Medicação perigosa para cães: o que não deve dar ao seu melhor amigo!

A medicação de humanos não deve ser administrada a cães, sem que haja indicação do veterinário. Conheça qual a medicação perigosa para cães.

Medicação perigosa para cães: o que não deve dar ao seu melhor amigo!
Consulte o veterinário antes de dar medicação ao seu cão.

Muitas das intoxicações apresentadas em clínicas veterinárias são causadas por medicação perigosa para cães. É comum, num momento de dúvida e aflição, os donos administrarem medicação destinada a humanos, aos animais. Por vezes, caem no erro de achar que, por adaptarem a dosagem ao peso do cão ou por ser um medicamento de criança, não haverá problema.

Existem também muitos casos de ingestão acidental, em que ou os cães apanharam a medicação dos donos ou os donos estavam distraídos e deram-lhes a medicação de humano em vez da deles.

É também importante informar-se sobre qual a substância ativa presente no medicamento (ou seja, o ingrediente principal), pois muitas vezes o nome comercial e a marca mudam, mas a substância é a mesma.

Quando suspeitar que o seu amigo ingeriu medicação perigosa para cães, o ideal é levá-lo imediatamente ao médico veterinário pois muitas vezes pode-se tratar de uma questão de poucas horas para que o acidente tenha um desfecho trágico. Quanto mais cedo se tentar impedir a absorção da substância e reverter os sinais clínicos, mais hipóteses de sobrevivência terá.

Eis alguns fármacos commumente presentes em casa e que fazem parte da lista de medicação perigosa para cães.

Medicação perigosa para cães: Anti-inflamatório não esteroide (AINE)


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Ibuprofeno (Brufen®, Advil ®), Diclofenac (Voltaren®), Naproxeno (Naprosyn ®, Aleve ®)

Os AINEs são uma classe de fármacos commumente usados tanto em medicina humana como veterinária para a osteoartrite, inflamação e controlo de dor.

Existem AINEs específicos de veterinária, como é o caso do carprofeno, deracoxib e meloxicam, que são geralmente menos tóxicos para os cães do que os AINEs de medicina humana. Estes, como o ibuprofeno, o naproxeno ou o diclofenac são medicação perigosa para cães.

A ingestão de uma pequena dose pode levar a uma ulceração grave do estômago, causando sinais como vómitos, com ou sem sangue, diarreia ou fezes muito escuras, apatia, gengivas pálidas, dores abdominais e perda de apetite.

Intoxicações com doses mais elevadas podem provocar falência renal, falência hepática e problemas neurológicos tais como convulsões.
Se não se agir depressa, a morte é um desfecho possível desta intoxicação.

Medicação perigosa para cães: Paracetamol (ou Acetaminofeno)


be nu ron

Ben-u-ron®, Panadol ®, Tylenol®

Amplamente utilizado como antipirético, o paracetamol é utilizado em casos de constipação e gripe com febre. O seu uso em cães é totalmente desaconselhado pois, estes não são capazes de o metabolizar tão bem como os humanos, tornando-se tóxico para o seu organismo.

A intoxicação por paracetamol manifesta-se por apatia, inchaço do focinho e das patas, dificuldades em respirar, icterícia (mucosas amareladas), vómitos e diarreia.

Medicação perigosa para cães: Ácido acetilsalicílico


aspirina

Aspirina®

A aspirina é usada tanto em medicina humana como em veterinária. Quando nas doses adequadas, é usada em cães para controlar a dor e para fluidificar o sangue, impedindo a formação de coágulos.

No entanto, quando é ingerida a fórmula recomendada para humanos, pode ocorrer uma severa intoxicação.

Apesar dos gatos serem bastante mais suscetíveis, os cães também ficam severamente afetados com sinais gastrointestinais (vómitos sem ou com sangue, diarreia ou fezes escuras, úlceras gástricas), aumento da temperatura corporal, dificuldades respiratórias, falência renal e alterações neurológicas (fraqueza extrema, tremores, convulsões).

A resposta a uma intoxicação por ácido acetilsalicílico tem de ser rápida e envolve tratamento agressivo com lavagem ao estômago, soro e monitorização constante das análises ao sangue.

Medicação perigosa para cães: Anti-depressivos


anti depressivos

Fluoxetina (Prozac®), Venlafaxina (Effexor®), Escitalopram (Lexapro®)

Dentro dos anti-depressivos, a classe com a qual ocorrem mais ingestões acidentais são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

Estes fármacos também são utilizados em medicina veterinária para tratar problemas comportamentais tais como agressividade, ansiedade de separação, casos extremos de comichão, entre outros.

A ingestão acidental provoca sedação ou excitação, perda de apetite e apatia. No caso de haver uma ingestão de doses elevadas ocorre a chamada síndrome da serotonina, que inclui hiperatividade, vómitos, tremores, convulsões, aumento da temperatura, diarreia, vocalização e pupilas dilatadas.

A intervenção médico-veterinária é urgente para descontaminar, controlar a excitação, a temperatura, pressão sanguínea e ritmo cardíaco.

Medicação perigosa para cães: Benzodiazepinas e indutores de sono


Benzodiazepinas

Diazepam (Valium®),Alprazolam (Xanax®), Lorazepam (Lorenin®)

As benzodiazepinas são uma classe de fármacos com ação sedativa usada tanto em medicina humana como em veterinária. Aqui têm uma função anti-epilética, ansiolítica e relaxante muscular. Quando há ingestão pelos cães de uma sobredose, ocorrem sinais de sedação severa com episódios de agitação, incoordenação, agressividade e vómitos. Em casos mais severos, há comprometimento da respiração e da função cardiovascular.

Zolpidem (Stilnox®)

Os indutores de sono existem para ajudar as pessoas a adormecer, pelo que atuam de forma rápida e têm uma curta duração. Apesar do efeito pretendido em humanos, quando ingerido por cães estes medicamentos podem ter um efeito contrário, incluindo agitação, hiperatividade, agressividade, vómitos, diarreia, andar cambaleante, tremores, aumento de temperatura e dificuldades em respirar.

Medicação perigosa para cães: Suplementos vitamínicos


suplementos vitaminicos

Ferro

Muitas preparações multivitamínicas, principalmente as pré-natais, incluem ferro. Dependendo da quantidade, a ingestão em demasia de ferro pelos cães tem efeitos nefastos. Para além de ter um efeito diretamente cáustico e irritante da mucosa gastrointestinal, quando excede a capacidade de excreção do organismo começa a depositar-se e a lesionar o fígado.

Os sinais de intoxicação desenvolvem-se ao fim de 6 horas: vómitos, sem ou com sangue, diarreia, depressão, febre, falência hepática e renal.

Uma terapia imediata com compostos que diminuam a absorção de ferro é necessária.

Vitamina D

A vitamina D está incluída em muitos suplementos de cálcio para ajudar à absorção deste. Os sinais de intoxicação por vitamina D são vómitos, depressão, aumento da frequência com que urina, aumento da ingestão de água e falência renal ao fim de 24-48h.

O tratamento pode requerer vários dias devido à longa permanência dos compostos no organismo.

Conselhos úteis para os donos


A medicação deve ser sempre guardada num local seguro e de difícil acesso aos animais. Não administre medicação ao seu cão sem antes se informar com o seu médico veterinário.

Não armazene a sua medicação junto com a do seu cão – há donos que administram sem querer a sua medicação ao seu cão.

Não deve ser feita a presunção de que a medicação humana em doses pequenas ou de criança servem para os animais.

Perante uma suspeita de ingestão de medicação perigosa para cães, deve deslocar-se com o animal ao médico veterinário o mais rapidamente possível.

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Drª Rita Campilho Drª Rita Campilho

Rita Campilho é médica veterinária. Apesar de viver na cidade, sempre teve contacto com animais e desde cedo que percebeu a importância destes como parte integrante do ecossistema. Tornou-se médica veterinária no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e atualmente trabalha com cavalos, cães e gatos. Também com cães na família, acredita que é através da educação e do conhecimento sobre comportamento e saúde animal que se consegue o melhor para os animais e para quem vive com eles.