6 Mitos sobre a soja que tem de desvendar já!

Os mitos sobre a soja foram surgindo à medida que o consumo deste alimento se popularizou. De facto, hoje em dia, não são só os seguidores de dietas vegetarianas que consomem soja. Também os omnívoros têm começado a incluir este alimento nas suas preparações e refeições de modo a diminuir o consumo de gorduras de origem animal.

6 Mitos sobre a soja que tem de desvendar já!
A soja constitui fonte proteica de base de muitas dietas vegetarianas, mas o seu consumo tem muitos mitos associados.

Originária da Ásia, a soja é uma das proteínas de origem vegetal mais consumidas em todo o mundo. No entanto, há medida que a sua procura aumentou, começaram a surgir mitos sobre a soja, que é importante esclarecer.

Especialmente relevante para quem segue uma alimentação vegan ou vegetariana, mas também de quem pretende reduzir o consumo de carne ou simplesmente procura variar a sua alimentação diária, a soja não deixa de ser um “alimento polémico”.

De facto, apesar de ser uma leguminosa e de apresentar os benefícios característicos deste grupo de alimentos, existem alguns efeitos na saúde que ainda não apresentam evidência científica conclusiva que os sustente ou que os refute, dando aso ao surgimento dos inúmeros mitos sobre a soja que abordaremos de seguida.

Propriedades nutricionais da soja


varios tipo de soja

Como referido anteriormente, a soja é uma leguminosa, apresentando, por isso, algumas propriedades nutricionais e benefícios para a saúde que são transversais a este grupo de alimentos.

Rica em fibra, vitaminas e minerais, nomeadamente vitamina do complexo B e vitamina K, ferro, magnésio, cobre e potássio, e proteína de origem vegetal de elevado valor biológico (é praticamente a única proteína vegetal completa), a soja é um alimento nutricionalmente completo, que constitui a base de muitas dietas vegetarianas.

A procura de conhecimento sobre este alimento é cada vez maior e têm-se multiplicado os estudos sobre os seus benefícios e potenciais riscos.

6 Mitos sobre a soja


mitos sobre a soja e cancro da mama

MITO 1 – Consumo de soja causa cancro da mama

A soja possui na sua composição isoflavonas, um composto natural com propriedades estrogénicas, que se assemelha a esta hormona feminina em muitos processos metabólicos. Por esse motivo, a soja foi durante alguns anos associada a um maior risco de cancro da mama.

No entanto, a evidência científica atual não consegue provar, de forma sustentada, que existe uma ligação entre o consumo de soja e o risco de cancro da mama, existindo inclusive trabalhos que associam o consumo de soja a menor taxa de mortalidade e menor incidência deste tipo de cancro.

MITO 2 – O Consumo de soja beneficia todos da mesma forma

Apesar dos benefícios mencionados anteriormente, a soja parece promover mais efeitos benéficos em indivíduos asiáticos, visto que os indivíduos desta população conseguem transformar, de forma mais eficiente, na flora intestinal, as isoflavonas num outro composto (S-equol), com efeitos mais acentuados a nível da saúde.

Estes efeitos prendem-se diminuição dos sintomas associados à menopausa, na promoção da manutenção da densidade mineral óssea e diminuição do “mau” colesterol (LDL) e proteína C reactiva, reduzindo, assim, o risco de osteoporose e doenças cardiovasculares.

Em países ocidentais, apenas 25 a 30% da população consegue efetuar esta produção de S-equol, atenuando bastante os efeitos mencionados.

MITO 3 – A soja é sempre um alimento geneticamente modificado

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Tal como para outros alimentos, também no caso da soja, existe a possibilidade de esta ser geneticamente modificado. No entanto, se optar por soja de produção biológica ou orgânica, a probabilidade de isso acontecer é muito reduzida.

Leia o rótulo com atenção e procure embalagens de soja que digam expressamente que o produto não é geneticamente modificado e/ou não contém organismos geneticamente modificados. Assim, consegue fazer um consumo plenamente informado deste alimento.

MITO 4 – Apenas deve consumir soja fermentada

Tal como a maioria das leguminosas, a soja contém fitatos, um anti-nutriente que limita a absorção de alguns minerais como o ferro e o cálcio.

Contudo, se a soja ou qualquer outra leguminosa, for devidamente demolhada antes de cozinhada, o impacto na absorção destes minerais torna-se muito mais reduzido.

MITO 5 – A soja não fornece proteína suficiente

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Ao contrário do que se pode pensar, a soja é uma proteína completa, ou seja uma proteína de elevado valor biológico, com boa biodisponibilidade e que fornece todos os aminoácidos essenciais para a saúde.

Como tal, mesmo para quem pratica desporto de forma regular, a soja pode ser uma fonte proteica interessante para ingerir antes ou depois dos treinos.

Mito 6 – O consumo de soja influencia a masculinidade

A relação entre a ingestão de soja nos homens e os efeitos na “masculinidade” foi levantada desde muito cedo, devido à presença das já mencionadas isoflavonas.

Esta questão acentuou-se após alguns estudos que verificaram uma diminuição dos níveis de testosterona e na concentração de espermatozóides com o consumo de soja.

No entanto, é importante salientar que estes efeitos apenas foram demonstrados com uma ingestão diária significativa de proteína de soja em pó e em indivíduos com excesso de peso e obesidade.

Em todo o caso, as revisões dos vários estudos sobre a relação entre a ingestão de soja e a concentração testosterona, fertilidade masculina e cancro da próstata indiciam que não existe razão para alarme.

Em suma


Apesar de a soja ser um alimento cuja análise do ponto de vista de saúde é bastante complexa, principalmente devido a algumas incertezas que ainda existem, alguns dos mitos sobre a soja abordados anteriormente não podem ser valorizados.

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Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista e trabalha, atualmente, nos ginásios Urban Fit de Ermesinde, Antas Prime Fitness e CulturaFit Club no Porto. Durante 2 anos colaborou no projeto Dragon Force do Futebol Clube do Porto e com o Boavista Futebol Clube. É licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade.