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Síndrome de Cushing nos cães: o que é esta doença?

A síndrome de Cushing nos cães é uma doença endócrina que afeta indivíduos adultos e idosos. Conheça melhor esta doença.

 
Síndrome de Cushing nos cães: o que é esta doença?
Cães podem apresentar alterações na pele e abdómen pendular

A síndrome de Cushing nos cães é uma doença severa e crónica que acompanha o animal durante toda a vida, a partir do momento em que é diagnosticada. Exige que o animal tome medicação crónica e pode causar graves danos no seu organismo. No entanto, muitas vezes, numa fase inicial, os sinais são difíceis de perceber pelos tutores.

Síndrome de Cushing nos cães: o que são as glândulas adrenais?


Síndrome de Cushing nos cães

Para compreender melhor a síndrome de Cushing nos cães é necessário compreender o que são as glândulas adrenais.

As glândulas adrenais ou supra-renais são dois órgãos pares que se localizam por de cima dos rins, e fazem parte do organismo do cão, gato, e outros animais, incluindo o homem.
Estas glândulas estão divididas em duas porções cada uma:

  • Córtex: no córtex das glândulas adrenais são produzidas hormonas esteroides que desempenham papeis na regulação de iões como sódio e potássio, função sexual e resposta imune e redução de inflamação;
  • Medula: na medula das glândulas adrenais são produzidas hormonas que auxiliam a controlar a pressão sanguínea, frequência cardíaca, e outras atividades também reguladas pelo sistema nervoso simpático.

Estas glândulas são parcialmente controladas pelo cérebro, nomeadamente hipotálamo e hipófise, sendo que este é que determina a produção das hormonas, de acordo com a necessidade do organismo.

Síndrome de Cushing nos cães: o que é?


A síndrome de Cushing nos cães, também denominada por hiperadrenocorticismo, carateriza-se por um aumento da produção constante de cortisol, uma hormona esteróide produzida no córtex adrenal.

Este aumento pode dever-se aos seguintes fatores:

  • A presença de um tumor na hipófise, em 85 a 90% dos casos, em que esta estimula em demasia as glândulas supre-renais levando ao seu aumento e a um excesso de produção de cortisol – Síndrome de Cushing nos cães hipófiso-dependente;
  • Presença de um tumor nas próprias glândulas adrenais, o que é mais raro. Neste caso o tumor costuma estar presente em apenas uma das glândulas e causa um aumento dessa mesma glândula levando a uma produção excessiva de cortisol – Síndrome de cushing nos cães não hipófiso-dependente;
  • Terapia prolongada com medicamentos corticoesteróides – Síndrome de Cushing nos cães iatrogénico.

Síndrome de Cushing nos cães: sinais clínicos


Síndrome de Cushing nos cães

Para saber se o seu animal sofre desta doença deve estar atento a alguns sintomas específicos, que podem surgir de forma ligeira, numa fase inicial. As hormonas esteróides afetam todo o organismo do animal, pelo que podem surgir sinais variados e diferentes de animal para animal.

Os sinais mais comuns:

  • Polidipsia, aumento de ingestão de água;
  • Poliúria, ou seja, aumento da frequência urinária e em maior quantidade, em consequência da polidipsia;
  • Polifagia, aumento do apetite;
  • Aumento de peso;
  • Perda de pelo no flanco, geralmente bilateral e simétrica, ou seja, em ambos os flancos, sem prurido (comichão);
  • Pele fina e frágil e pouco elástica;
  • Falta de cio, nas fêmeas;
  • Abdómen pendular, denominado por ascite;
  • Feridas de difícil cicatrização;
  • Fadiga e cansaço.

Diagnóstico de síndrome de Cushing nos cães


O diagnóstico desta doença endócrina é difícil de realizar e deve ser feito pelo médico veterinário através da história clínica, sinais clínicos e exames complementares.

O médico veterinário pode recolher sangue para umas análises gerais (hemograma e bioquímicas) em que a alteração de alguns parâmetros pode ser sugestiva de doenças. No entanto, para confirmar o diagnóstico é necessário a realização de exames específicos recolhendo sangue depois de administrar substâncias no animal que alteram a produção de cortisol no animal.

A análise à urina do animal também pode ser uma ferramenta útil para o diagnóstico da doença, pois em casos em que o cortisol está muito elevado é possível encontra-lo na urina. É normal que animais que sofrem desta doença tenham o seu sistema imunitário fragilizado e é frequente desenvolverem infeções urinárias, pelo que a análise à urina também serve para esse diagnóstico.

A ecografia também é um exame complementar utilizado para o diagnóstico de síndrome de Cushing nos cães, pois é possível fazer a medição do tamanho das glândulas.

Tratamento de síndrome de Cushing nos cães


Síndrome de Cushing nos cães

O tratamento desta doença é feito através de medicamentos que inibem a produção de cortisol em grandes quantidades. Este medicamento apenas suprime os sinais clinicos da doença e evita que os altos níveis de cortisol possam causar danos no organismo do animal, no entanto, não destoem células tumorais, quer na hipófise ou glândulas adrenais.

Assim, é necessário que o animal tome este medicamento para o resto da sua vida, pois parando a administração é natural que os valores voltem a subir.

Devem ser realizadas análises com frequência, entre 3 a 4 vezes por ano, de forma a ajustar a dosagem da medicação, para que o animal se mantenha com o cortisol a um nível normal, nem demasiado alto, nem demasiado baixo, o que também pode trazer complicações.

Veja também:

Fontes

MSD Veterinary Manual – Cushing Syndrome (Hyperadrenocorticism). Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/endocrine-system/the-adrenal-glands/cushing-syndrome-hyperadrenocorticism?query=cushing
MSD Veterinary Manual – Disorders of the Adrenal Glands in Dogs. Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/dog-owners/hormonal-disorders-of-dogs/disorders-of-the-adrenal-glands-in-dogs#v3203562

Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.

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