Medicamentos para dormir: conheça os riscos e as soluções

Os portugueses consomem cada vez mais medicamentos para dormir. É importante perceber quais os riscos e identificar quando é realmente necessária a sua toma.

Medicamentos para dormir: conheça os riscos e as soluções
As estatísticas apontam para um consumo excessivo de medicamentos para dormir.

Em 2017 foram vendidas mais 97 mil embalagens de medicamentos para dormir do que em 2016, num total de 1,11 milhões de embalagens adquiridas ao longo do ano.

Noites mal dormidas acontecem a qualquer pessoa e em qualquer idade, mas o que importa reter é que, uma pessoa com mais idade, ao contrário de uma criança ou de um jovem adulto, tem menos capacidade de dormir de forma contínua: é normal que durma menos de sete horas, em média, sendo também normal e frequente acordar durante a noite.

Porque é que isto acontece? São várias as causas:

  • Uma vida menos ativa – com o passar dos anos, tendemos a gastar menos energia;
  • Sestas longas – dormir à tarde faz com que haja menos sono à noite;
  • Consumo de bebidas alcoólicas, café e tabaco – são substâncias estimulantes;
  • Doenças como depressão e ansiedade, Alzheimer ou Parkinson, asma ou incontinência urinária;
  • Alguns medicamentos que podem afetar a qualidade do sono (pergunte ao seu farmacêutico).

Causas à parte, a verdade é que não dormir o suficiente prejudica o dia-a-dia e a qualidade de vida: diminui a concentração, a atenção e memória e aumenta a sonolência durante o dia, torna os movimentos mais lentos e menos firmes – tudo isto pode causar problemas de equilíbrio e, assim, aumentar o risco de quedas e outros acidentes. Além disso, quem dorme mal tem maior tendência a sentir-se ansioso e deprimido.

Nestes casos e caso haja reporte ao médico desta situação, é muito comum a prescrição de benzodiazepinas (ansiolíticos, sedativos e hipnóticos) por parte dos médicos de família.

No entanto, o abuso destas substâncias, além de criar dependência, pode levar a défices cognitivos, nomeadamente entre os idosos, sendo, além disso, responsável por muitos acidentes, particularmente os de viação.

O QUE SÃO AS BENZODIAZEPINAS


benzodiazepinas

São os chamados medicamentos calmantes, usados no tratamento de ansiedade e insónias.

No caso da ansiedade ou crises de pânico, o tratamento não deve exceder 8 a 12 semanas. Na insónia, o indicado são duas a quatro semanas.

Com um aumento do consumo destes medicamentos para dormir, tem-se vindo a notar a existência de um efeito de tolerância: são precisas doses cada vez maiores para os mesmos efeitos. Por outro lado, criam dependência: quando se interrompem de forma repentina geram sintomas de abstinência, como insónia ou tremores.

6 CONSELHOS ÚTEIS PARA EVITAR MEDICAMENTOS PARA DORMIR


dormir sem medicamentos para dormir

Dormir bem e as horas devidas é o essencial para um dia com mais energia e boa disposição. De notar que para uma boa noite de sono, existem gestos simples que podem ajudar:

1. Temperatura

O quarto onde vai dormir deve ter uma temperatura média de 18 graus. É esta a temperatura ideal para um sono tranquilo, evitando oscilações da temperatura corporal.

2. Sem luz

Nem telemóvel, luzes de presença ou televisão. O espaço onde dorme deve estar escuro, sem pontos de luz ou equipamentos eletrónicos que possam piscar ou manter pequenas luzes ligadas.

A presença de luzes ou radiações no quarto pode alterar profunda e significativamente o sono.

3. Ter ritmos de sono definidos

Os horários são fundamentais. É importante criar ritmos de sono, ter uma hora para se deitar e outra para se levantar, sem grandes alterações. Mantenha um horário certo para se deitar e levantar, tendo em atenção o número de horas de sono adequadas.

4. Refeição leve à noite

Faça uma refeição leve à noite e evite bebidas com cafeína (chá, café).

5. Evitar acordar para ir à casa de banho

Evite beber demasiados líquidos à noite, de forma a prevenir as idas à casa de banho durante a noite.

6. Não ficar às voltas na cama

Se não conseguir adormecer passados 30 minutos de estar deitado, procure levantar-se, dedicar-se a uma atividade calma, como ler, e voltar ao quarto quando chegar o sono.

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Farmacêutica Cátia Rocha Farmacêutica Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.