Medicamentos homeopáticos: eficazes ou apenas um placebo?

Em Portugal, ao contrário de muitos países, a utilização de medicamentos homeopáticos é uma prática legalmente aceite e controlada pelo INFARMED. Saiba tudo.

Medicamentos homeopáticos: eficazes ou apenas um placebo?
Vamos desvendar a polémica relacionada com estes medicamentos!

Os medicamentos homeopáticos em muitos países, são ainda tema de discussão por não existirem estudos credíveis que comprovem a sua eficácia, no entanto, e apesar da falta de resultados cientificamente provados, em Portugal a sua prática e recurso são aceites, surgindo para algumas pessoas como uma opção aos medicamentos e terapias habituais.

medicamentos homeopaticos

A homeopatia é um sistema de tratamento que assenta na tese de Hipócrates, a qual defende que «semelhante cura semelhante».

Trata-se da lei da similitude, segundo a qual certas substâncias que, administradas em grandes doses, provocam sintomas numa pessoa saudável, podem curar esses mesmos sintomas numa pessoa doente, quando administradas em doses muito pequenas (não tóxicas).

A homeopatia trata o ser humano e não a doença, tendo como objetivo reequilibrar a energia vital, contemplando a totalidade do ser humano e é orientada por 4 princípios:

  • Lei dos semelhantes;
  • Experimentação farmacológica na pessoa saudável;
  • Doses infinitesimais;
  • Medicamento único individualizado.

 

Qual a verdadeira diferença entre os medicamentos homeopáticos dos medicamentos tradicionais?


medicamentos homeopaticos

Na teoria são práticas totalmente diferentes, pois a homeopatia e a alopatia (medicina tradicional) não funcionam da mesma forma. As diferenças baseiam-se no seguinte:

  • A alopatia usa medicamentos químicos, a homeopatia, utiliza substâncias medicinais, que podem ter origem nos três reinos: Vegetal, Animal e Mineral/Químico – e não apenas de plantas. Na homeopatia, o processo de sucessivas diluições leva a que a substância perca gradualmente a sua toxicidade, mantendo, no entanto, o efeito terapêutico específico.
  • A alopatia procura eliminar um sintoma, a homeopatia utiliza substâncias que o agravam levemente, fazendo com que o corpo se fortaleça para combatê-lo;
  • A homeopatia assenta numa abordagem individualizada em que a mesma doença pode ser tratada de forma diferente, já que o que importa são os sintomas e não a causa da doença. No caso da alopatia, o tratamento é baseado em eliminar ou neutralizar a causa da doença, ou seja, promove a cura matando microrganismos, diminuindo a temperatura corporal, anestesiando a dor etc.

Medicamentos alopáticos e homeopáticos

medicamentos variados

Os medicamentos alopáticos são produzidos em larga escala pelas indústrias farmacêuticas, em doses pré-determinadas. No entanto, esses medicamentos também podem ser produzidos em farmácias de manipulação.

A crítica mais recorrente dos homeopatas em relação à alopatia é, o fato de que tais medicamentos podem promover diversos efeitos colaterais. Acreditam também, que os medicamentos homeopáticos poderão não ser tão agressivos quanto os alopáticos, devido às sucessivas diluições que fazem durante o seu método de preparação.

No entanto, apesar de todos os benefícios que são defendidos pelos homeopatas, ainda não existe qualquer tipo de estudo que comprove a eficácia dos medicamentos homeopáticos, aliás, o sucesso que lhes é atribuído em alguns casos deve-se ao efeito placebo (placebo é um fármaco, terapia ou procedimento inerte, que apresenta, no entanto, efeitos terapêuticos devido aos efeitos psicológicos da crença do doente de que está a ser tratado), ou seja, não servem nem na prevenção, nem no tratamento de doenças.

A realidade dos medicamentos homeopáticos em Portugal


medicamentos homeopaticos em portugal

Em Portugal a entidade responsável por avaliar e autorizar os medicamentos homeopáticos é o INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P).

Esta entidade disponibiliza informação sobre o carácter, quer dos medicamentos alopáticos, quer dos medicamentos homeopáticos e sobre a sua inocuidade, garantindo assim que os medicamentos homeopáticos comercializados em Portugal não comprometem a saúde pública.

A legislação portuguesa em vigor estabelece dois procedimentos para esta autorização:

  • Um processo de registo simplificado, ou seja, são medicamentos introduzidos no mercado sem indicações terapêuticas e sob forma farmacêutica e dosagem que não apresentem riscos para o doente.
    Estão sujeitos a este regime os medicamentos homeopáticos que, cumulativamente:

    • Sejam administrados por via oral ou externa;
    • Apresentem um grau de diluição que garanta a inocuidade do medicamento;
    • Não apresentem quaisquer indicações terapêuticas especiais na rotulagem ou em qualquer informação relativa ao medicamento.
  • Um regime idêntico ao dos restantes medicamentos de uso humano, ou seja, são comercializados com indicações terapêuticas ou com uma apresentação suscetível de apresentar riscos para o doente, sem prejuízo das características próprias a que devem obedecer os ensaios toxicofarmacológicos e clínicos destes medicamentos.

O Infarmed atualiza mensalmente e publica, nesta área, as listagens dos medicamentos cujos pedidos de registo foram deferidos, indeferidos por não assegurarem os requisitos exigidos na legislação aplicável, cancelados a pedido do requerente, ou cuja comercialização esteja suspensa.

Cuidados a ter com os medicamentos homeopáticos


mae a amamentar

Estas são algumas das regras que deve ter em conta:

  • Grávidas ou mulheres a amamentar devem consultar o médico assistente antes de tomar medicamentos homeopáticos;
  • Não se recomenda a toma destes medicamentos a crianças com menos de um ano. Nas restantes idades, é aconselhável a consulta prévia do médico que acompanha a criança;
  • É preciso ter cuidado com as interações medicamentosas. Preparados que contenham valeriana não devem ser, por exemplo, usados por pessoas com epilepsia. E outros que contenham ginkgo biloba devem ser evitados por doentes que façam anticoagulantes, pois aumentam o risco de hemorragia.

 

Aprenda a ler um rótulo de um medicamento homeopático


Poderá encontrar no rótulo destes medicamentos a designação CH, D ou X e LM ou L, em que cada letra designa a escala de diluição do medicamento:

  • CH (Diluição Centesimal Hahnemanniana, mais comum);
  • D ou X (Diluição Decimal Hahnemanniana);
  • LM ou L (Diluição Cinquenta Milesimal).

Exemplo:

Um medicamento chamado Chamomilla vulgaris 15CH é um medicamento homeopático de camomila (Chamomilla vulgar em latim), que sofreu 15 diluições sucessivas segundo a escala de diluição centesimal de Hahnemann.

Os homeopatas referem que a alopatia ou a medicina baseada na evidência, sofre com uma visão limitada do ser humano, não tendo em conta o ser humano de forma holística, no entanto, verifica-se que a homeopatia falha por não ter um método científico que possa comprovar a eficácia dos seus medicamentos.

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.