Sensibilidade digestiva nos gatos: o que é afinal esta condição?

A sensibilidade digestiva nos gatos é um problema que afeta alguns animais e não deve ser confundida com alergia alimentar ou outro tipo de patologia mais grave.

Sensibilidade digestiva nos gatos: o que é afinal esta condição?
Aumento da frequência e quantidade de fezes podem ser um dos sinais de alerta.

A sensibilidade digestiva nos gatos dá-se quando alguma parte do sistema digestivo como estômago, intestino delgado ou cólon, têm dificuldade em digerir ou absorver ou nutrientes do alimento, produzindo fezes moles ou líquidas em maior quantidade do que o normal e com mais frequência.

Existem várias doenças digestivas em gatos, nomeadamente pancreatite, colite, gastroenterite e má absorção do intestino que não estão relacionadas com esta sensibilidade, assim como as alergia alimentares, que não devem ser confundidas com este problema.

De qualquer forma, sempre que há suspeita de sensibilidade, deve consultar o seu médico veterinário de forma a descartar a hipótese de outra doença do foro digestivo, pois podem ter sintomatologia semelhante.

Sensibilidade digestiva nos gatos: causas comuns


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As causas da sensibilidade digestiva nos gatos podem ser adquiridas ou hereditárias.

Por exemplo, no caso de sensibilidade hereditária existem determinadas raças que são mais sensíveis e têm maior dificuldade na digestão do que outras, e tal deve-se à sua herança genética.

Quando a sensibilidade é adquirida pode ser devido a vários fatores, como mudança repentina de ração ou objetos estranhos alojados no estômago. O uso de medicamentos também pode favorecer o processo inflamatório no sistema digestivo e provocar uma disbiose (alteração da flora intestinal).

Sensibilidade digestiva nos gatos: como é realizado o diagnóstico e como tratar?


sensibilidade digestiva nos gatos gato a comer

Por norma, o diagnóstico desta condição baseia-se na história do animal e exame físico depois de descartadas outras hipóteses de doenças digestivas. Assim, é importante que leve o seu gato ao médico veterinário se suspeita que este sofre de sensibilidade digestiva.

Sabendo que não se trata de uma doença grave, e é uma condição para toda a vida, há algumas coisas que pode fazer para melhorar o bem-estar do seu gato.

1. Alimentação adequada

Sendo que o gato tem um sistema digestivo sensível é adequado dar uma alimentação adequada para esse tipo de situação.

O alimento deve ser fácil de digerir, já que o intestino tem dificuldade em fazer a digestão e ser igualmente nutritivo. Dessa forma, deve aconselhar-se com o seu médico veterinário acerca do alimento ideal para o seu gato.

2. Manter a mesma alimentação

Sendo que o animal tem dificuldade em digerir o alimento, estando já o organismo habituado a um determinado tipo de alimentação não deve fazer mudanças.

Se por algum motivo ainda assim tiver mesmo que fazer uma alteração na alimentação, a mudança deve ser gradual e nunca brusca. É aconselhável que converse com o seu médico veterinário acerca do assunto para que este lhe dê algumas dicas de que como fazer essa mudança.

3. Quantidade de alimento adequada

É muito importante seguir sempre à risca a quantidade recomendada diária para o seu gato. Por vezes, alimento em excesso pode tornar as fezes mais moles e até fazer o animal defecar mais vezes.

Se o animal tem dificuldade em digerir, sobrecarregar o organismo com alimento pode ser prejudicial e dificultar ainda mais a digestão.

4. Probióticos

Quando os pontos anteriores não são cumpridos e o animal manifesta algum sintoma como diarreia, o seu médico veterinário pode prescrever probióticos de forma a ajudar a repor a flora intestinal do gato.

Sensibilidade digestiva em gatos vs Alergia alimentar


sensibilidade digestiva nos gatos bolas de pelo

Enquanto a sensibilidade se trata numa dificuldade do organismo digerir o alimento, na alergia alimentar o organismo é capaz de digerir mas provoca uma reação alérgica. Por norma a alergia é apenas a um determinado ingrediente da alimentação.

Sinais de alergia alimentar

Os sinais típicos de alergia alimentar são mais graves do que uma simples sensibilidade. Geralmente os gatos manifestam outros sintomas para além de fezes moles e dejeções mais frequentes:

  • Problemas dermatológicos: geralmente são os sintomas mais comuns e manifestam-se através de prurido (comichão), eritema (vermelhidão), abrasões e alopécia (falhas de pelo);
  • Problemas digestivos: vómitos e diarreia;
  • Aumento das bolas de pelo;
  • Infeções dos ouvidos recorrentes;
  • Problemas respiratórios: mais raro ocorrer.

Se algum destes sintomas surgir, é importante recorrer ao médico veterinário para que seja feita a distinção da causa do problema.

Sensibilidade digestiva nos gatos vs Problemas digestivos


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Os problemas digestivos englobam vários problemas como colite, gastroenterite, pancreatite e má absorção intestinal.

Indepentemente da causa, todos provocam sintomas semelhantes entre si. O que difere de uma sensibilidade é a gravidade dos sinais:

  • Perda de pesa sem diminuição do consumo alimentar;
  • Mau hálito;
  • Anorexia (deixar de comer);
  • Sangue e/ou muco nas fezes;
  • Diarreia;
  • Vómitos;
  • Tenesmo (dificuldade em defecar) e disquésia (dor ao defecar);
  • Borborigmos (ruídos intestinais);
  • Transito intestinal aumentado;
  • Aumento do volume de fezes;
  • Flatulência.

 

Conclusão…


A sensibilidade digestiva não é propriamente um condição grave no gato, no entanto, os sinais podem ser confundidos muitas vezes com outros problemas gastrointestinais e alérgicos que devem ser merecedores de atenção.

Sempre que o seu animal manifeste algum sintoma como vómito, diarreia, aumento de volume ou frequência das fezes, é importante que consulte o seu médico veterinário.

O maneio de um gato com sensibilidade digestiva consiste simplesmente numa alimentação adequada e sem alterações.

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Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.

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