Será que o jejum intermitente emagrece mesmo?

A prática está na moda e muitos confirmam os benefícios e até perda de peso. Mas será que o jejum intermitente emagrece mesmo?

Será que o jejum intermitente emagrece mesmo?
A resposta à pergunta e tudo o que deve saber sobre esta nova prática.

Jejum intermitente emagrece ou não? A questão é pertinente numa altura em que a prática conta já com muitos praticantes que, na sua maioria, relatam os benefícios sentidos nomeadamente no âmbito da perda de peso.

Mas, para responder à questão, é importante perceber primeiro do que se trata.

Em que consiste o jejum intermitente, quais os benefícios e estudos existentes


jejum intermitente

O jejum intermitente caracteriza-se, como o nome indica, por um período de jejum. Não se refere ao tipo de alimentação que é feita nem a nenhuma restrição em específico, trata-se de uma restrição total de alimentos por um período de tempo definido e numa altura do dia também estabelecida.

Tem sido associada a dietas low-carb ou à Dieta Paleo, no entanto, não está defindo que a prática está diretamente ligada a nenhum hábito alimentar em específico, podendo ser enquadrada em qualquer padrão alimentar.

Existem vários tipos de jejum intermitente:

  • Método 16/8: implica 16h de jejum e refeições numa janela de 8 horas.
  • Eat-stop-eat: 1-2x por semana, jejuar entre o jantar de dois dias diferentes.
  • Método 5/2: Ingestão de apenas 25% das calorias habituais durante cerca de 2 dias da semana.
  • Warrior Diet: alimentação apenas nas últimas 4h do dia.

 

Benefícios do jejum intermitente e estudos realizados para comprovar os mesmos

beneficios do jejum intermitente e melhoria da resistencia a insulina

Estudos têm revelado vários benefícios para a saúde, nomeadamente na redução do stress oxidativo, inflamação, melhoria na sensibilidade à insulina e perda de peso. O problema dos estudos publicados prende-se com a população escolhida: ratos. Ora, os estudos em humanos são escassos e pouco suportam os benefícios acima referidos.

É certo que os ratos são mamíferos, no entanto, o funcionamento metabólico é diferente e existem uma série de condicionantes que não permitem extrapolar as condições e resultados para humanos.

Mesmo sem evidência científica de relevo, no que toca a estudos com humanos, muitas pessoas testemunham a perda de peso com a prática do jejum intermitente, no entanto, há muitas que também não revelam os resultados, muitas vezes não tão positivos.

Quanto à questão inicial, é certo que os estudos realizados em humanos sugerem que o jejum intermitente pode permitir a perda de peso a curto prazo mas, ainda assim, são necessários mais trabalhos para comprovar essa veracidade. Os estudos em animais sugerem mais benefícios para além deste… o difícil será comprovar se o mesmo acontece em humanos.

Outro problema associado aos estudos em humanos, prende-se com as condições em que são feitos: nem sempre os resultados podem ser extrapolados para a população em geral. Por exemplo, os benefícios não são verificados em pessoas sem excesso de peso ou obesidade. Também as amostras reduzidas sustentam a necessidade de mais estudos neste domínio.

Mas afinal o jejum intermitente emagrece mesmo?


jejum intermitente e perda de peso

Ainda que a evidência seja pouca, sabe-se que o jejum intermitente tem alterações metabólicas evidentes, alterações essas benéficas para o organismo, nomeadamente em paciente com diabetes. Ainda assim, estudos também revelam que a prática de jejum intermitente e restrição calórica têm resultados semelhantes no que diz respeito à perda de peso.

Assim sendo, os resultados não estão propriamente ligados ao jejum mas sim à restrição calórica que é feita. Um ponto a favor do jejum intermitente, prende-se com o facto da ausência de excessos em dias livres, ou um menor número de casos, quando comparado com outras dietas.

Fazer jejum intermitente acaba por ser uma prática pessoal, já que os benefícios demonstrados têm de ser sempre contextualizados e deixam, por agora, muitas dúvidas e respostas por dar.

Em suma


É importante que esta prática seja sempre acompanhada pelo que deverá consultar um médico ou nutricionista para suportar e apoiar durante o processo. O jejum intermitente tem também um lado negativo uma vez que pode estar relacionado com a prática de uma alimentação associada a distúrbios alimentares sendo que estes casos devem ser obrigatoriamente monitorizados.

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Nutricionista Margarida Beja Nutricionista Margarida Beja

Margarida Beja é Nutricionista (1859NE) e trabalha atualmente no Reino Unido na área da gestão de peso. Anteriormente, trabalhou também no âmbito da nutrição comunitária e nutrição clínica e esteve envolvida em projetos ligados à prevenção da obesidade infantil, coaching e marketing nutricional. É licenciada em Dietética e Nutrição pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.