Nick Cave a arrasar no dia mais chuvoso do Nos Primavera Sound 2018

O último dia do Festival trouxe-nos uma combinação improvável: chuva e Nick Cave. E que belíssima combinação. Saiba porque este foi O concerto do NOS Primavera Sound que recebeu, no total, mais de 90 mil entradas no Parque da Cidade.

Nick Cave a arrasar no dia mais chuvoso do Nos Primavera Sound 2018
Chuva e Rock and Roll no Parque da Cidade do Porto

O dilúvio ao 3.º dia

E, finalmente, ao 3.º e último dia de festival, choveu. Não houve lugar a looks com estilo nesta edição do NOS Primavera Sound, que foi inundado com guarda-chuvas, chapéus e capas impermeáveis.

Parceria com a UBER

Se esteve atento às dicas que lhe deixámos no ano passado, provavelmente, deixou o carro em casa, evitando as filas e a dor de cabeça que é procurar um estacionamento livre, e optou por uma solução mais acessível, segura e conveniente – como a UBER, por exemplo.
Nesta edição, as novidades foram: a zona reservada à UBER no interior do recinto com um lounge dedicado aos utilizadores e a UBER Eats.

A equipa do Vida Ativa resolveu experimentar e foi de UBER para o festival: entrámos no recinto de forma rápida e fomos recebidos no UBER lounge por uma menina com um guarda-chuva. Uma vez no lounge, ofereceram-nos um gelado da Spirito Cupcakes e falaram-nos das novidades da aplicação UBER Eats: entre as 16h e a 01h, podíamos encomendar uma refeição de um dos restaurantes parceiros presentes (Conga, Diplomata, Munchie, entre outros) e levantar a encomenda numa de duas áreas específicas no recinto. Uma excelente maneira de evitar filas e de ter que sair de um concerto a meio para ir jantar.

Nick Cave, The Bad Seeds e A Chuva

Foi uma noite que quem assistiu jamais esquecerá: Nick Cave, The Bad Seeds e a chuva.
Nick Cave and The Bad Seeds trouxeram-nos tudo o que se pede num concerto: execução técnica, extensão de intros e entrega. A chuva que teimava em não abrandar foi a cereja no topo do bolo de uma prestação eletrificante, indomável e emocional que durou quase 1h30.
Nick Cave bebia energia dos inúmeros braços que se estendiam para lhe tocar e saltou entre músicas antigas e do novo álbum “Skeleton Tree” de forma orgânica e sublime.
A ligação emocional entre o público e Nick Cave era palpável. Em alguns temas, sentimos a sua dor em ter perdido o filho adolescente, como “I Need You” e “Do You Love Me?”.
Com “Red Right Hand” – tema do êxito da Netflix “Peaky Blinders” -, “Push the Sky Away” e “Weeping Song” fez o público cantar e bater palmas em perfeita sincronia.
Engane-se quem pense que este concerto foi só de Nick Cave. The Bad Seeds não só foram capazes de acompanhar este Senhor do Rock ‘n Roll como de elevar a prestação e dar-lhe um cunho próprio, com destaque para o frenético Warren Ellis (que trocava entre piano, violino e guitarra).
Caminhando por entre o público estarrecido que ansiava por lhe tocar, Nick Cave terminou esta, que terá sido uma das melhores performances de Rock ‘n Roll que já passou pelo NOS Primavera Sound, convidando uma parte afortunada da assistência a subir ao seu palco.

Primaveer

 

Os outros concertos

Ao final da tarde, a norte-americana Kelela trouxe-nos good vibes com o seu novo álbum “Take me Apart” e, antes do concerto mais aguardado do dia, fomos espreitar Joe Goddard, membro fundador de Hot Chip, e o seu novo álbum “Electric Lines”.
Dura e inglória era a tarefa de atuar após Nick Cave and The Bad Seeds mas Nils Frahm esteve à altura, conjugando o piano com sintetizadores, no palco Super Bock.
Na mesma altura, demos uma perninha a War on Drugs e depois fomos a correr para o Bits, ideia de muitos festivaleiros.
Terminámos o dia com o inexplicável e impressionável concerto do venezuelano Arca.

Prognósticos para a próxima edição

Já com 7 anos de existência no Porto (e 17 em Barcelona), estará o NOS Primavera Sound a passar por uma crise de identidade? O alinhamento do cartaz nunca foi tão díspar como este ano: passaram pelo Parque da Cidade artistas e bandas de rock, indie, jazz, eletrónica, hip hop, entre outros estilos musicais. A organização não esconde a sua intenção em ser um festival eclético e que agrade a uma grande variedade de pessoas, no entanto, consegue, apenas, ser uma versão soft do seu irmão mais velho – o Primavera Sound Barcelona.
Esperamos, ansiosamente, pelo cartaz de 2019 (nos dias 6, 7 e 8 de junho) para perceber se o mainstream é uma tendência.

Cofidis