“Não quero ter filhos!”: optar por não ter filhos ainda é tabu?

Sete em cada dez famílias da União Europeia não têm filhos, mas o que será que leva alguém a afirmar "não quero ter filhos". Vamos descobrir neste artigo.

“Não quero ter filhos!”: optar por não ter filhos ainda é tabu?
As mulheres que assumem não querer ter filhos ainda são questionadas.

Sempre que diz “não quero ter filhos” parece que todas as pessoas à sua volta se espantam e sente a necessidade de se defender e de dar explicações às pessoas que julgam que algo de errado se passa consigo?

Está numa relação amorosa sólida e as pessoas não param de perguntar quando vem o bebé e não sabe como lhes dizer que optaram por não ser pais? Então este artigo é mesmo para si!

Optar por ser uma família apenas de dois elementos continua a ser visto com alguma desconfiança e há ainda quem não perceba como é que alguém pode optar por dizer “não quero ter filhos”.

“Não quero ter filhos!” E depois?


nao quero ter filhos

Se casar e ter filhos já foi a principal prioridade de muitas mulheres, as gerações mais recentes têm vindo a adotar uma postura diferente. 41,2% dos casais portugueses não têm filhos. Em 1991, esta percentagem era de 32,2.

A maternidade e a paternidade são cada vez mais adiadas e muitas vezes, as gerações mais jovens optam mesmo por dizer “não quero ter filhos!”. Os números que comprovam estes dados são públicos: entre 2010 e 2013, a idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho subiu de 28,9 para 29,7.

Os motivos que fundamentam esta opção são vários e têm sido documentados em vários estudos. A decisão de ter ou não filhos resulta de uma combinação complexa de vários fatores, incluindo fatores relacionados com as relações amorosas, oportunidades de carreira, estilo de vida e estado da economia.

Atualmente as mulheres estudam durante mais tempo e muitas delas priorizam o estabelecer da carreira e da vida profissional, ao invés da formação da família. Mais ainda, a ideia de que ter filhos é essencial para um casamento e para uma vivência feliz foi reduzida (por exemplo, apenas 41% dos americanos dizem que as crianças são muito importantes para um casamento bem-sucedido).

As investigações mostram ainda que os empregos desgastantes e a pressão financeira têm também uma grande influência em algumas das pessoas que optam por não ter filhos.

Como lidar com a reação das outras pessoas?


mulheres a conversarem

Quanto mais tempo dedicar a argumentar com as outras pessoas mais vai parecer que está numa posição defensiva. A melhor forma de anunciar a quem lhe é próximo “não quero ter filhos” é de forma leve, descontraída e bem-disposta. Diga simplesmente que esta é a sua escolha pessoal. A reação das outras pessoas não é um problema seu.

Muitas mulheres foram criadas com a mensagem de que deveriam ter filhos, mas as mulheres diferem umas das outras e não é correto supor que todas as mulheres devem ser mães.

Se outrora optar por não casar ou/e não ter filhos era um tabu e olhado com imensa desconfiança, com o passar dos anos a situação tem vindo a alterar-se. Antigamente existia como que um guião que era importante seguir: encontrar o parceiro ideal, casar e ter filhos.

Atualmente a capacidade de escolha individual já não é tão desvalorizada e os números não mentem. De acordo com o Pew Research Center, o número de mulheres americanas sem filhos subiu para um recorde de 1 em 5.

Ao optar por não ter filhos está a perder algo? Claro que sim. Mas as mulheres que optar por ter filhos também perdem determinadas coisas. Afinal, todas as escolhas significativas de vida favorecem umas experiências em detrimento de outras.

Por fim, lembre-se que as outras pessoas não têm o poder de fazer com que sinta inadequação ou mal-estar, apenas podem tentar. Não permita que as pressões e as expectativas das outras pessoas perturbem as suas escolhas pessoais e a sua felicidade!

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!