Ritalina: indicações terapêuticas e potenciais riscos no tratamento da hiperatividade

A Ritalina é utilizado para tratar a Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção, em crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos e, em adultos.

Ritalina: indicações terapêuticas e potenciais riscos no tratamento da hiperatividade
O medicamento das crianças hiperativas.

A Ritalina tem como princípio ativo o metilfenidato (princípio ativo de medicamentos como o Rubifen e o Concerta). Este medicamento melhora a atividade de certas partes do cérebro que estão sub-ativas. Pode ajudar a melhorar a atenção (desvios de atenção), a concentração e a reduzir o comportamento impulsivo.

De realçar que, sendo este um psicotrópico, ou seja, atua sobre o sistema nervoso central, afetando os processos mentais e alterando a perceção, as emoções e/ou os comportamentos de quem os consome, é, ou deveria ser, apenas utilizado após serem testados tratamentos que não envolvem medicamentos, tais como aconselhamento e terapia comportamental e, caso tenham sido insuficientes.

Assim, este medicamento é utilizado como parte de um programa de tratamento que geralmente inclui:

  • Terapia psicológica;
  • Terapia educacional;
  • Terapia social.

 

O QUE É A PERTURBAÇÃO DE HIPERATIVIDADE COM DÉFICE DE ATENÇÃO?


Ritalina e Perturbacao de Hiperatividade com Defice de Atencao

A Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção é uma das perturbações do desenvolvimento neuronal mais frequentes, que se caracteriza por um conjunto significativo de alterações comportamentais:

  1. Agitação motora;
  2. Impulsividade;
  3. Desatenção.

As crianças com esta perturbação apresentam grande dificuldade em inibir e ajustar o comportamento à situação ou tarefa específica.

É uma perturbação que atinge, hoje em dia, muitas crianças frequentemente por volta dos sete anos de idade, sendo um comportamento que ocorre tanto em casa como na escola.

No entanto, surge a questão, porque razão o número de casos diagnosticados com Hiperatividade sofreu um aumento exponencial?

A pressão e o stress a que nos sujeitamos todos os dias, leva-nos a ser menos tolerantes, talvez cada problema causado pela criança tome proporções mais exageradas.

Desta forma, a falta de paciência e tolerância leva a que o nosso país, Portugal, se coloque num dos primeiros países da Europa com mais casos de hiperatividade.

De facto, o tratamento da Hiperatividade corretamente diagnosticada precisa de três níveis de intervenção:

  • Psicológica;
  • Educacional – com envolvimento da família e da escola;
  • Farmacológica.

A criança hiperativa é geralmente aquela com uma distração permanente, grande impulsividade e que faz um enorme esforço para filtrar a informação. A hiperatividade tem origem num desequilíbrio nos níveis de dopamina do cérebro – este neurotransmissor está envolvido em importantes processos cerebrais, nomeadamente a aprendizagem e a memória.

De realçar que esta doença está também presente no adulto que apresenta frequentemente dificuldade em se concentrar. Que se sente inquieto, impaciente e desatento. Estes podem ainda ter dificuldade em organizar a sua vida pessoal e o seu trabalho.

HIPERATIVIDADE E RITALINA


crianca no medico

A polémica acerca da utilização da Ritalina em crianças com hiperatividade tem gerado correntes extremistas. No entanto e, independentemente das crenças de cada um, é importante perceber que cada criança tem as suas particularidades e o ponto fulcral é procurar um médico especialista que avalie convenientemente o problema (caso exista) da criança ou adolescente e que privilegie a terapêutica comportamental à medicamentosa, sempre que possível.

Na realidade, sim, existem muitas crianças desnecessariamente medicadas, mas também outras que, mesmo sem diagnóstico de Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção, e com uma dispersão extrema, a precisarem de medicação.

E uma das questões que devia ser revista para que todos os casos fossem devidamente tratados e encaminhados para especialidade sempre que necessário é a falta de psicólogos nas escolas, nos hospitais e nos centros de saúde.

QUAIS OS RISCOS DA RITALINA?


Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos secundários, embora estes não se manifestam em todas as pessoas.

Deverá consultar de imediato um médico, se tiver algum efeito secundários associados à toma de Ritalina. São em seguida listados os mais frequentes:

Frequentes (afetam menos de 1 em 10 pessoas)

  • Batimento cardíaco irregular (palpitações);
  • Alterações de humor ou variações de humor ou alterações de personalidade.

Pouco frequentes (afetam menos de 1 em 100 pessoas)

  • Pensamentos ou ações suicidas;
  • Ver, sentir ou ouvir coisas que não são reais (sinais de psicose);
  • Descontrolo da fala e dos movimentos corporais;
  • Sinais de alergia como erupção cutânea, ou comichão, urticária, inchaço da face, lábios, língua ou outras partes do corpo, falta de ar, pieira ou dificuldades em respirar.

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Farmacêutica Cátia Rocha Farmacêutica Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.