Lupus eritematoso sistémico em cães e gatos: conheça esta doença

O lupus eritematoso sistémico é uma patologia pouco conhecida que para além das pessoas, pode afetar cães e gatos. Saiba mais sobre a doença nos animais.

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Lupus eritematoso sistémico em cães e gatos: conheça esta doença
O sistema imune do animal reage contra o próprio organismo.

O lupus eritematoso sistémico é uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunitário do animal ataca os próprios tecidos do organismo. Os sintomas são variados e podem ser confundidos com outras patologias.

Lupus eritematoso sistémico: o que é?


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É uma doença pouco frequente que resulta na produção de anticorpos contra proteínas do próprio organismo (antigénio) provocando uma inflamação em vários órgãos, especialmente em rins, articulações e sistema hemolinfático, ou seja, no sangue e na linfa. Podem surgir também lesões na cutâneas em todo o corpo.

Estes anticorpos quando se unem aos antigénios resultam em complexos antigénio-anticorpo que entram em circulação e são responsáveis pelas lesões nos tecidos.

Lupus eritematoso sistémico: causas comuns


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A causa desta doença é ainda desconhecida. No entanto, sabe-se que devido a uma interação entre fatores genéticos e ambientais é produzida uma disfunção do sistema imunitário. Também existe a possibilidade de haver interferência hormonal, víricos e medicamentos que podem predispor ao seu aparecimento.

As raças mais acometidas são:

É pouco comum os cães serem afetados por esta doença. Os casos de lupus eritematoso sistémico em gatos são ainda mais raros.

Uma vez que um dos fatores para o desenvolvimento da doença são genéticos, deve ser evitada a reprodução destes animais.

Lupus eritematoso sistémico: sintomas habituais


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Os sinais são variáveis e podem aparecer em qualquer idade, tendo em conta a causa do surgimento da doença. No entanto, por norma aparecem por volta dos 6 anos de idade.

A doença pode afetar qualquer órgão uma vez que os complexos antigénio-anticorpo entram na circulação sanguínea. Dessa forma os sintomas que surgem serão de acordo com o órgão afetado.

Podem surgir sintomas de forma repentina (aguda) ou de uma forma mais lenta e progressiva (crónica). Podem também surgir com graus de intensidade variáveis ao longo do tempo.

Sinais no estado geral

Podem surgir sinais comuns à maioria das doenças, que sugerem a existência de uma infeção no organismo como por exemplo:

  • Letargia, ou seja, apresentar-se mais parado e sonolento do que o normal;
  • Anorexia (perda de apetite);
  • Febre;
  • Linfadenopatia (aumento dos linfonodos ou gânglios linfáticos);
  • Atrofia muscular;
  • Perda de peso;
  • Vómitos;
  • Mialgia (dor muscular).
  • Problemas renais

Os complexos antigénio-anticorpo podem causar lesões inflamatórias nos rins provocando uma glomerulonefrite.

As glomerulonefrites são inflamações que acometem os glomérulos, pequenas estruturas microscópicas que fazem parte do rim, responsáveis pela filtração e formação de urina.

Problemas nas articulações

Mais uma vez, a deposição dos complexos, é responsável pelo surgimento de artrites, ou seja inflamação das articulações. Esta inflamação pode começar com inchaço, dor ao toque e ao movimento, causando dificuldade na locomoção.

Sistema sanguíneo

Quando o sistema imunitário não reconhece as células do organismo, tratando-as como invasoras, forma anticorpos que as irão “atacar”.

Assim, as células componentes do sistema sanguíneo como os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas são também afetadas.

Os anticorpos formados pelo organismo irão destruir as referidas células causando:

  • Anemia (baixa de glóbulos vermelhos);
  • Leucopenia (baixa de glóbulos brancos);
  • Trombocitopenia (baixa de plaquetas).

Problemas dermatológicos

Podem surgir lesões na pele destes animais, mais ou menos simétricas, principalmente na cara, uniões mucocutâneas e extremidades. Em casos mais severos podem chegar a ser lesões generalizadas.

Podem surgir as seguintes lesões:

  • Eritema (vermelhidão);
  • Erosões;
  • Úlceras;
  • Crostas;
  • Alopécia (perda de pelo);
  • Seborreia (caspa);
  • Despigmentação da pele, especialmente na zona do nariz;
  • Hiperqueratose da pele (aumento de espessura).

 

Lupus eritematoso sistémico: diagnóstico


lupus eritematoso sistemico em caes e gatos exames ao animal

O diagnóstico desta patologia baseia-se num conjunto de exames, portanto se o seu animal demonstra algum sinal referido, deve levá-lo logo que possível a uma consulta para ser avaliado pelo médico veterinário.

Existem várias doenças com os mesmos sintomas, pelo que só o médico veterinário poderá fazer um diagnóstico correto. Para evitar gastos maiores em consultas de diagnóstico e possíveis exames saiba que o plano de saúde animal Vetecare vai ajudá-lo a poupar.

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Sinais maiores e menores

Dentro dos sinais referidos há uma tabela médica que classifica os sinais como maiores e menores. O diagnóstico depois é feito de acordo com uma combinação mínima de sinais.

Análises sanguíneas

Existe um teste específico ao sangue para recolha de anticorpos, chamado de ANA (anticorpos anti-nucleares). Também podem ser feitos análises ao sangue como hemograma e bioquímica para despistar outras doenças.

Análises à urina

Podem ser auxiliares no diagnóstico e servem também para descartar outros diagnósticos diferenciais.

Lupus eritematoso sistémico: tratamento possível


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O princípio básico do tratamento é a diminuição da ação do sistema imunitário. Sendo que o sistema imunitário desenvolve anticorpos contra o próprio organismo, o objetivo aqui é fazer com que não os desenvolva.

Diminuir a ação do sistema imune pode também trazer outras consequências, efeitos secundários, pois o organismo não é seletivo e irá deixar de produzir anticorpos no geral deixando o animal mais suscetível a infeções.

Existem vários fármacos que podem ser utilizados com este fim como os corticosteróides, medicamentos quimioterápicos como clorambucilo ou imunossupressores como azatioprina.

A medicação poderá ser necessária para toda a vida, e mesmo medicados, podem ter reincidências em vários órgãos diferentes. Dessa forma, recomenda-se uma monitorização frequente do médico veterinário.

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Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.