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Síndrome de Burnout: o que é, quais os sinais e como prevenir

Sente pressão excessiva, irritabilidade ou não tem vontade de trabalhar? O Síndrome de Burnout pode ser silencioso, fique atento ao que se segue.

 
Síndrome de Burnout: o que é, quais os sinais e como prevenir
Conheça melhor esta doença

Importa referir que o Síndrome de Burnout síndrome do esgotamento profissional – já entrou oficialmente na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema associado ao emprego e desemprego.

Síndrome de Burnout: o que é e quais as suas dimensões?


Síndrome de Burnout

O termo “burn-out” ou “burnout” é proveniente do inglês e significa “queimar até à exaustão” (2).

Provavelmente, pode já se ter sentido esgotado e com a sensação de que não será possível recuperar a sua energia, torna-se facilmente irritável, pouco generoso, sente-se menos capacitado a cuidar dos outros e desenvolve uma atitude e pensamento pessimista; por outro lado pode sentir como que um distanciamento emocional e uma indiferença diante do sofrimento alheio, com uma perda da capacidade de empatia no contexto do seu trabalho por exemplo.

Todos estes aspetos acabam por comprometer a realização pessoal, fazendo o indivíduo sentir-se impotente, frustrado, infeliz e com baixa auto-estima (3).

Em suma, os sintomas apresentados são descritos na literatura como, a exaustão emocional muitas das vezes referido “o estar no limte”; despersonalização (propensão para atitudes negativas) e diminuição da realização pessoal.

Identifica-se com alguma destas dimensões? Se sim, então saiba que estas são as três principais dimensões do Síndrome de Burnout que não raras vezes são causadas por constantes situações de alta exigência emocional no local de trabalho (4).

Para alguns autores, o burnout desenvolve-se face ao resultado do stress crónico do ambiente laboral, quando as exigências do trabalho e a perceção das capacidades do trabalhador não coincidem ou seja, refere-se a uma ideia negativa que o indivíduo tem de si próprio, por acreditar que os seus objetivos não são atingidos e que a sua eficácia é negativa, evoluindo para uma baixa autoestima profissional (4).

Síndrome de Burnout: conheça as possíveis causas


Síndrome de Burnout

São vários os fatores que podem contribuir para o Síndrome de Burnout (1):

  • O nível de perfeccionismo e volume de trabalho que é exigido em determinadas profissões (por exemplo, médicos, enfermeiros, professores, assistentes sociais, bombeiros…), para não falar na pressão profissional;
  • A exigência do contexto académico, que afeta os estudantes universitários;
  • Organizações em que o ambiente é de muita pressão, em que os objetivos são muito exigentes ou existe um risco elevado de acidentes de trabalho, podem também desencadear esta problemática.

Outras causas que se podem associar a riscos psicossociais (como o stress e o burnout) são: o aumento do desemprego; com este, é inevitável que se sinta inseguro,  aumentando a incerteza e a instabilidade laboral; os contratos precários; o aumento da carga e do ritmo de trabalho e a insegurança causada pela imprevisibilidade das mudanças e reestruturações nas empresas (1).

Mudanças laborais e o Síndrome de Burnout


Síndrome de Burnout

O mundo do trabalho está em constante mudança e hoje em dia há uma maior atenção para os riscos de saúde física que podem advir do contexto de trabalho. Mas existem outros riscos que devemos dar cada vez mais atenção. Se está a passar por uma situação semelhante, à que estamos a abordar, ou conhece um amigo ou familiar que esteja, com certeza que já se identificou com alguns destes aspetos (5):

  • Pressão laboral exigida pela sua empresa e/ou chefia;
  • Insegurança;
  • Tipo de ambiente laboral, entre outros aspetos da organização e da gestão do trabalho, dos contextos sociais e ambientais relativos ao trabalho. Estes são aspetos que podem ter efeitos negativos na saúde do indivíduo, como é o caso do stress e do burnout.

Assim, o Síndrome de Burnout constitui-se como um tipo específico de stress ocupacional, caracterizado pelas dimensões já descritas e com consequências nefastas. Se sente que a sua qualidade de vida e o seu trabalho estão a ser influenciados negativamente e está a ter implicações nas suas relações de amizade, de trabalho e familiares, veja quais os sintomas prevalentes deste problema e como pode melhorar a sua qualidade de vida (5).

Profissões mais suscetíveis a desenvolver burnout


Síndrome de Burnout

Esta síndrome tem tido especial relevância entre a classe dos profissionais de saúde.

Algumas das razões prendem-se com o contato contínuo com um grande número de pessoas doentes; o facto de terem que gerir relações interpessoais e hierárquicas nas instituições de saúde e a carga do horário de trabalho (turnos diurnos e noturnos) têm sido descritos como preditores de maior sobrecarga física e emocional (6,7).

Estes profissionais, tendem a apresentar uma redução da qualidade do desempenho profissional, com maior probabilidade de erro médico, maiores taxas de absentismo, menor compromisso com o trabalho, diminuição da satisfação laboral, maior ocorrência de baixas médicas, maior sofrimento pessoal e aumento dos conflitos interpessoais, entre outros (2, 6).

Burnout em Enfermeiros

Os Enfermeiros e os médicos são os profissionais de saúde com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento da síndrome de burnout (7).

Estudos realizados na população portuguesa de enfermeiros e médicos concluíram que os níveis médios de burnout foram elevados. Cerca de 44% dos médicos apresentaram burnout elevado. Entre os enfermeiros os níveis a nível nacional forma moderados e cerca de 50% elevados. Entre os fatores, as más condições de trabalho são as mais reportadas (6).

Outros estudos, a nível internacional, apontam para uma maior incidência, 66%, em enfermeiros recém licenciados, sendo o apoio por parte da chefia e carga de trabalho, os fatores que levam a um risco maior de exaustão emocional e depressão (2).

Sinais a que deve estar atento


Síndrome de Burnout

Os dados mais recentes da Ordem dos Psicólogos Portugueses reportam que o stress está na origem de 50% a 60% do absentismo laboral – realidade que significa muito sofrimento humano, assim como uma redução no desempenho económico das organizações (1).

É importante que saiba que o burnout pode desenvolver-se de forma gradual, mas também pode permanecer silencioso por um longo período de tempo sem ser identificado pelo indivíduo. Veja alguns sinais de alerta (25):

  • Sensação de cansaço constante;
  • Tonturas;
  • Cefaleias;
  • Inexistência do sentimento de eficácia;
  • Falta de energia;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de apetite;
  • Desmotivação e apatia;
  • Alteração do sono;
  • Dores lombares e musculares;
  • Sentimentos de inutilidade;
  • Isolamento social;
  • Baixa produtividade.

Síndrome de Burnout: consequências a longo prazo


Síndrome de Burnout

Este Síndrome pode, a longo prazo, ter as seguintes consequências (1, 6):

  • Provocar o absentismo no trabalho e rotatividade;
  • A reforma precoce;
  • A perda de produtividade;
  • A diminuição do compromisso no trabalho e a diminuição de qualidade dos serviços ou produtos;
  • Insatisfação profissional.

A exposição prolongada ao stress está ainda associada com queixas físicas que muitas das vezes evoluem para doenças também elas físicas:

  • Osteoarticulares e musculares;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Doenças auto-imunes.

E também problemas de saúde psicológica como:

  • Conflitos interpessoais;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Alcoolismo;
  • Suicídio. 

Prevenção e Tratamento


Síndrome de Burnout

O Psicólogo desempenha um papel central na Saúde Ocupacional. Intervém na realização de ações de prevenção e intervenção dos riscos, podendo melhorar a produtividade e o bem-estar, tendo em vista auxiliar na gestão do stress laboral. Pelo que estratégias de liderança, gestão de stress, entre outras devem ser implementadas pelas organizações.

Individualmente, a Psicoterapia é também sugerida, podendo em alguns casos ser necessária intervenção farmacológica como atenuante dos sintomas ansiógenos e/ou depressivos.

Em suma…


O Síndrome de Burnout representa um risco não só para o próprio trabalhador, mas também para os seus colegas e organizações, que serão afetadas pelo menor rendimento do trabalhador, pela sua falta de tempo e energia e diminuição da qualidade do serviço apresentado.

Importa referir que os sintomas mencionados podem muitas das vezes ser confundidos com os de uma Perturbação Depressiva pelo que, se não for devidamente acompanhado, pode causar um forte desgaste físico e emocional (1, 4).

Veja também:

Fontes

1. Ordem dos Psicólogos Portugueses (2017). Projecto de Resolução do PCP sobre o “Reconhecimento da Síndrome de Burnout como Acidente de Trabalho” – Contributo da OPP. Lisboa. Disponível em: http://recursos.ordemdospsicologos.pt/files/artigos/pr_do_pcp_burnout_cm_acd.pdf
2. Campos J. et al., (2016). Burnoutin Portuguese Healthcare Professionals: An Analysis at the National Level. Pubmed, 29(1), 24-30. doi: 10.20344/amp.6460
3. Glasberg J, Horiuti L, Novais MAB, Canavezzi AZ, Miranda Vc, Chicoli FA, et al. (2007). Prevalence of the burnout syndrome among Brazilian medical oncologists. Rev Assoc Med Bras; 53(1): 85-9. doi: 1590/s0104-42302007000100026
4. Silva, F. (2018). Para além do ser psicólogo: burnout e conflito trabalho-família em psicólogos (Dissertação de mestrado, Universidade do Porto). Disponível em: https://sigarra.up.pt/fpceup/pt/pub_geral.show_file?pi_doc_id=155213
5. Stansfeld, S. & Candy, 2. B. (2006), Psychosocial work environment and mental health — A meta-analytic review. Scandinavian Journal of Work, Environment & Health, 32, 443–462. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302007000100004
6. Fida, R. & Laschinger H. (2014). New nurses burnout and workplace wellbeing: The influence of authentic leadership and psychological capital. Elsevier 1(1), 19-28. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.burn.2014.03.002
7. Pereira T. & Oliveira V. (2012). “Anxiety, depression and burnout in nurses – Impact of shift work”. Rev. Enf., 3(7). Disponível em: http://dx.doi.org/10.12707/RIII1175 

Psicóloga Carolina Pinheiro Psicóloga Carolina Pinheiro

Psicóloga Clínica, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos (CP n.º 22212). Licenciada em Psicologia e Saúde Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto Universitário Ciências da Saúde. Formada em Hipnose Clínica e Programação Neurolinguística com especialização avançada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica da Infância à Idade Adulta pelo Instituto CRIAP. Exerce atividade em contexto Universitário no Instituto Universitário Ciências da Saúde, em contexto Hospitalar, no Hospital da Luz e em clínica privada.

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