Mel no tratamento da tosse: resulta mesmo?

O velho "remédio" do mel no tratamento da tosse pode ser mais eficaz do que muitos antibióticos vendidos. Não acredita? Então veja o poder deste alimento.

Mel no tratamento da tosse: resulta mesmo?
A tosse pode ter diversas etiologias, mas caso seja infeciosa, o mel pode ser uma alternativa.

Com a chegada do frio, chegam também as gripes, constipações e a tosse. Quando chega a este ponto, provavelmente vai tomar medicação para combater este estado. Mas e se o mel no tratamento da tosse for realmente eficaz, como ouvimos dizer as nossas avós, e evitar a toma de antibióticos?

Em caso de tosse, cuidado com os antibióticos


mel no tratamento da tosse

A tosse é uma resposta fisiológica à irritação das vias aéreas, que funciona como um importante mecanismo de defesa do sistema respiratório, permitindo a expulsão de secreções / corpos estranhos do organismo.

É um sintoma muito frequente de gripes, infeções,  alergias, entre outras condições, sendo responsável por muitas noites mal dormidas e mau estar.

 

No entanto, é importante relembrar que a toma excessiva de antibióticos, muitas vezes, sem necessidade pode trazer sérios riscos a longo prazo. Em primeiro lugar porque, além de atacar os agentes infeciosos, o antibiótico ataca também as bactérias benéficas para a saúde, principalmente as que vivem no intestino, limitando os benefícios que estas trazem para a saúde humana.

Por outro lado, o uso constante de antibióticos faz com que as bactérias e outros microorganismos infecciosos, se tornem cada vez mais resistentes, tornando-os mais perigosos e capazes de gerar doenças. Como tal, torna-se crucial arranjar alternativas naturais com ações anti-microbianas, como por exemplo o mel, de modo a reduzir a toma destes medicamentos.

Mel no tratamento da tosse: mito ou realidade?


mel

O mel é utilizado, desde sempre, pelas populações, para tratamento dos sintomas ligados à infecção das vias respiratórias superiores e da tosse, sendo considerado seguro para crianças com mais de um ano de idade.

Na verdade, o mel tem propriedades antioxidantes e anti-microbianas que podem explicar, a sua ação a nível de problemas infeciosos.

Com efeito, a evidência do mel no tratamento da tosse tem vindo a ser cada vez mais consistente.

Evidência científica sobre os benefícios do mel no tratamento da tosse

Publicado, recentemente, na revista científica Pediatrics, um estudo veio reforçar o efeito positivo do mel na tosse da criança. O estudo analisou 300 crianças, entre 1 e 5 anos, para identificar se o mel aliviava a tosse noturna. A conclusão foi que as crianças que ingeriram mel apresentaram melhoria significativa da tosse noturna e menor dificuldade para dormir comparativamente às que receberam um xarope sem mel.

Assim, este estudo veio reforçar as recomendações fornecidas pela Organização Mundial de Saúde e pela Academia Americana de Pediatria para o uso de mel, cerca de 2,5 a 5 ml, como potencial tratamento da tosse em crianças com mais de 1 ano.

Já outros estudos anteriormente publicados, tinham demonstrado maior eficácia do mel no alívio da tosse, comparativamente aos xaropes antitússicos/expetorantes e anti-histamínicos.

Outro estudo, realizado por investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, demonstra que uma pequena dose de mel, tomada antes de dormir, alivia a tosse noturna e proporciona uma maior qualidade ao nível do sono.

Os investigadores compararam a eficácia do mel com a ausência de medicação e, também em simultâneo com o tratamento com dextrometorfano (DXM), um composto supressor da tosse que é a substância ativa de muitos medicamentos não sujeitos a receita médica.

A conclusão deste estudo foi que o mel foi mais eficaz do que a administração de DXM na redução da gravidade, frequência e intensidade da tosse noturna, originada pela infeção das vias respiratórias superiores.

Neste contexto, o mel deve ser administrado durante um curto período de tempo, e ter em consideração o risco de cáries dentárias e aumento de peso, visto que o seu principal constituinte é a frutose, um açúcar natural.

Além disso, é importante relembrar que crianças com menos de 1 ano não podem consumir mel porque o seu organismo ainda não tem proteção contra a bactéria Clostridium botulinum, que pode estar presente no mel e é responsável pela transmissão do botulismo.

ALIMENTAÇÃO E PREVENÇÃO DE TOSSE E INFEÇÕES


frutos citricos

Apesar da evidência do mel no tratamento da tosse, o mais importante é sempre atuar na prevenção das infeções das vias respiratórias que possam provocar a tosse. Nesse sentido, é muito importante apostar em alimentos e medidas que reforcem o sistema imunitário, nomeadamente:

  • Hortícolas de cor verde escura (por ex. couve-galega, couve-bruxelas, brócolos, espinafres);
  • Hortícolas de cor verde alaranjada (por ex. cenoura, abóbora, beterraba);
  • Fruta variada (incluir frutas cítricas como por ex. laranja, toranja, limão, tangerina e frutos vermelhos, pela riqueza em antioxidantes);
  • Frutos oleaginosos (por ex. nozes, avelãs, amêndoas);
  • Peixe gordo (por ex. sardinha, salmão, cavala, atum, arenque);
  • Leguminosas (por ex. feijão, grão de bico, lentilhas);
  • Cereais e seus derivados integrais (por ex. pão escuro, arroz e massa integral) e a água.

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Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista e trabalha, atualmente, nos ginásios Urban Fit de Ermesinde, Antas Prime Fitness e CulturaFit Club no Porto. Durante 2 anos colaborou no projeto Dragon Force do Futebol Clube do Porto e com o Boavista Futebol Clube. É licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade.