Síndrome de Reye: saiba tudo sobre este problema infantil

A síndrome de Reye é uma doença rara que pode ter consequências muito graves nas crianças. Descubra como é feito o diagnóstico e qual o seu tratamento.

Síndrome de Reye: saiba tudo sobre este problema infantil
Crianças e aspirinas: saiba o que pode acontecer.

A Síndrome de Reye é uma doença muito rara, ainda pouco explorada e cujas causas ainda não são claras. Sabemos que é exclusiva das crianças, sejam elas lactentes ou adolescentes, e que está intimamente relacionada com o ácido acetilsalicílico, a famosa Aspirina.

Esta síndrome é uma condição aguda que causa inflamação no cérebro – encefalopatia – e perda da função hepática devido a um acumular de gordura no fígado. Geralmente, desenvolve-se após uma gripe ou varicela, quando a criança entra em contacto, respetivamente, com o vírus Influenza ou Varicela zooster. Mas é importante perceber que não desenvolve esta síndrome sempre que entra em contacto com eles, uma vez que a gripe é uma doença muito comum e esta síndrome é rara.

O risco aumenta consideravelmente quando é utilizada a Aspirina no tratamento uma vez que o ácido acetilsalicílico, o seu principal componente, tende a intensificar a atividade desses vírus.

É também devido a esse risco, que esta não é recomendada às crianças, exceto quando por indicação médica. Hoje em dia, o uso da Aspirina, tem vindo a diminuir, o que faz com que os números não sejam muito preocupantes, cerca de uma em cada 100 000 crianças são afetadas pela Síndrome de Reye. No entanto, devemos estar informados pois é uma doença que pode ter consequências graves ou mesmo fatais.

Síndrome de Reye: sintomas mais comuns


Sindrome de Reye bebe com varicela

Antes de mais, é importante salientar que os sintomas que esta síndrome provoca estão relacionados com a gravidade da mesma. Assim, inicialmente, os sinais que a criança apresenta são semelhantes a uma infeção das vias respiratórias superiores, como por exemplo uma gripe, ou até com uma varicela. Cerca de 6 dias depois, começam a surgir náuseas e vómitos muito intensos e frequentes.

A particularidade da doença é a capacidade de, subitamente, afetar a condição mental da criança, fazendo com que esta se sinta confusa, desorientada, agitada e possa entrar em delírio. São estas alterações que podem ser seguidas de convulsões mais ou menos graves e que podem evoluir, de certa forma, para uma perda da consciência, coma ou mesmo morte.

Síndrome de Reye: diagnóstico


Sindrome de Reye pediatra e bebe

O diagnóstico é feito pelo médico quando se depara com crianças que desenvolveram sintomas de encefalopatia, vómitos, enjoos e ainda alterações mentais súbitas. No entanto, e para proceder ao despiste de outros quaisquer distúrbios, deve pedir a realização de um exame de sangue bem como uma análise de tecido hepático. Este último, ao revelar alterações gordurosas microvesiculares, relata o diagnóstico definitivo.

Por vezes, os sintomas da Síndrome de Reye são semelhantes aos de uma encefalite, meningite ou insuficiência hepática e por isso é tão importante fazer diversos exames para confirmar o diagnóstico.

Os exames mais comuns, além do hemograma e biópsia do tecido do fígado, são a tomografia computarizada (TC), ressonância magnética da cabeça, para confirmar a encefalopatia e ainda a punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano.

Após o diagnóstico de Síndrome de Reye, este pode ser dividido em cinco fases. Sendo a fase 1, de estádio mais baixo e a fase 5, de estádio mais elevado.

Síndrome de Reye: tratamento mais eficaz


Sindrome de Reye medicacao intravenosa

Tal como já foi referido antes, a Síndrome de Reye é uma doença muito rara, com um ponto de interrogação nas suas causas e por isso torna-se difícil encontrar um tratamento ideal. No entanto, existem diversas formas de atuar para diminuir e tratar todas as alterações que ocorrem no organismo.

Antes de mais, todas os doentes são tratados em unidades de tratamento intensivo, onde são tomadas medidas de suporte com particular atenção na pressão intracraniana e nos níveis glicémicos. Devem também ser controladas as funções do coração e dos pulmões na criança, bem como a suspensão imediata da administração de Aspirina ou medicamentos que contenham derivados do ácido acetilsalicílico. Assim, o tratamento que é realizado sempre com acompanhamento médico, resume-se da seguinte forma:

  • Administração de vitamina K ou plasma fresco congelado, sempre que a criança apresentar problemas de coagulação para evitar assim coagulopatias;
  • Administração de dextrose a 10% ou 15% para manter estáveis os níveis de glicose no sangue e assim reverter a hipoglicemia;
  • Intubação endotraqueal (colocar um tubo na traqueia) e hiperventilação (que proporciona uma frequência respiratória mais alta que a normal) para reduzir o inchaço e a pressão dentro do cérebro;
  • Elevação da cabeça do doente quando deitado, para aliviar a pressão intracraniana;
  • Restrição de líquidos bem como administração de medicamentos diuréticos osmóticos, como o manitol, que forçam o organismo a eliminar água;
  • Implantação de um dispositivo de medição da pressão intracraniana para monitorizar e controlar a pressão.

Nem sempre é fácil a recuperação de uma crise de Síndrome de Reye, e depende muito da fase e da gravidade da inflamação do cérebro. Por isso, é importante que o diagnóstico seja feito precocemente para que os pacientes, neste caso as crianças, consigam recuperar na totalidade e não vivam presos às consequências que uma doença destas pode trazer.

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