doente.

Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa.

Sífilis primária

sifilis primaria

Um dos primeiros sintomas da sífilis é o aparecimento de uma ferida (úlcera) que não sangra e é indolor, que surge após a infeção. A base da ferida é endurecida e aparenta conter uma secreção serosa que está repleta de bactérias.

Nos homens, essas lesões geralmente aparecem em volta do prepúcio, enquanto que nas mulheres elas surgem nos pequenos lábios e na parede vaginal. Também é comum o aparecimento dessa ferida no ânus, na boca, na língua, nas mamas e nos dedos das mãos.

Esta ferida pode demorar de 3 a 12 semanas para aparecer e quando é friccionada pode libertar um líquido transparente.

Usualmente esta lesão tende a desaparecer sozinha, sem realizar nenhum tratamento. Apesar da lesão desaparecer isso não significa que a pessoa ficou curada da doença, podendo, entretanto, surgir mais sintomas da sífilis na fase seguinte da doença.

Sífilis secundária

 

queda de cabelo

Após 6 a 8 semanas do desaparecimento das lesões primárias, a doença poderá começar a manifestar-se novamente.

Devido à sua rápida disseminação pela corrente sanguínea, desta vez o comprometimento ocorrerá na pele e nos órgãos internos.

Nesta fase, podemos verificar frequentemente os seguintes sintomas:

  • Exantema generalizado, ou seja, novas lesões cutâneas, como manchas rosadas/avermelhadas ou pequenos caroços acastanhados que surgem na pele, podendo surgir descamação intensa da pele;
  • Prurido (comichão);
  • Gânglios inflamados, principalmente na região genital;
  • Cefaleias (dor de cabeça);
  • Dores musculares e articulares;
  • Odinofagia (dor de garganta);
  • Mal-estar generalizado;
  • Aumento do fígado e do baço;
  • Febre;
  • Falta de apetite;
  • Dificuldades em deglutir;
  • Perda de peso;
  • Meningite leve;
  • Sensação de formigueiro;
  • Perda de coordenação;
  • Queda de cabelo;
  • Alterações na visão (vermelhidão dos olhos, dor, redução ou dificuldade de focar a visão, embaçamento, sensibilidade à luz e uma considerável diminuição da visão);
  • Alterações na audição.

Esta fase continua durante os dois primeiros anos da doença, e surge em forma de surtos que regridem espontaneamente, mas que passam a ser cada vez mais prolongados.

Sífilis terciária

dores de cabeca

A sífilis terciária surge geralmente em pessoas que não fizeram um tratamento adequado nos primeiros dois estádios da doença, sendo caraterizada por:

  • Lesões maiores na pele, boca e nariz, que são duras e infiltrativas;
  • Problemas no funcionamento dos seguintes órgãos: coração, nervos, ossos, músculos, fígado e vasos sanguíneos;
  • Cefaleias constantes;
  • Náuseas e vómitos frequentes;
  • Rigidez do pescoço;
  • Convulsões;
  • Perda auditiva;
  • Vertigem, insónia e acidente vascular cerebral (AVC);
  • Reflexos exagerados e pupilas dilatadas;
  • Delírios, alucinações, diminuição da memória recente, da capacidade de orientação, de realizar cálculos matemáticos simples e de falar quando há paresia (paralisia) geral;
  • Doenças psiquiátricas, como demência, paralisia geral progressiva ou alterações de personalidade;
  • Alterações neurológicas, como reflexos nervosos exagerados ou pupilas que não respondem à luz;
  • Insuficiência do coração ou aneurisma e regurgitação da aorta.

Estes sintomas costumam surgir depois de 10 a 30 anos da infeção inicial, e quando o indivíduo não é tratado. O quadro é grave, principalmente quando acomete o sistema nervoso, podendo levar à morte.

Sintomas da sífilis congénita

mulher com risco de aborto

A sífilis congénita ocorre quando a mulher durante a gestação está infetada com sífilis  e não faz um tratamento adequado, pelo que através da placenta, transmite a infeção ao bebé.

Esta situação é extremamente perigosa, sendo uma das preocupações constantes ao longo de todas as gravidezes por parte dos obstetras, uma vez que a sífilis durante a gravidez pode levar a:

  • Aborto;
  • Mal formações fetais;
  • Morte do bebé ao nascer;
  • Sífilis congénita, sendo que os seus sintomas podem surgir desde as primeiras semanas de vida até mais de 2 anos após o nascimento, e englobam:
    • Manchas arredondadas de cor vermelho pálido ou cor de rosa na pele, incluindo nas palma das mãos e a sola dos pés;
    • Irritabilidade fácil;
    • Perda de apetite;
    • Pneumonia;
    • Anemia;
    • Problemas ósseos e nos dentes;
    • Perda da audição;
    • Deficiência mental.

O tratamento da sífilis congénita é feito com o recurso a injeções de penicilina, com uma durabilidade variável, dependendo da idade da criança.

Veja também:

Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.