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Relação entre pais e filhos: parentalidade positiva

A relação entre pais e filhos é desde logo criada à nascença com o estabelecimento da vinculação pais-filhos. Saiba mais sobre este tema pertinente.

 
Relação entre pais e filhos: parentalidade positiva
A criação de um ambiente comunicacional favorável pelos pais é essencial para o crescimento saudável dos filhos

relação entre pais e filhos implica o envolvimento mútuo e recíproco de ambos os pais ou cuidadores. Os pais enquanto figuras de vinculação têm o papel de permitir à criança desenvolver um sentimento de segurança e confiança em si própria e na relação com os outros, que lhe vai permitir explorar o mundo (1).

O Conselho da Europa define parentalidade positiva como um comportamento parental que respeita o melhor interesse e direitos da criança. O seu papel passa por assegurar os cuidados, capacitar, guiar, reconhecer e promover a autonomia, educando num ambiente harmonioso (2).

Relação entre pais e filhos: parentalidade positiva


construcao da relacao entre pais e filhos

Parentalidade deriva do “verbo latino “parere” para produzir, desenvolver ou educar evidenciando um processo, uma atividade e uma interação usualmente ligada ao desenvolvimento da criança”.

A parentalidade positiva pressupõe o desenvolver de um ambiente de respeito no crescimento da criança otimizando o seu potencial e o seu desenvolvimento com amor (2).

De acordo com o Conselho da Europa, uma boa relação entre pais e filhos pressupõe o exercício da parentalidade positiva. Esta integra alguns pressupostos com o objetivo de assegurar um padrão de vida e harmonização familiar (1,3):

  • Desenvolvimento de relações afetivas e de segurança (ser calorosos e protetores);
  • Promoção de um ambiente familiar harmonioso (passar tempo de qualidade com eles);
  • Comunicação (tentar compreender as suas experiências de vida e comportamento);
  • Disciplina positiva (explicar as regras que eles devem respeitar; elogiar o bom comportamento; reagir ao mau comportamento com uma explicação e, se necessário, utilizar o sistema custo-resposta (retirada ou redução temporária de um privilégio) como por exemplo, intervalo para brincadeira, telemóvel, televisão, computador entre outros.

 

4 Formas de manter uma boa relação com os seus filhos


relacionamento entre pais e filhos e ensinar

1. Faça com que se sintam seguros

O objetivo será o seu filho sentir-se à vontade para falar consigo, dê-lhes alguma autonomia e responsabilidade.

2. Escute-o

A escuta ativa exige autodisciplina. Tente entender a perspetiva deles antes de ansiosamente oferecer sugestões. Experimente programar com regularidade um horário para conversar com o seu filho ou simplesmente passar tempo com ele(a), assim irá criar uma linha de confiança.

As crianças e adolescentes tendem a internalizar os seus sentimentos. Se algo os estiver a incomodar, eles podem não o manifestar. É essencial que os pais sejam capazes de detetar quando algo está errado.

3. Valorize as suas conquistas

Elogie: “Parabéns; és espetacular quando…; eu gosto quando…”; abraçar; sorrir, entre outros.

4. Converse sobre os sentimentos e necessidades do seu filho 

Por exemplo, se lhe disser que está triste ou chateado diga que está orgulhoso por partilhar os seus sentimentos. Faça com que ele sinta que tanto sentimentos “bons” como “menos bons” são normais de ter, sem a pressão de tentar manter a criança/adolescente sempre feliz e resolver os seus problemas.

Se estivermos perante um comportamento desadequado, suponha que já tentou de tudo e o problema continua, converse com ele sobre os seus sentimentos e necessidades, pense em conjunto uma solução que agrade aos dois (4,5).

6 Estratégias eficientes de comunicar com os filhos


relacionamento entre pais e filhos e compartilhar interesses

Saber comunicar é uma competência que se tem de aprender e que implica falar e escutar.

Uma boa comunicação é fulcral para que desenvolva e mantenha uma boa relação com o seu filho.

  • Saber escutar: ouça-o e tente não interromper;
  • Seja genuíno: deve dizer a verdade às crianças. Nem sempre é a melhor solução o querer “esconder” ou evitar o sofrimento. Isso só irá afastar a relação entre pais e filhos e consequentemente a confiança. Não há problema em admitir que não sabe todas as respostas, transmita antes que vai procurar saber se for o caso;
  • Mantenha as coisas simples: muitas das vezes o que é prioridade para si, por exemplo arrumar o quarto ou colocar a roupa suja no cesto, não é de todo para uma criança ou adolescente. Irritar-se, castigar por ser sempre a mesma coisa, é uma estratégia ineficaz para a situação. Decida o que quer especificamente que ele faça e foque-se na resolução. Às vezes, apenas é necessária uma pequena palavra ou comunicação muito breve;
  • Estabeleça limites:  ordens positivas, específicas e educadas nunca sob a forma de perguntas ou sugestões: dê uma ordem de cada vez, apropriada à idade e específica/clara;
  • Linguagem não verbal adequada: existem alguns gestos bem simples na comunicação com as crianças: fechar a revista/jornal que está a ler; colocar o telemóvel em silêncio; desligar a televisão, usar o toque e baixar-se para que os seus olhos fiquem ao nível dos da criança. Antes de dar ordens ou fazer pedidos, conecte-se e ensine-a a focar-se;
  • Evitar culpabilizações e/ou recriminações: são mensagens que magoam e não há qualquer benefício em culpar ou assustar a criança “Quando o pai chegar a casa…”; “se não comes vou chamar o homem mau…” ou levo-te para uma instituição…” (5,6,7,8).

Se sentir que o seu filho precisa de uma ajuda mais específica ou até enquanto pais, procure um profissional da área para que o oriente no melhor caminho e lhe permita desenvolver uma relação entre pais e filhos positiva.

Veja também:

Fontes

1. Brás, M. (2014). A Parentalidade positiva rumo à capacitação parental. Disponível em:
https://repositorio.ipsantarem.pt/bitstream/10400.15/1207/1/A%20Parentalidade%20positiva%20rumo%20%C3%A0%20capacita%C3%A7%C3%A3o%20parental_%20Maria%20Salom%C3%A9%20Bras.pdf 

2. Lopes, M. (2012). Apoiar na parentalidade positiva: áreas de intervenção de enfermagem. Disponível em:
https://scholar.google.pt/scholar?q=apoiar+na+parentalidade+positiva:+áreas+de+intervenção+de+enfermagem&hl=pt-PT&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart

3. Instrumentos jurídicos do Conselho da Europa relativos às Políticas de Família e Direitos das Crianças. Disponível em:
https://rm.coe.int/16806a45f1

4. Talking to kids when they need help – American Psychological Association. Disponível em:
 https://apa.org/helpcenter/help-kids.pdf
5. Sugestões para pais de Adolescentes: Guia de práticas parentais positivas. Disponível em:
https://www.yumpu.com/pt/document/read/12545233/guia-de-praticas-parentais-positivas

6. Brazelton, T. B. et al.  (2004). O Método Brazelton. A Criança e a Disciplina. 6.ªedição. Lisboa: Editorial Presença.
7. Faber, A. et al. (2014). Como falar para as crianças ouvirem e ouvir para as crianças falarem. Lisboa: Guerra e Paz.
8. Valente C. (2016). O que se passa na cabeça do meu filho? 3.ª edição. Lisboa: Editorial Presença.

Psicóloga Carolina Pinheiro Psicóloga Carolina Pinheiro

Psicóloga Clínica, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos (CP n.º 22212). Licenciada em Psicologia e Saúde Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto Universitário Ciências da Saúde. Formada em Hipnose Clínica e Programação Neurolinguística com especialização avançada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica da Infância à Idade Adulta pelo Instituto CRIAP. Exerce atividade em contexto Universitário no Instituto Universitário Ciências da Saúde, em contexto Hospitalar, no Hospital da Luz e em clínica privada.

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